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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

We are Ona

Um restaurante pop-up no Dr.Bernard

23.09.19, Triptofano!

Ona em 10 segundos: Conheça um restaurante pop-up situado no complexo do Dr.Bernard, delicie-se com petiscos cheios de técnica e sabor, prove o vinho laranja mas não tenha demasiadas expectativas relativamente aos chouriços!

Ona

Desde pequeno que a coisa que me deixava mais feliz quando ia à praia era ver o mar agitado, com ondas grandes e a bandeira amarela a ser sacudida pelo vento.

Adorava saltar lá para dentro, sempre bombardeado com as mil e uma recomendações de segurança da minha mãe, e cavalgar as ondas sentindo uma sensação de verdadeira liberdade  apesar de por vezes calcular mal a dimensão da massa de água que enfrentava e acabar a comer areia!

Não pude deixar de sorrir por dentro quando visitei pela última vez a praia do C.D.S (nada tem a ver com o partido político, a sigla significa Centro Desportivo de Surf) na Costa da Caparica, e vi que as ondas estavam grandes, prontas para serem saboreadas num misto de adrenalina e revivalismo infantil.

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Estive dentro do mar uma boa hora, até sair com os dedos engelhados (e provavelmente outras partes do corpo mas não falemos sobre isso), pronto para ir almoçar no Ona, o restaurante pop-up que abriu no complexo do Dr.Bernard, mesmo juntinho à praia.

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O Ona é uma marca que possui vários restaurantes que existem de forma permanente em outros países e que, este ano, decidiu abrir um restaurante pop-up (um restaurante que está apenas aberto durante um perído de tempo limitado com um conceito definido) em Portugal.

Ao entrar no Ona é como se tivéssemos entrado na nossa casa-de-praia, com uma decoração leve e serena, não tentando competir com a maravilhosa vista do areal (apesar de muitas vezes ver-se apenas pessoas e pouca areia) e da imensidão do mar.

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Apostando em novos e promissores talentos do mundo gastronómico na sua cozinha, este restaurante de praia apresenta uma carta direccionada para a partilha, por isso se são daquele tipo de pessoas que espeta um garfo em mão alheia que se tente aproximar do vosso prato, talvez o Ona não seja o local ideal para vocês!

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Antes de falar sobre a comida, deixem-me partilhar convosco a bebida que acompanhou a minha refeição - um vinho laranja. Nunca antes tinha ouvido falar de tal coisa, mas aparentemente é um vinho que é feito a partir de uvas brancas mas que passa por processos muito específicos, originando um produto que salta à vista.

Podia vir aqui com uma conversa gigantesca sobre taninos e notas aromáticas e coisas que tais, mas vinhos não é definitivamente a minha praia. Apenas sei dizer se escorrega bem ou não, e o vinho laranja que bebi escorregou que foi uma delícia.

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Também deliciosa estava a infusão de menta que o Cara-Metade pediu (ele queria de erva príncipe mas já não havia), porque sendo ele o homem do volante (e ficando borracho com muito pouco) não podia abusar no maravilhoso néctar alcoólico.

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A refeição propriamente dita teve início cnum estupendo requeijão com cebolinho, uma fantástica manteiga de cabra (e como eu adoro manteiga de cabra!), umas azeitonas marinadas e um maravilhoso pão da Gleba, previamente aquecido na grelha.

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Na realidade, a grelha é uma das imagens de marca do Ona, e foi com alguma pena que acabei por não provar nenhum dos peixes que havia em exposição, peixes estes que são cozinhados na grelha até atingirem uma temperatura de 52ºC, sendo depois retirados e deixados a descansar até atingirem os 55ºC graças ao calor residual, altura em que são servidos ao cliente.

É normal que algumas pessoas achem que o peixe cozinhado desta forma está meio cru, especialmente se estão habituadas a comer um misto de peixe/carvão, mas esta é a temperatura mais correcta para manter todas as propriedades e sabor do alimento.

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Depois das entradas ataquei um belíssimo lingueirão que tinha sido trazido à costa por uma manteiga de algas fumadas. Se foi unânime que o lingueirão estava delicioso, a manteiga levantou várias interrogações.

Devido ao seu sabor tão complexamente diferente, não foi possível chegar a um veredicto se era boa, má, genial ou um pesadelo gastronómico. Mas a verdade é que pedaços consecutivos de pão molhados nela fizeram-na terminar, o que me leva a crer que talvez fosse verdadeiramente boa!

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De seguida chegou uma broa de milho com pimentos assados e um lombo de sardinha magnificamente filetado.

Esta foi uma daquelas situações em que demonstrei, mais uma vez, toda a falta de finesse que me assiste, porque abri a boca o mais que consegui (correndo o risco de deslocar o maxilar) e devorei tudo numa só dentada.

A junção dos ingredientes estava muito boa, fresca e saborosa, mas podia ter ganho um pouco mais se tivesse menos pimento, o que se traduziria num equilíbrio perfeito!

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Quando descobri que havia possibilidade de pedir raia frita não pensei duas vezes, porque é aquele peixe que acho que nunca comi em casa desde que a senhora minha mãe desenvolveu uma intolerância a todos os bichos provenientes do mar e deixou de fazer caldeirada.

A raia estava muito saborosa mas infelizmente certas partes estavam demasiado salgadas, devido à salmoura descontrolada pela qual este peixe cartilaginoso passou, sendo que tal problema foi em parte compensado pelo muito bem conseguido molho de salmorejo algarvio! (se conhecem o salmorejo não fiquem admirados com a consistência deste acompanhamento, é mais espesso propositadamente para ser servido como molho)

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Antes de ter visitado o Ona tinha lido algumas reviews sobre o restaurante, e encontrei alguém que falava maravilhas sobre os chouriços na grelha, que possuíam um equilíbrio magistral entre carne e gordura e eram basicamente a última bolacha do pacote no que toca a enchidos.

Estava expectante quando pedi os chouriços, um de carne e outro de sangue, e estava à espera de que mal os metesse na boca ter uma ejaculação precoce em toda a sua glória. Infelizmente para mim, nem ejaculação nem sequer umas cóceguinhas na zona do períneo.

Os chouriços eram simplesmente chouriços, sendo que o vermelho até estava bastante seco, o que me levou a classificá-los como a desilusão do dia! (mas eu tenho a noção que a culpa é minha porque estava com demasiadas expectativas)

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Ainda me sentia defraudado com os chouriços quando chegou um polvo à galega acompanhado com batatas. Tenro, cheio de sabor, extremamente bem cozinhado, este prato de polvo podia ter sido perfeito não tivesse certos pedaços ligeiramente demasiados picantes para as minhas papilas gustativas.

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Na verdade, um dos grandes problemas do Ona não é a falta de técnica, ou de produtos de elevada qualidade, mas sim uma mão um bocadinho pesada para o tempero, que pode não agradar a todos os palatos.

Prova disso foi o arroz de peixe com berbigão, que me fez salivar descontroladamente com os deliciosos pedaços de corvina mas que me deixou literalmente a cantar o Fuego da Elena Foureira sempre que abria um berbigão para o despojar do seu conteúdo.

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Também a salada de multi-tomates coloridos do Hortelão do Oeste com muxama só não recebeu o título de melhor salada de sempre devido a um ligeiro excesso de sal, proveniente do vinagrete de massa de pimentão. Pelo facto da muxama já ser salgada por si só, pedia que o vinagrete fosse um bocadinho mais brando do que era, de forma a permitir que o prato respirasse perfeição.

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Para sobremesa vieram umas farófias, acompanhadas por creme inglês de arroz tostado (nunca antes tinha ouvido falar de tal coisa, mas tal como o vinho laranja era bom e marchou), caramelo e amêndoas torradas, que foram devoradas enquanto o diabo esfrega um olho.

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Mas o que realmente estava bom, delicioso, soberbo, e mais todos os adjectivos de que se possam lembrar, foi a combinação de morangos, uvas, natas frescas, manjericão verde e roxo e compota de morango.

Esta sobremesa, na sua complexa simplicidade, arrebatou todos os milimetros quadrados de superfície da minha língua, deixando-me a desejar arduamente que a fácil tarefa de a saborear nunca acabasse, mas infelizmente, como todos nós sabemos, tudo o que é bom tem um final, apesar de eu ter prolongado o meu deleite usando os dedos para retirar aqueles pedaços que a colher já não conseguia.

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Se estiverem à procura de um plano de fim-de-semana, não posso deixar de vos sugerir uma ida à praia do C.D.S. com paragem no Ona, para degustarem alguns maravilhosos petiscos antes que o restaurante rume para outras paragens. Mesmo com alguns temperos um bocadinho puxadotes é uma experiência que vale muito, mas muito a pena.

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Dr. Bernard Caparica Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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