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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

The Prom - O Musical LGBTQI+ da Netflix

16.12.20, Triptofano!

The Prom - O Musical LGBTIQ+ da Netflix

Aviso à navegação: The Prom pode estar catalogado como uma comédia musical, mas tem potencial para arrancar umas valentes lágrimas e fungadelas ou, se forem mais sensíveis como aqui a minha pessoa, um verdadeiro outbreak de choro e ranho.

Se depois das duas horas de película os vossos olhos não ficaram sequer ligeiramente húmidos então é oficial, em vez de um coração possuem um pedaço de granito no peito (o que até poderá dar jeito se quiserem rentabilizar a coisa e venderem ao IKEA para fazer bancadas de cozinha).

The Prom conta a história de uma jovem lésbica no Indiana que apenas quer ir ao Baile de Finalistas sendo como ela é, acompanhada da sua namorada, sem ter que se esconder dentro de um armário para depois soltar a franga em orgias em países francófonos como certos deputados europeus.

Claro que 99% das pessoas do Indiana estão contra tal atrocidade, já que todos sabemos que as escolhas pessoais de certos indivíduos são um atentado contra o bem estar de outros, aumentando a incidência de glaucoma e de hemorróidas húmidas, por isso toca de impedir a pobre da moça de ir ao baile. Um pequeno parêntesis: se eu fosse do Indiana não ia certamente gostar da forma como me retrataram, embora tendo em conta que a maioria votou no Trump talvez seja merecido.

Resumindo a história, há muita cantoria, há momentos para rir, há momentos para chorar, há momentos em que a gente tinha a certeza que aquela personagem era gay mas afinal não é (catano que uma pessoa já nem pode usar os estereótipos para tentar tirar conclusões precipitadas), há a Nicole Kidman, há o James Corden que uma pessoa pensava que era gay e afinal o nosso gaydar tem de ser mandado para calibração, e tem a Merly Streep.

E a Merly Streep faz qualquer filme melhor, apesar de nos fazer sentir na lama porque ela está fresca e fofa aos saltos e pinotes e a sacar os gajos jeitosos, e nós estamos completamente entravados a perceber qual a melhor forma de nos levantar do sofá e o nosso último date romântico de jeito foi quando a Graças Freitas ainda nem se tinha licenciado.

The Prom - O Musical LGBTIQ+ da Netflix

The Prom passa uma mensagem que todas as pessoas deste mundo deviam interiorizar repetindo 5 vezes a cada trinta minutos: o mais importante de sermos como somos é não termos vergonha de o mostrar.

Sejamos homo, hetero, queer, trans, bi, o que quer que seja, o importante é termos a audácia de sermos felizes com a nossa verdade.

E eu percebo muitos pais que andam por aí, com medo de agendas políticas secretas e novas Ordens Mundiais não-heteronormativas, que lá no fundo só querem que os filhos sofram o mínimo possível num mundo muitas vezes injusto e preconceituoso, e que se pudessem transformavam, num gesto de magia digo do Harry Potter, os rebentos naquilo que a sociedade está pronta para aceitar.

A todos esses pais que possam estar a ler queria deixar uma mensagem.

Sim os vossos filhos provavelmente vão sofrer. Vão ser descriminados, gozados, rebaixados, passar momentos difíceis que talvez não passariam se fossem "normais". Mas garanto-vos que o sofrimento de ter pais que não aceitam, não apoiam, não amam um filho na sua verdadeira essência é muito maior, muito mais dilacerante, muito mais incapacitante a longo prazo.

Os pais nunca vão poder proteger os filhos de tudo o que há no mundo, mas podem dar-lhes todo o amor de um abraço independentemente da verdade que eles possuem dentro de si. E é esse abraço que lhes vai dar as forças para derrubarem qualquer obstáculo que se atravesse à frente deles.

Amem os vossos filhos, porque sem amor vivemos ocos por dentro.

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