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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

TodoMundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

18.05.19, Triptofano!

TodoMundo em 10 segundos: Delire com o pão de queijo e o caldinho de feijoada, viaje pelo mundo com um dos combos, acabe em grande com o creme de tapioca com doce de leite mas bata o pé caso não lhe expliquem o que são aqueles pratos de que nunca ouviu falar!

 Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Comida, diversão e arte.

É por estas três palavras que o TodoMundo, um restaurante localizado na zona do Marquês de Pombal, quer ser conhecido.

Apesar de por agora a oferta do TodoMundo incidir maioritariamente na comida, em breve vai haver novidades que tornarão este espaço um dos pontos de encontro mais desejados da cidade.

Só vos posso dizer que por detrás de umas pesadas cortinas e após alguns lanços de escadas repousa algo fantástico que irá ser tema de conversa em todas as redes sociais, mas vão ter que esperar mais algumas semanas até descobrirem do que se trata!

O TodoMundo tem potencial para ser um verdadeiro oásis no meio de Lisboa, com a sua decoração simples que nos transmite serenidade, com a maravilhosa música popular brasileira como som de fundo que nos faz viajar, e com o sorriso de todos os que trabalham por lá. 

Agora vou ser honesto convosco, se estão à espera de tirar fotos fantasticamente maravilhosas para o vosso feed do Instagram contem já com uma iluminação que vos vai dificultar a vida.

Não é que precisem de ligar a lanterna do telemóvel para verem o que é que estão a comer, mas no TodoMundo há uma certa penumbra intimista que não agrada a todos.

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Mas vamos falar sobre a comida, que é o que realmente interessa.

E a comida no TodoMundo é muito boa!

Vê-se pelos sabores, pelas texturas e pelos pequenos detalhes que há alma, coração e talento na cozinha deste restaurante internacional.

Só não é perfeita porque ainda existem algumas pequenas coisas a melhorar, mas nada que torne esta viagem gastronómica menos apetecível.

Antes das entradas eu e o Cara-Metade atacámos os aperitivos que nos trouxeram para a mesa.

O caldinho de feijoada, com a sua combinação de feijão preto e carnes, estava simplesmente delicioso, dando vontade de lamber cada bocadinho desta dádiva dos céus.

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

O pão de queijo, nem sei como descrever o pão de queijo minha gente!

Imaginem um orgasmo na boca. É algo do género. Quentinho, macio, pecaminosamente excitante, o pão de queijo do TodoMundo devia ter uma bolinha vermelha de tão pornográfico que é!

As azeitonas italianas Bella di Cerignola, grandes e coloridas, eram muito agradáveis e viciantes, apesar de pessoalmente achar que ficariam melhores se não estivessem marinadas no sumo de laranja.

Agora o paté de atum, o que é que eu posso dizer do paté de atum?!

Não é que o paté fosse mau porque não era, mas não estava em sintonia com o resto das coisas, é como se não pertencesse ali.

Com tantas outras maravilhas que poderiam ser apresentadas acho que o paté não é a melhor escolha possível.

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

E agora minha gente, não peguem já nas vossas pedras, não comecem a mandar-me já hate mail, mas eu vou ter que confessar uma coisa relativamente ao atendimento.

O funcionário que nos atendeu é basicamente o paté de atum dos aperitivos.

Ele era simpático, maravilhoso, tudo e tudo e tudo, só que para mim não se enquadra no ambiente.

Imaginem o típico funcionário que esperam encontrar na tasca portuguesa, que quer por-vos à vontade mas que acaba por ser constrangedor quando lança uma piada ligeiramente de teor mais sexual.

Pronto, acho que perceberam a mensagem.

O Cara-Metade adorou o funcionário, vibrou com ele, riu-se imenso; eu apesar de o ter achado delicioso não consegui evitar compará-lo com o paté de atum!

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Findados os aperitivos vieram para a mesa umas empanadas argentinas de carne como entrada, muito bem recheadas e cheias de sabor.

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Estavam tão boas que foram devoradas num ápice, e que me deixaram com imensas expectativas relativamente ao ponto forte do TodoMundo, os combos internacionais.

Basicamente o combo é semelhante àquilo que fazemos quando vamos a um buffet, que é enfiar tudo o que conseguirmos no prato porque queremos experimentar um bocado de cada coisa, mas aqui cada item gastronómico vem no seu cantinho com uma apresentação imaculada, e não numa torre gigantesca equilibrada com um misto de mestria e poderes divinos.

Acreditem em mim quando digo que os combos enchem. À primeira vista pode parecer pouca comida mas rapidamente vão perceber que é mais do que suficiente para ficarem satisfeitos.

Existe um combo africano, outro árabe, um com sabores italianos e até um vegano, mas eu acabei por escolher o Axé Bahia e o América do Sul, que estavam simplesmente deliciosos.

O Axé Bahia era composto por acarajé (um bolinho feito de massa de feijão frade), vatapá (um prato muito divulgado pela zona da Bahia feito com camarão e azeite de dendém), caruru (um cozido de quiabos), carne de sol, queijo coalho com geleia de pimenta (a verdadeira, e não molho sweet chilli como servem em alguns locais...) e mandioca frita.

A carne de sol é maravilhosa, a mandioca frita é irresistível, mas o queijo coalho com geleia de pimenta é o apogeu deste combo de tão bom que é.

Eu comia este queijo coalho durante todo o dia e não ia ficar farto dele, acreditem!

Quando ao acarajé, ao vatapá e ao caruru são elementos muito agradáveis e ligeiramente desafiantes ao nosso palato, mas que merecem ser descobertos.

Achei somente que são um bocadinho pesados, especialmente tendo em conta que o bolinho de feijão frade deve ser aberto e comido juntamente com o vatapá e o caruru, tornando a combinação numa verdadeira bomba!
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O América do Sul presenteia-nos com um ceviche de banana da terra, costelinha de porco, tiraditos de peixe fresco (uma espécie de ceviche mas mais suave de forma a manter a atenção na doçura do peixe), arepa de queijo (um tipo de bolo de milho em forma de panqueca recheado com queijo), empanadas de carne (iguais às da entrada e igualmente saborosas) e guacamole com pico-de-gallo.

Todos os elementos da América do Sul estavam extremamente bem confeccionados, sendo que os meus predilectos foram o ceviche de banana da terra que comi até ao último bocadinho e a arepa de queijo que deixou-me a babar compulsivamente só de olhar para ela.

Agora apenas um reparo, apesar do guacamole estar fantástico ele é na realidade originário do México, e pronto, o México não fica na América do Sul! (eu sei que estou a ser picuinhas mas o que é que querem....)

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Mas o que me deixou triste, o que realmente fez-me perceber que o TodoMundo ainda precisa de mais algum tempo para crescer e se afirmar no panorama gastronómico lisboeta, foi a ausência de explicação do que são os elementos de cada combo.

Claro que uma pessoa pode ir à Internet pesquisar, mas quando olhamos para o menu e vemos acarajé, arepa ou vatapá sem uma pequena descrição do que são esse pratos o mais normal é ficarmos com um ponto de interrogação gigantesco na cara.

E se estamos numa onda de coragem e pedimos um dos combos mais exóticos ainda mais desapontante é quando nos colocam a comida na mesa e não dizem qual é o nome de cada coisa e como ela é feita.

E acabamos por estar a comer um bolinho que pode ser óptimo mas para nós será apenas um bolinho. Ou algo cremoso que até pode ser o nosso prato favorito de todo o sempre mas como não percebemos do que é feito vamos acabar por desvalorizar.

A comida do TodoMundo merece mais do que ser posta na mesa, merece ser apresentada, falada, explicada!

Esta comida é uma verdadeira viagem sensorial, mas da forma como está a ser tratada é como se fôssemos para o Japão de férias e ninguém falasse uma palavrinha de inglês (já nem sequer digo português).

Basicamente iam ser umas férias muito giras, fotos muito bonitas, tudo muito engraçado, mas não íamos ter compreendido nem um décimo da essência do país.

Por isso quando pedirem um combo exijam que alguém vos explique o que vão comer.

Se a primeira pessoa não souber chamem outra, não tenham vergonha, batam o pé, porque esta comida merece ser valorizada tal como vocês merecem saber o que estão a colocar na boca!

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Agora uma fantástica refeição não poderia terminar sem uma sobremesa, e neste caso em tamanho miniatura porque estava verdadeiramente cheio e talvez não conseguisse comer a de tamanho original (minto, eu conseguia obviamente comer a grande, mas o Cara-Metade queixou-se muito e pronto mandei vir as pequenas).

Se ainda não estavam convencidos em visitar o TodoMundo então deixem-me que vos diga que o creme de tapioca com doce de leite é algo do outro mundo.

É surreal. É de deixar uma pessoa fora de si. É de lamber os dedos, a colher, os cantos da boca, a cara da pessoa que está na outra mesa se por acaso ela tiver deixado escapar um restinho desta imperdível sobremesa.

É simplesmente de ter pequenas convulsões de prazer no baixo ventre de tão boa que é!

Todo Mundo: Um restaurante de e para todo o mundo!

Se estão à procura duma viagem gastronómica que desafie o vosso palato mas que ao mesmo tempo vos deixe extremamente reconfortados, o TodoMundo é um local que precisam de conhecer.

Mas já sabem, não tenham vergonha em bater o pé para saberem o que cada coisa é! 

 

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