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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

The Poussey Washington Fund

Ou como a série Orange is the New Black arranjou forma de se imortalizar.

16.08.19, Triptofano!

Atenção: Este post contém Spoilers

The Poussey Washington Fund

Se é verdade que o objectivo principal de uma série de entretenimento é entreter, não é menos verdade que actualmente cada vez mais séries tem mensagens fortes que obrigam o público alvo a sentir-se desconfortável, a reflectir, a encarar realidades que muitas vezes são convenientemente varridas para debaixo do tapete.

E Orange is the New Black entreteve durante sete temporadas, ao mesmo tempo que trouxe para a ribalta a cruel realidade da vida diária numa prisão feminina, um local que muitos consideram em vez de um purgatório um verdadeiro inferno.

Pessoalmente acho que OITNB acabou no momento certo.

Na sexta temporada a série já transpirava sinais de desgaste e a história começava a estar mais mastigada do que uma torrada regurgitada por um pardal.

Mas a sétima temporada fecha com chave de ouro, encerrando a história de certas personagens enquanto mantêm a de outras em aberto, ao mesmo tempo que aborda temáticas como a imigração ilegal, a violação, a mutilação genital feminina, o assédio sexual, as quotas étnicas, a demência, entre outras.

E o brilhante do fim de OITNB é que nem tudo acaba bem.

Por mais que uma pessoa esteja a torcer pelas suas personagens favoritas, se tudo acabasse maravilhosamente perfeito com unicórnios aos saltos e flores psicadélicas seria conspuscar uma série que nunca teve pudor em mostrar o lado sujo e decadente da realidade.

Maritza é deportada para a Colômbia. Doggett morre de overdose. Red e Lorna entram num limbo de demência. Tasha não consegue provar a sua inocência. Cindy vive como sem-abrigo.

Agora o que enerva na série é Piper.

Se nas primeiras três seasons a minha vontade era entrar pelo televisor dentro e dar-lhe dois bacalhaus naquela fuça de parvinha, com o passar do tempo até comecei a suportá-la melhor.

E nesta última temporada, por mais que me custe admitir, estava a gostar dela, especialmente devido a todas as dificuldades que estava a ter depois de sair da prisão.

Mas obviamente que a menina-rica-com-ar-de-quem-nunca-deu-um-peido tinha de estragar tudo e em vez de agarrar um novo amor teve de voltar aos saltinhos para a tipa que lhe estragou a vida inúmeras vezes e fazer-me ficar com azia durante dois seguidos....arre que há gente estúpida neste mundo.

Só que o importante em Orange is the New Black não é o facto de me conseguir fazer ficar mal disposto com relacionamentos ficcionais, é ter conseguido de forma genial imortalizar-se.

Na série, Tasha "Taystee" Jefferson decide que quer criar um fundo para ajudar monetariamente reclusas que tenham acabado de ser libertas, de forma a que a pressão económica não as faça voltar a cometer ilegalidades e regressar ao encarceramento.

Esse fundo, o The Poussey Washington Fund, assim chamado em honra de uma personagem que morreu na série vítima de brutalidade policial, passou da ficção para a realidade e vai ajudar pessoas e organizações que sofrem com o encarceramento em massa e são afectadas pelo sistema de justiça criminal.

E assim, com uma ideia tão simples mas tão necessária, Orange is the New Black imortalizou-se, relembrando-nos que por mais que precisemos de por vezes fugir do mundo real, há pessoas que precisam da nossa ajuda para conseguir aguentar viver nele!