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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

The Woman in the House Across the Street From the Girl in the Window

18.02.22, Triptofano!

Tenho um verdadeiro trauma no que diz respeito a coisas partidas. Se vocês estão-se a perguntar o que raio é que isso tem a ver com The Woman in the House Across the Street From the Girl in the Window não se preocupem que já vão perceber quando eu vos explicar as três razões que me levaram a criar alguns anticorpos a esta série da Netflix.

Primeiro o comboio de nome que escolheram para a série. Uma pessoa nem pode falar dela no trabalho porque só para dizer o título demora meia hora e mais outra meia hora para tentar fazer uma tradução manhosa para português. Isto faz-me lembrar um restaurante no Estoril que se chama Água da cascata vai correndo na ribeira e acaba no mar! Se eu trabalhasse num restaurante assim e tivesse que atender todo o santo telefone com um Bom dia está a ligar para o Água da cascata vai correndo na ribeira e acaba no mar, em que posso ser útil? Ah não, aqui é o Água da cascata vai correndo na ribeira e acaba no mar, o Água da ribeira que vem da cascata e o mar acaba com ele fica duas ruas abaixo! acho que tinha um esgotamento nervoso no final da primeira semana.

Em segundo a actriz principal. Não é que eu tenha nada contra a Kristen Bell, só que fiquei verdadeiramente farto da série The Good Place onde ela tinha também o papel de maior destaque. Por isso sempre que a vejo não consigo dissocia-la do seu papel anterior, e todo eu fico com comichões e ataques de dermatites.

Em terceiro e último lugar, que raio de série é que consegue que no primeiro episódio se partam três caçarolas? Três caçarolas feitas em cacos que deixaram todo o meu transtorno obsessivo-compulsivo a uivar à janela. A primeira caçarola que se partiu fez-me hiperventilar. Na segunda já estava a arrancar pedaços da almofada com os dentes. A terceira tive de me controlar para não mandar com o comando contra o televisor, porque a vida está cara e o meu ordenado é uma miséria.

The Woman in the House Across the Street From the Girl in the Window

Enquanto mistura vinho, comprimidos, caçarolas e uma grande imaginação, Anna fica obcecada com o novo vizinho e testemunha um homicídio. Ou será que estava a ver coisas?

Apesar de todos os pontos inicialmente contra, acabei por gostar bastante da série porque me consegui rever em várias características de Anna.

Anna gosta de vinho e eu também gosto de vinho. Pontos extra por não ser daquelas que bebe só meio copo para fingir que é moderada e emborca logo uma garrafa de uma vez só. Honestamente eu não usaria um copo e beberia logo da garrafa mas isso sou eu que acredito que o vinho para arejar tem o espaço do meu estômago. Agora fiquei apaixonado pelo saca-rolhas que ela usa, por isso se alguém me quiser oferecer uma prenda de Natal já sabe.

Anna dá-lhe forte nos comprimidos e eu também. Só que ela é coisas assim que causam alucinações e eu é mais vitamina D e ómega e selénio e mais cinquenta e cinco mil suplementos para compensar os dias que não saio de casa e não apanho nem uma réstia de sol e o meu almoço é uma taça de cereais carregadinhos de açúcares e conservantes e outras coisas a atirar para o processado.

Anna tem uma imaginação muito fogosa e eu há uns tempos atrás sonhei que um ex-namorado meu levava-me para tomar café na Piriquita e depois tínhamos acabado enrolados na sala das traseiras. Posso dizer que o sonho acabou comigo muito preocupado porque tínhamos ido embora sem pagar o consumo da mesa, voltámos no dia seguinte onde eu me propus como homem independente a pagar mas ele chegou-se à frente e liquidou a conta. Nada disto seria interessante não fosse eu no meu sonho ter olhado para a conta e tido uma pequena perda de urina ao ver que era de 2048 euros e agradecido aos céus por o homem ter-se chegado à frente que o meu extracto bancário não dava nem para metade. Piriquita os teus travesseiros são bons mas não são recheados a pó de ouro que eu saiba.

Anna é uma perita no cyberstalking e eu também tenho algumas capacidades de encontrar pessoas online. Não é que seja um especialista especialista, como todos aqueles especialistas que vão à televisão falar de crianças em buracos ou buracos que crianças querem fazer a outras crianças, mas quem é que nunca criou um perfil falso para ser aceite pelo vizinho gostoso da vivenda da frente que insiste em exibir-se de cuecas no quintal só para nos provocar? Já agora ele nunca chegou a aceitar-me....

The Woman in the House Across the Street From the Girl in the Window vale a pena ver desde que ignorem a estupidez de grande parte do último episódio. Porque uma série que era supostamente para ser de suspense e mistério e algum drama transforma-se subitamente numa espécie de comédia trágica de mau gosto que nos faz cerrar os maxilares com a força bruta da vergonha alheia. Mas pronto, suponho que no melhor pano caia a nódoa, neste caso uma grande nódoa de vinho tinto!

 

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