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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Voltámos

02.04.20, Triptofano!

Se há coisa que gostaria que nunca nenhum de nós tivesse passado era por esta pandemia do Coronavírus. Ninguém merece viver com medo, com medo de sair de casa, de ficar doente, de acabar numa cama de hospital. 

No entanto aqui estamos, e como não podemos fazer nada para além das nossas capacidades individuais, resta-nos reflectir sobre a nossa vida e, como ela mudou de um instante para o outro.

Se muitas das mudanças foram más - não podermos estar juntos a abraçar e beijar aqueles que amamos para os proteger-mos - houve outras que só não são melhores por serem resultado deste vírus.

Deixo-vos um texto que o meu Cara-Metade escreveu no Facebook, para ficarem com um sorriso no rosto e para inundarem a caixa de comentários com respostas à pergunta final! 

Voltámos

"VOLTÁMOS. E, de repente, damos um passo atrás para ver tudo o que se passa à nossa volta.

Voltam às ruas os Azeiteiros que, qual loja com rodas, providenciavam outrora os bens essenciais para as pessoas que não podiam ir às lojas. Volta o pão na porta. Volta a tele-escola e até se pensa na moderna medida de distribuir fichas aos alunos pelo correio porque muitos se encontram desprovidos de tecnologia e internet (!). Volta o contacto entre vizinhos e a mais elementar forma de mercantilismo, na troca direta de farinha por salsa. Volta a entreajuda entre o dono da loja e o seu freguês. Voltam as Juntas de Freguesia e a sua proximidade. Volta a vontade de fazer pão em casa. Volta a confiança do "não se preocupe, paga depois". Voltam os costumes de se conversar à janela e perscrutar a vida que passa. Se foi, num determinado tempo adjetivado de intromissão na vida alheia, hoje é o escape de muitos. Voltam os valores, mais importantes que a rotina. Voltam os profissionais reformados porque a sua experiência nos faz falta. Volta a culinária "daquilo que há" ou "do que a terra dá". Voltam os cantores e músicos de beiral. Volta a família e a sua importância. Voltam os mercados e a sua importância na proximidade às populações quando os outros supermercados já esgotaram a sua capacidade. Voltam os trabalhos de casa. Volta o bacalhau seco porque assim se preserva melhor. Voltam as conservas. E voltam as conversas. Volta a confiança no pivot do telejornal, que a minha avó cumprimentava, há 30 anos atrás e pelo respeito que lhe tinha, quando ele abria o telejornal com um elementar "Boa tarde".

VOLTOU TAMBÉM

a lojinha pequena. Voltou o ar puro. Voltaram os pardais. Voltaram as estrelas. Voltaram os sons da natureza. Voltámos a falar uns com os outros. Voltou a preocupação em ligar só para saber se estás bem. Voltamos ao essencial do que temos por casa. Voltou a ternura e o amor pelos nossos. Voltou tanto.

Permanece a tecnologia. Mas tudo o que volta é mais eficaz. É mais humano. Mas se não fosse pela necessidade nesta crise, tudo o que volta, devia ficar. É o tudo que já fomos que regressa e o que hoje, mais ou menos obrigados, somos.

Lembram-se de mais alguma coisa que tenha voltado? Partilhem comigo."

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