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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Nov18

Testem-se!


Neste último sábado, eu e mais duas colegas, fomos representar a farmácia onde trabalhamos na Feira da Saúde promovida pela Junta de Freguesia.

 

Foi um dia passado a picar dedos qual linha de montagem e a medir tensões arteriais, descobrindo que metade das pessoas estão com as artérias parcialmente entupidas com colesterol, e não é o Colesterol de Amor da Ana Malhoa, mas sim aquele chato que causa uma data de problemas de saúde.

 

Depois de ter aconselhado meio mundo a fazer arroz vermelho fermentado e a beber litros de chá de burututu, tive oportunidade de dar uma volta pela feira a ver que rastreios é que estavam a ser feitos.

 

Foi então que encontrei o espaço da AJPAS, uma associação de intervenção comunitária, desenvolvimento social e de saúde, que estava a fazer rastreios ao VIH, Hepatite B e C e à Sífilis.

 

Como a última vez que tinha feito estes testes já fora há uns bons anos decidi que era uma boa altura para os voltar a fazer.

 

Se calhar algumas pessoas estão a pensar que fui fazer os testes porque estava com peso na consciência, ou porque a minha vida sexual é uma pouca vergonha repleta de swings e dark-rooms e coisas que tais, mas lamento informar que isso é uma mentalidade do século XVIII.

 

A partir do momento em que temos uma relação sexual, seja ela oral, anal ou vaginal, sem utilização de preservativo, podemos incorrer no risco de apanhar alguma doença sexualmente transmissível (ter em conta que não é somente pela via sexual que se pode contrair estas doenças).

 

E por mais confiança que tenhamos no nosso parceiro, e aqui falo de confiança no aspecto em que confiamos que ele não iria colocar a nossa saúde em perigo mesmo tendo um caso extra-relacionamento, há sempre algum risco, por mais pequeno que seja.

 

Por mais confiantes que estejamos que os resultados vão ser negativos é impossível não ficar nervoso com a espera, porque um resultado positivo significa uma mudança na nossa vida.

 

Não é o fim do mundo, já que o VIH e a Hepatite B tem tratamento, e a Hepatite C e a Sífilis tem cura, mas é algo que obviamente abala o nosso mundo, nem que seja no início enquanto nos adaptamos à nova realidade.

 

Mas o importante é fazermos o teste, para que se houver algum problema se possa encontrar o mais rapidamente a solução.

 

Enquanto esperava que os meus "testes de gravidez" dessem o resultado, fui confrontado com algumas perguntas que me disseram poderem ser um pouco mais "agressivas".

 

Aqui o segredo é não termos pudores, é verdade que nos questionam acerca da nossa intimidade mas quem está a realizar o questionário já fez centenas e centenas deles, por isso não se preocupem em dar respostas sinceras.

 

Pessoalmente gosto de responder com seriedade mas também com algum humor q.b., por isso é que na pergunta Se alguma vez tinha recebido dinheiro ou jóias em troca de sexo, respondi com um sofrido Quem me dera que assim estava melhor na vida!

 

Felizmente a profissional que estava a fazer-me o questionário tinha sentido de humor e não ficou a olhar para mim como se eu fosse um extraterrestre.

 

Naqueles longos minutos de espera fiquei a saber muita coisa e a reforçar conhecimentos antigos.

 

Descobri que as Hepatites são muito mais contagiosas que o VIH, devido ao tamanho do vírus que é mais reduzido, à quantidade superior de vírus na mesma quantidade de sangue e ao maior tempo que eles sobrevivem no sangue.

 

Que não só as drogas injectáveis transmitem doenças.

 

Snifar cocaína por exemplo causa feridas na cavidade nasal, e se houver uma partilha do objecto que é utilizado para snifar esta droga facilmente se pode apanhar Hepatite.

 

Que o sangue para transfusões só começou a ser testado na década de 90, após o escândalo dos hemofílicos contaminados com VIH, sendo que pessoas que se sujeitaram a transfusões antes dessa data podem ter alguma doença que nunca se tenha manifestado até ao momento.

 

Que não deveríamos arranjar os nossos pés ou mãos em locais onde os utensílios não são esterilizados.

 

E quando falo em esterilização é aquela que é feita em autoclave, onde os materiais chegam selados às mãos do profissionais, e não aquela que consiste em mandar tudo para uma bacia cheia de água a ferver com um punhado de lixívia e umas folhas de eucalipto (não funciona minha gente).

 

Que os médicos na sua generalidade consideram que os idosos e os portadores de deficiências não possuem vida sexual, por isso acham que é uma perda de tempo passar exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis.

 

Felizmente todos os meus resultados foram negativos, mas fiquei mais sensibilizado relativamente a um assunto que para muitos ainda é tabu, porque está maioritariamente associado a actos que a sociedade estigmatiza.

 

A partir de agora passarei a fazer este rastreio de seis em seis meses e gostaria que todos vocês também o fizessem, sem medos, sem vergonhas, sem desculpas.

 

Tudo em prol da nossa saúde! 

 

Rastreio de Doenças Sexualmente Transmissíveis

 

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