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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

09
Jan19

Utopias do Amor Perfeito


Hoje em dia os casais, especialmente aqueles que ainda tem poucos quilómetros de estrada, estão sujeitos a grandes pressões para viver o amor perfeito, muito por culpa dos filmes e dos livros e das séries que retratam sempre casais fantásticos, que se complementam perfeitamente um ao outro e cujo ritmo circadiano está alinhado ao segundo.

 

Para mim é irritante ver essas representações utópicas do amor perfeito porque a realidade é completamente diferente.

 

Vejamos um exemplo concreto.

 

Quantas vezes é que num filme não aparece um casal a acordar quase ao mesmo tempo sempre com um ar fantástico, maravilhoso, fresco e revigorado como se estivesse permanentemente de férias?

 

E uma pessoa fica a pensar que o problema é dela, porque acorda geralmente com um ar todo esfrangalhado, sempre saber bem onde é que está, e deita uma lágrima de tristeza quando percebe que já não pode ficar na cama a dormitar e tem de ir para o emprego. 

 

Depois nos filmes esse casal maravilhoso levanta-se espreguiçando-se de forma lânguida e vão directamente tomar duche em conjunto,  sendo que a certa altura as coisas evoluem para uma sessão de sexo tórrida que dura ali entre trinta a quarenta e cinco minutos.

 

Minha gente, é tudo uma aldrabice de mentes retorcidas.

 

Primeiro que tudo não há coisa mais desconfortável do que tomar duche juntos. 

 

É verdade que no início da relação eu e o Cara-Metade de vez em quando até o fazíamos, e não posso deixar de admitir que até dá jeito ter alguém para nos lavar as costas, mas há muitos mais contras em ir para o duche com outra pessoa do que prós.

 

Primeiro o espaço.

 

A cabine do meu duche é pequena, e nós somos dois moços assim para o robustos, o que significa que há sempre alguém escarrapachado contra a parede ou que passa o tempo todo enfiado com a anca na torneira.

 

Quando encontramos uma posição minimamente confortável para ambos todos os outros gestos são condicionados.

 

Uma pessoa não pode levantar o braço para esfregar as axilas sem dar uma cacetada na cara do outro nem rodar o corpo sem embater na parede da cabine, correndo o risco de aquilo se partir tudo.

 

Depois a temperatura da água.

 

Mas haverá algum casal que concorde com o raio da temperatura da água?

 

Eu gosto dela a escaldar, quase a queimar, o Cara-Metade, bem, o Cara-Metade é uma coisa do outro mundo.

 

Há ali um ponto específico entre o gelado e o ainda-não-está-sequer-quente-mas-para-ele-está-a-ferver de que ele gosta, e para conseguir encontrar esse ponto tenho de andar com a torneira do duche para a esquerda e para a direita com avanços milimétricos.

 

O resultado é que se eu tomo banho com a água à minha temperatura ele começa a gritar a dizer que eu acho que ele é uma lagosta e o quero cozinhar, se for da forma dele eu entro em hipotermia.

 

Mesmo que cheguem a um acordo satisfatório quanto à temperatura da água depois há sempre o problema de quem é que recebe o jacto.

 

A não ser que sejam pessoas prevenidas e tenham dois chuveiros o mais certo é um de vocês estar com os olhos a arder do shampoo e o outro estar há 15 minutos a usufruir do jacto de água.

 

Já vi relacionamentos ficarem tremidos por causa de desentendimentos sobre quem é que leva com a água primeiro e durante quanto tempo, e não, abraçarem-se de forma a serem os dois contemplados pode ser uma ideia muito romântica mas não funciona de todo.

 

Como estou com a mão na massa vou também desmistificar aquela ideia que sempre que uma pessoa vai para o duche com o respectivo tem que haver coiso e tal.

 

Eu não sei como é que é a vossa vida sexual, mas cá por casa isto anda assim numa média de 1.5 por semana, sendo o 0.5 relativo àquelas vezes em que nós até queremos, a pessoa até está no meio acto mas quando se olha para as horas descobre-se que já se está atrasado para apanhar o comboio por isso tem que ficar para uma próxima.

 

Aqueles casais que aparecem nos livros tipo 50 Sombras de Grey que fazem a toda a hora, em todos os lugares, são uma falácia. 

 

No início da relação claro que a pessoa tem mais fulgor, quer impressionar a outra, por isso vai buscar energias não se sabe bem onde e dá uma de estrela porno durante umas semanas.

 

Mas com o passar do tempo, quando já se está naquele nível de à-vontade para libertar um peidozinho malandro, há um acordo mútuo não verbal em que em vez de se ir fazer vinte e três posições do kama sutra que só dão mais cabo da hérnia de uma pessoa, bom bom é ficar debaixo de uma manta quentinha no sofá a comer bolachas de chocolates e a fazer pouco dos desgraçados que se candidataram ao Carro do Amor.

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