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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Votei Antecipadamente!

23.01.22, Triptofano!

Votei antecipadamente! Pela primeira vez na minha vida enquanto eleitor usufrui da possibilidade de votar uma semana antes da data oficial. Não o fiz por estar longe de casa mas sim por respeito pela saúde dos outros, porque por muito que não pareça, ainda vivemos em sociedade e não numa anarquia umbigocêntrica onde é tudo a nós e nada aos outros.

Felizmente, que eu saiba, ainda não fui apanhado pelo bicho do Covid-19. Porém, tendo em conta o número crescente de novos casos, não sei o que é que me poderá acontecer nesta próxima semana, sendo que tanto posso escapar por entre os pingos da chuva como ficar infectado. E sim, sei que mesmo as pessoas que estão em isolamento vão poder ir votar, mas eu não concordo com essa medida pensada ali à última da hora em cima do joelho.

O direito a votar é algo extremamente importante. É um direito que menosprezamos sempre que nos abstemos. É preferível votar em branco ou fazer o desenho de uma sandes de marmelada do que simplesmente ignorar algo que nos pode ser tirado sem sequer darmos conta. Mas mais importante que o direito a votar é o dever de defender a saúde dos outros. Porque se a Constituição prevê o direito à protecção da nossa saúde, não podemos ver as coisas apenas num sentido e sim ter a sensibilidade e o bom-senso de compreender que não somos o centro do sistema solar, e que as outras pessoas, muitas vezes que até se encontram em situações mais debilitadas, merecem que nos preocupemos com elas e que defendamos a sua saúde.

Se soubesse que estava infectado nunca iria sair para votar. Já é mau o suficiente quando uma pessoa não sabe e acaba por espalhar o vírus. Agora saber e sair é algo que não me entra na cabeça. Porque as pessoas não se teletransportam como por magia para a mesa de voto. Precisam de fazer um percurso até lá, se calhar até vão ter que usar os transportes públicos. Não faz sentido colocarmos as pessoas em isolamento para depois dizermos que afinal podem sair naquele dia. Durante meia hora? Uma hora? O dia todo?

Claro que as forças políticas deviam ter pensado com alguma antecedência sobre que medidas implementar para diminuir o impacto do isolamento nos resultados das eleições. Voto electrónico à distância? Recolha de votos ao domicílio por equipas especializadas? Criar uma data extra para aqueles que estivessem infectados à data das eleições?

Como Portugal é perito nas decisões criativas à última da hora decide-se que todos podem ir votar independentemente de saberem que estão infectados ou não. A única obrigatoriedade é usar máscara cirúrgica ou FFP2, porque as comunitárias são boas o suficiente para impedirem o contágio no supermercado mas para as eleições já não prestam. Uma curiosidade, vai estar alguém a controlar se as máscaras aprovadas estão a ser utilizadas pela primeira vez ou se são daquelas que uma pessoa esquece no bolso durante semana e meia e fica a cheirar a cotão e a chiclete de mentol? É que da última vez que verifiquei essas máscaras não são assim muito eficientes, mas pronto, reutilizar parece ser a palavra de ordem.

Mediante este panorama dantesco, quase tão assustador como certos partidos políticos que asseguram a pés juntos que morreram vítimas da pandemia menos de duas centenas de pessoas, decidi que a melhor coisa era votar antecipadamente. Agora se o Covid me apanhar já fico mais tranquilo!

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