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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Triptofano, o Socorrista

23.01.20, Triptofano!

Nos últimos meses de 2017, aqui o vosso amigo Triptofano tornou-se socorrista, o que dá sempre jeito caso haja alguma alminha que se lembre de desmaiar na farmácia.

Felizmente até ao dia de ontem não tive de usar os meus conhecimentos, porque sempre que dou de caras com alguém que parece que pode vir a desmaiar digo-lhe logo que para quinar é fora da farmácia, que eu tenho duas hérnias e depois não consigo arrastar o corpo lá para fora. As pessoas riem-se sempre quando eu digo esta piada, mas mal elas sabem que não é uma piada...

Mas antes de vos contar como é que tive de usar as minhas capacidades de socorrista, lembrei-me que acho que nunca vos contei como é que fui agredido no curso de socorrismo que frequentei.

Basicamente, no último dia de formação temos de fazer alguns teatros, onde umas pessoas fazem de socorristas e outros de vítimas histéricas. E claro que aqui a minha pessoa foi a vítima mais histérica de sempre.

Lembro-me que estava a fazer par com outra moça que estava a fingir que se tinha cortado, e eu comecei a hiperventilar e a anunciar aos sete ventos que me estava a dar o chilique.

Ora chegam os dois colegas socorristas, um vai ajudar a tratar o corte da moça e a outra, uma senhora cinquentona, muito delicada, que trabalhava num leilão de obras de arte, vem tentar acalmar-me.

Diz-me umas palavras, põe-me as mãos nos ombros, e quando vê que aqui a minha pessoa não se acalma (quando é para representar eu dou tudo por tudo como se estivesse numa novela da TVI) puxa a mão atrás e dá-me um estalo gigantesco. É que não foi uma daquelas tapas na bunda que faz mais barulho do que dor, foi um estalo que quase me deslocou o maxilar.

É verdade que eu parei logo ali de fazer o que quer que fosse, mas a formadora teve de chamar a atenção que bofetear uma pessoa a necessitar de socorro é um bocadinho pouco ético. Eu nem quero imaginar a senhora no seu dia-a-dia no trabalho - se calhar ela consegue vender tudo a preços fantásticos porque as pessoas sabem que se não comprarem são esbofeteadas até à morte.

Agora deixem-me contar-vos o que é que aconteceu ontem.

Estava eu muito bem sentadinho na farmácia a comer um triângulo de Toblerone quando chega uma colega vinda de um atendimento a pedir-me para eu o ir terminar.

O primeiro pensamento que tive foi que a desgraçada tinha acabado de entrar e já estava cansada. Só que quando olhei para ela a rapariga estava mais pálida que uma lula ultra-congelada, por isso chamei outra colega para ir terminar o atendimento, porque além de eu estar cheio de chocolate no bigode tinha que evitar que a mulher morresse ali ao pé de mim.

Tentei-me lembrar de tudo o que tinha aprendido no curso de socorrismo e confesso que deu-me uma branca, porque a única coisa que me veio à cabeça foi uma amiga minha de Matosinhos a dizer que nunca devíamos deixar a pessoa perder a consciência.

Por isso peguei nos ombros da minha colega, dei-lhe duas palmadas no rosto com carinho (que eu não sou pessoa agressiva), olhei-a nos olhos muito fixamente e disse-lhe:

Pensa em pila!

Eu não sei se ela pensou na minha pila, se ela pensou na pila do marido, se ela pensou que iam aparecer pilas voadoras a dar-lhe batucadas na nuca, se ela imaginou-se a ter uma pila ou lá o que é que ela magicou naquela cabeça, só sei que se riu e eu consegui evitar que ela desmaiasse.

Está bem que depois tive de a levar para um sofá, elevar-lhe as pernas, dar-lhe uma papa de água com açúcar e medir-lhe a tensão arterial - mas, o que salvou a situação foi pensar em pila, disso tenho toda a certeza.

Assim sendo meus caros amigos e leitores, quando precisarem de socorrer alguém que esteja quase a apagar-se, falem em pila. É garantido.

Agora se quiserem inovar e pedirem para as pessoas pensarem em clitóris já não garanto tanto sucesso. Por exemplo, se fosse comigo, acho que ainda me gregava era todo....

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