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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Varanda Azul - DEaR

19.04.19, Triptofano!

Varanda Azul - DEar em 10 segundos: Maravilhe-se com uma fantástica vista enquanto perde a cabeça com o tataki de atum, dê uma oportunidade ao risotto e ao entrecôte mas evite o crème brûlée. E não tire dúvidas com os empregados, provavelmente só vai ficar chateado!

 

Varanda Azul - DEaR

 

Antes de dizer o que quer que seja, tenho de enviar um grande aplauso virtual ao dono do Matateu, que teve a coragem de ambicionar dar uma nova vida ao Varanda Azul, restaurante icónico de Lisboa situado no Estádio do Restelo, que nos últimos anos se lançou numa queda vertiginosa atingindo níveis abaixo de zero de qualidade.

 

O objectivo do renovado Varanda Azul - DEaR (Drink, Eat and Repeat) é ser no espaço de um ano uma das maiores referências no mundo gastronómico lisboeta, especialmente no que toca ao segmento das carnes.

 

Posso já adiantar-vos que não é uma tarefa impossível esta a que o Varanda se propôs, mas há muito trabalho pela frente e muitas arestas por limar.

 

Quando eu e o Cara-Metade chegámos ao Estádio do Restelo, fomos brindados por uma intervenção policial de cassetete na mão e gritando palavrões contra um grupo de não muito simpáticos adeptos futebolísticos, o que nos fez seriamente pensar em dar meia volta e regressar a casa.

 

No entanto, a vontade de jantar foi mais forte do que qualquer receio de sermos levados num arrastão policial, por isso depois de nos esquivarmos ilesos entre o conflito chegámos ao Varanda Azul.

 

Varanda Azul - DEaR

 

A vista do restaurante é simplesmente magnífica.

 

De um lado a sempre maravilhosa presença do Cristo Rei e da Ponte 25 de Abril; do outro, com sorte e se uma pessoa não tiver grandes miopias, a possibilidade de ver as pernas torneadas de alguns praticantes de futebol em plena acção.

 

O serviço esse é uma facada no nosso baço.

 

Não sou um ditador do atendimento mas se um empregado não sabe responder a uma pergunta então o mínimo que se espera é que questione a cozinha e volte com uma resposta...........em tempo útil.

 

Não como nos aconteceu em que ainda hoje estou à espera de saber de que era feita a manteiga.

 

Também as respostas engraçadas (só que não) devem ser evitadas, como quando questionei que tipo de alga era a que estava a ser apresentada num prato e a resposta foi é alga do mar!

 

Nesse momento uma pessoa respira fundo, conta até 683 e faz o sorriso mais amarelo de que é capaz.

 

Porque é que estou a insistir nesta questão do atendimento?

 

Direi as vezes que forem necessárias até que alguém me decida ouvir que uma refeição não deve ser só despejar comida para a frente de uma pessoa.

 

Um restaurante que ambicione ser um dos melhores entre os seus pares tem que contar uma história, tem que envolver o cliente, e deve saber explicar os aspectos mais maravilhosos de cada prato de forma a dar-lhes uma outra dimensão no subconsciente de quem os aprecia.

 

Varanda Azul - DEaR

 

Mas falemos de comida.

 

Os couverts estavam para além de excelentes.

 

Tanto o pão com nozes, como o azeite com balsâmico e grãos de pimenta, passando pelas manteigas e terminando na tapenade, tudo estava irrepreensível e foi devorado num ápice.

 

Varanda Azul - DEaR

 

Para entrada veio a grande estrela incontestável da noite, o tataki de atum!

 

Um atum extremamente saboroso, numa conjugação vencedora de sabores onde se destacavam a voluptuosidade do abacate e a sensualidade perigosa da pimenta, a única coisa que alterava nesta criação soberba era a esferificação de vinagre.

 

Apesar de mostrar uma grande técnica, a adição das esferas de vinagre colocavam em grande perigo a harmonia palatina do prato, já que o mesmo tinha também sumo de lima criando, como tal, um significativo excesso de acidez.

 

Varanda Azul - DEaR

 

Para prato principal veio para mim um risotto de cogumelos com camarão, que apesar de ser impressionante ao olhar precisava de um pouco mais de cuidado para impressionar totalmente a barriga.

 

O camarão poderia estar mais bem temperado, faltando-lhe alguma alma para acordar as minhas papilas gustativas, e o arroz não estava uniformemente ligado.

 

De um lado do prato, e executado de forma correcta, estava fantasticamente cremoso, mas do outro lado era uma espécie de arroz malandrinho. (honestamente não consegui perceber como é que metade do arroz estava bem feito e o outro não!)

 

Varanda Azul - DEaR

 

O Cara-Metade pediu aquilo que o Varanda quer mostrar como sendo o seu melhor, um belo prato de carne.

 

O entrecôte australiano acompanhado com batatas fritas caseiras estava tenro e muito apetitoso, mas ligeiramente frio, o que revelou que ficou à espera do risotto para ser servido.

 

No que toca a carnes o segredo é atingir o ponto que o cliente pediu e ser servida sem grandes demoras, porque de outra forma algo que podia ser maravilhoso passa a ser simplesmente bom.

 

Varanda Azul - DEaR

 

As sobremesas balançaram entre o fantástico e a cara de dúvida interrogativa.

 

A banana com caramelo salgado era simples mas muito eficiente, cheia de sabor, apetitosa, criando uma verdadeira necessidade biológica de não a deixar de comer.

 

Varanda Azul - DEaR

 

O crème brûlée foi ligeiramente assustador.

 

Não tanto pelo excesso de sabor a limão mas pela espuma de licor de amêndoa que apresentava no topo.

 

A questão aqui é que se trata de uma boa ideia com uma péssima execução.

 

Quando chegou à mesa a espuma já estava meio derretida, dando uma aparência de que havia algo de estragado na sobremesa que não era suposto estar lá.

 

Ao estar meio derretida acabou por empapar a maravilhosa crosta queimada do creme, retirando aquele glorioso momento em que nos arrepiamos com o tão inconfundível som de açúcar a ser quebrado com uma colher.

 

Varanda Azul - DEaR

 

Não tenho dúvidas que o Varanda Azul - DEaR vai dar cartas num futuro não muito distante.

 

Basta dar uma vista de olhos pelo seu menu para perceber que há muita coisa fantástica e com imensa técnica.

 

Mas é imperativo crescer rapidamente, saber comunicar mais eficientemente e limar arestas que não se esperam encontrar num restaurante que quer ser de topo!

 

Varanda Azul - DEaR

 

 

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