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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Tratamento Real | O filme pipoca da Netflix

24.01.22, Triptofano!

Não há nada como um bom filme pipoca. Um filme pipoca é aquela película em que uma pessoa desliga o cérebro e fica a seguir a história em modo automático, só se apercebendo do tempo que passou quando descobre que mamou meio quilo de pipocas em menos de hora e meia está com os dentes e a camisola cheia de bocados irritantes do cereal. Tratamento Real é a verdadeira definição do filme pipoca e, confesso, que no momento em que li a descrição do filme achei que ia ser um daqueles muito mauzinhos.

Izzy, uma cabeleireira de Nova Iorque, aceita trabalhar no casamento de um príncipe encantador, mas quando a chama acende, o que irá prevalecer... o amor ou o dever?

Tratamento Real | O filme pipoca da Netflix

Surpreendentemente Tratamento Real até é um filme bastante aceitável, especialmente devido à borbulhante actriz principal, uma versão italo-americana da Madre Teresa de Calcutá. Uma jovem linda e simpática, que mesmo perante o desastre possui sempre um olhar cheio de optimismo, que anda pela rua a distribuir pedaços redondos de diabetes, também conhecidos como donuts, e que alimenta as crianças aparentemente famintas do seu bairro. Se por um lado esta potencial vencedora do Nobel da Paz, diga-se de passagem muito menos irritante que a Greta, faz-nos ter esperança na humanidade, por outro leva-nos a sentir uma pontada nas cruzes por não sermos tão empáticos e altruístas.

Izzy, o nome desta nova reencarnação do Buda, também é bonita e jeitosa. Obviamente que se fosse uma matrafona o filme perdia metade do seu encanto. E claro que também possui um talento para as manualidades, podia ser para fazer rissóis ou croquetes, mas neste caso é para cortar cabelo. Izzy obviamente que possui uma mão cheia de amigos e uma família sorridente, porque toda a gente a adora, e apesar de praticamente falida consegue encontrar sempre uns trocos perdidos na bolsa para pagar gelados ou comprar souvenirs.

Quis o destino que Izzy encontra-se um príncipe sem ter que andar toda assanhada nas festas do social. Basicamente foi só ter que atender o telefone. E lá estava ele, um membro da nobreza sem filhos escondidos nem nenhum vício em cheirar cola UHU. E não seria de esperar outra coisa do que ser um príncipe jeitoso, sem monocelha nem hálito de dragão. O único problema é que está mesmo para se casar, mas pobrezinho casa-se sem amor, casa-se por conveniência como se ainda estivéssemos no século XIV e mandássemos via barco um quadro da nossa filha de 9 anos para se casar com um balofo de 33 de forma a que ambos os reinos se juntem numa super potência mundial. E claro que quando vê Izzy todo o seu mundo muda, toda a verdadeira razão da vida se desvenda em frente do seu olhar até então tão nublado pelas coisas que os príncipes necessitam de fazer, sejam elas quais forem.

Está visto que a nossa protagonista não vai deixar que a fama e a riqueza lhe subam à cabeça, e vai manter a humildade do seu carácter, convivendo com a plebe, dançando e cantando, tratando-os como seres humanos em vez de os prender a um poste e castigá-los com chicotadas a seu belo prazer. Ela não é nenhuma Georgina a esbanjar o seu status social e se alguma vez a encontrarem num documentário do Netflix é descalça a viver num retiro nas Filipinas.

E depois há o beijo. Tem que haver sempre um beijo, apaixonado, intenso, ardente de paixão. Um beijo que sele todo aquele reboliço de emoções que havia dentro das personagens principais e necessitou de hora e meia para ser vomitado cá para fora. Agora pergunto eu, com um crescendo amoroso tão incontrolável, como se sentiria Izzy se ao beijar o seu príncipe ele fosse simplesmente mau de boca? Se lhe abrisse as beiças e lhe abocanhasse de uma vez só nariz, queixo e tudo o que estivesse no meio? Ou se pelo contrário de forma muito pudica mantivesse os lábios quase cerrados, e em vez de deixar uma pessoa espetar a língua dentro da sua cavidade oral apenas projectasse os dentes para a frente num embate de esmalte com esmalte?

Será que o romance sobrevive a um príncipe que não saiba beijar? No caso de Izzy acredito que sim. Se fosse comigo era aguentar o tempo suficiente para me poder divorciar e ficar com metade dos bens!