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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

13
Nov18

Tocar na Água


Lembram-se desta foto?

 

Bungee Jumping sobre o Rio Nilo no Uganda

 

Hoje resolvi que era a altura ideal para contar a história que está por detrás dela.

 

Quando estive no Uganda a fazer voluntariado, a última semana foi para fazer uma viagem pelo país à descoberta. 

 

Um dos nossos destinos foi uma povoação onde era possível fazer vários desportos radicais, como rafting e bungee jumping.

 

Eu e as minhas colegas voluntárias decidimos que tínhamos de experimentar o bunjee sobre o rio Nilo, por isso juntámos-nos a um grupo de turistas e toca de nos lançarmos sobre o vazio com um elástico agarrado aos pés.

 

O meu maior conselho para quem decida fazer esta actividade radical é não ser um dos últimos a saltar.

 

Como fiquei no fim da fila vi mais de uma dezena de pessoas a atirarem-se, algumas bem, outras mais ou menos, e um par delas que me fizeram ficar com os todos os pêlos em pé, porque em vez de se mandarem de cabeça foram de pés, e obviamente que quando chegaram a meio caminho o elástico deu uma chicotada e aquelas pobres almas não ficaram de todo bem tratadas.

 

Enquanto esperava impacientemente e com a adrenalina já a sair-me pela boca só conseguia pensar na imagem ilustrativa que tinha visto no edifício onde tínhamos feito o pagamento, uma pessoa muito feliz (claro que não iam colocar alguém quase a desmaiar) com uma espécie de toalha à volta dos tornozelos.

 

Pensei e voltei a pensar no que é que aquilo podia ser, porque não podia ser simplesmente uma toalha.

 

Mas era!

 

Quando finalmente chegou a minha vez a primeira coisa que fizeram foi pegar na dita toalha e colocarem-me à volta dos tornozelos, de forma a evitar ficar ferido pela fricção.

 

Depois colocaram-me as correntes que estão ligadas ao elástico e fiquei estupefacto com o peso daquilo. 

 

Simplesmente não conseguia andar tal era o peso. Foi num misto de saltinhos e arrastanço que subi as escadas para a plataforma onde se ia dar o salto.

 

Nessa altura, o jovem que estava a supervisionar toda a operação perguntou-me se eu queria tocar com a mão na água ou não.

 

E eu pensei, se é para fazer então que seja com emoção!

 

Disse que sim, que queria tocar com a mãozinha na água.

 

Ele lá me calibrou o elástico e disse-me que se eu saltasse como ele estava à espera iria tocar com os dedos na água. Se saltasse um pouco mais iria entrar no máximo com o cotovelo. Se saltasse menos iria ficar distante da massa aquosa.

 

Talvez eu lhe devesse ter dito que tinha feito muitos anos de ginástica de trampolins, mas como eu nem conseguia andar achei que isso não faria diferença, não é que eu fosse ser capaz de fazer um mortal encarpado com meia pirueta ou coisa do género.

 

Cheguei-me à beira da plataforma e o meu cérebro já tinha entrado em modo sobrevivência.

 

O instrutor dizia-me para eu não olhar para baixo para não ficar em pânico e que eu devia saltar na direcção do telhado de uma casa que estava mais à frente.

 

Como ele falava em inglês e eu já nem português percebia sequer com tanto stress fiquei a pensar que tinha de saltar para cima do telhado da casa, o que me aumentou ainda mais o pânico porque de certeza que me ia aleijar se o fizesse.

 

Ele começou a contagem.

 

1..........2............Jump

 

E eu saltei....na medida do possível.

 

Lembro-me daquele nano-segundo onde vi o meu corpo suspenso no ar, em que olhei para os meus pés e vi que eles já não estavam na plataforma e depois vi o rio muito lá em baixo.

 

A única coisa que me veio à cabeça foi que estava completamente lixado.

 

Lembram-se daqueles jogos do Tomb Raider onde a Lara Croft atira-se para a água toda esticadinha?

 

(e nem sempre para a água - confesso que gostava de matar a rapariga contra o cimento quando começava a ficar aborrecido!)

 

Basicamente foi o que eu pensei. Triptofano, faz como a Lara Croft!

 

Estiquei-me todo, fechei os olhos, senti o ar a zunir nos meus ouvidos e 

 

PUM

 

Entrei na água a toda a velocidade até ao joelho. Ao joelho minha gente. E eu tenho um metro e oitenta e sete.

 

Fiquei automaticamente sem ar nos pulmões e durante um segundo pensei que seria o meu fim, mas depois o elástico deu uma chicotada e saí lançado pelos ares, já sem camisola, a gritar descontroladamente, num misto de alegria, pânico e vontade de fazer xixi.

 

O elástico fez-me ir acima e abaixo mais um par de vezes até conseguir ser pescado pelo barco de apoio que já tinha resgatado a minha roupa (por pouco não ia ficando também sem calções!).

 

Diz quem viu o salto que foi um dos melhores de sempre.

 

Aposto que até a Lara Croft ia morrer de inveja.

 

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