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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

16
Out18

Ver o Copo Meio-Cheio


Há muitos anos que não faltava ao trabalho por doença.

 

Ontem foi o dia, tudo graças a uma maravilhosa gastroenterite de origem desconhecida, que tanto posso ter contraído ao consumir um alimento deteriorado ou por ter sido alvo do gafanhoto de pessoa terceira.

 

Tudo começou no sábado ao fim do dia, quando me comecei a sentir mais fraco e cansado do que é costume.

 

Não liguei porque normalmente o meu corpo nos dias em que não trabalho vai a baixo, como um computador quando o colocamos em modo de hibernação.

 

Quando acordei no domingo sentia-me pior e até coloquei uma foto no meu Instagram a queixar-me de quão bom era estar doente num domingo (e sim, lá por estar adoentado não implica que tenha de estar com um ar totalmente destruído na foto - e já agora o meu obrigado a todos os que me desejaram as melhoras).

 

Porém, apesar de me sentir menos bem, ainda consegui fazer a minha vida normal durante o dia.

 

O pior foi quando chegou a noite.

 

Primeiro não consegui jantar praticamente nada. Só o simples facto de olhar para a comida me enjoava.

 

Depois veio a febre, tendo atingido uns fabulosos 39 graus.

 

Por fim, a maravilhosa da diarreia.

 

Foi uma noite para lá de infernal.

 

Além de ter acordado umas cinco vezes no espaço de seis horas para ir sentar o meu rabiosque na sanita, levando-me a duvidar se não teria sido raptado a meio da noite por um médico sociopata que me tivesse ligado a bexiga ao ânus tal era a consistência fluida da minha matéria fecal, numa das vezes tive que despertar o Cara-Metade e pedir-lhe para me ajudar a trocar os lençóis porque eles estavam encharcados, de tanta transpiração que saiu do meu corpo devido à febre.

 

De manhã, apesar da febre já estar mais controlada, muito graças aos medicamentos que enfiei para dentro do estômago, continuava a sentir-me extremamente nauseado além de que as cólicas abdominais e a diarreia tinham vindo para ficar. 

 

Porque é que não tomei eu logo seis comprimidos de um anti-diarreico qualquer perguntam vocês?

 

É que nunca se deve parar a diarreia quando há febre, porque se não ainda estão a fazer permanecer durante mais tempo no vosso corpo o agente nefasto, quando vocês querem é ver-se livres dele.

 

Ainda ponderei ir trabalhar, mas pensar que me podia borrar todo nas cuecas no comboio ou vomitar para cima de alguém que inocentemente estivesse ao meu lado a comer uma sandes de fiambre e um iogurte meio-gordo com aroma a morango fizeram-me pensar duas vezes.

 

Além disso, se a minha gastroenterite tivesse origem viral talvez não fosse a melhor ideia ir contaminar os meus colegas de trabalho, porque depois estariam todos eles em casa adoentados e eu sozinho na farmácia a ter um burn out por atender 80 pessoas por hora, metade delas sendo o tipo de utente que acha que faz medicamentos de marca mas depois fica indignado quando lhes peço uma suposta fortuna (muitas vezes acima de um euro já é uma fortuna, que uma pessoa tem de comprar raspadinhas - mas pronto cada um tem as suas prioridades!).

 

Como podem ver não foi uma situação muito agradável esta pela qual eu passei (e que ainda continuo a passar, visto estar a escrever este post sentado na sanita) mas, pessoa positiva como eu tento ser, quis ver o copo meio-cheio e retirar todas as coisas boas desta situação.

 

Antes de mais, ficar em casa e não ter ido trabalhar não é uma das coisas boas de se estar doente.

 

Quando realmente se está doente uma pessoa sente-se tão mal mas tão mal que preferia trabalhar duas semanas seguidas sem folgas do que se arrastar pela casa ao mesmo tempo que têm uma epifania de que afinal já não é tão nova como pensa.

 

Primeiro que tudo, poupei um dinheirão em desintoxicação.

 

Há pessoas que gastam rios de dinheiro em saunas e banhos turcos e câmaras de infravermelho, tudo para retirarem as toxinas do corpo.

 

Eu suei tanto, mas tanto, mas tanto naquela noite de domingo para segunda que não ficou toxina alguma para contar a história.

 

Os meus poros estão desobstruídos, a minha pele está brilhante, e tudo isto sem ter pago um tostão.

 

Em segundo, já há algum tempo que queria perder um bocado de barriga.

 

Eu bem que me esforço na natação, que não como tanto como eu gostaria, que evito certos alimentos e de vez em quando até acendo uma vela ao luar e faço uma dança cerimonial para ver se o raio das banhas desaparecem, mas os resultados teimam em não aparecer.

 

Com esta combinação incrível de incapacidade para comer o que quer que seja sem ter-se um reflexo de vómito e diarreia líquida constante, abati no mínimo uns 5 quilos.

 

Estou com uma barriga lisinha como não tinha há muito tempo.

 

Quando deixar de ter este aspecto anémico partilho convosco uma foto no Instagram ok?

 

Por fim, descobri com alguma alegria que não sou 100 % homossexual.

 

Segundo a Escala de Kinsey a maior parte das pessoas não é estritamente homo ou heterossexual, podendo estar mais ou menos próxima de cada um dos polos, sendo que a sexualidade de acordo com a fase da vida pessoa também pode variar.

 

No meu caso sempre achei que estava ali de pedra e cal no 100% homossexual, visto que quando me falam de vaginas regurgito imediatamente a minha última refeição.

 

Ora o interessante é que na noite fatídica da minha doença sonhei que tinha relações sexuais com uma mulher, e o mais extraordinário é que quando despertei não me apeteceu tomar banho em lixívia, parte de mim até estava entusiasmada/interessada com o sonho.

 

É óbvio que tal manifestação do meu sub-consciente deveu-se à febre e à desidratação resultante da transpiração excessiva, mas não consigo evitar ficar satisfeito e aliviado com tamanha revelação.

 

Mas aliviado porquê perguntam vocês? Não estou eu confortável com a minha orientação sexual?

 

A questão é que agora, se um dia o planeta Terra sofrer um cataclismo e os únicos sobreviventes forem eu e um grupo de mulheres, há esperanças no repovoamento do planeta.

 

Bem, pensando melhor, acho que é mais realista aceitar que nessa altura serão as baratas a dominar o planeta....

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