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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

20
Jun18

O que é que aconteceu à comida saudável?


Nos últimos anos os astrónomos dedicaram o seu tempo a tentar decidir se mantinham Plutão como um dos nove planetas do Sistema Solar ou se desciam de divisão o pobre coitado e atribuíam-lhe a classificação de planeta anão.

 

Primeiro que tudo, creio que para ser politicamente correcto, a designação apropriada seria de planeta desafiadoramente pequeno, já que anão é um termo quiçá ofensivo.

 

Em segundo, não será uma espécie de bullying espacial destituir das honras atribuídas desde lá sei quando o pobre do planeta? Afinal não trazia mal ao mundo deixar Plutão no cargo que ocupava, há por aí muita boa gente com posições mais flagrantes e qualificações inexistentes e dessas ninguém fala.

 

Mas esta conversa é toda para dizer que os astrónomos deviam ter dirigido os seus esforços na tentativa de compreender a falha tempo-espaço que sugou toda a comida saudável da mesa dos portugueses.

 

Dou o exemplo concreto do meu almoço de hoje.

 

Num verdadeiro espírito de camaradagem, eu e os meus colegas decidimos que iríamos todos almoçar no trabalho, de forma a podermos apoiar a Selecção Nacional. Ficou então combinado que cada um trazia uma coisa para partilhar e assim não haver um mouro a cozinhar para todos e os outros a lambuzarem-se à custa do coitado.

 

O que é que havia para comer?

 

Pistácios salgados, azeitonas salgadas, tremoços salgados, batatas fritas de pacote. chamuças extra-picantes, frango de churrasco, queijos e tostas. E uma salada de couscous, romã, passas, tomate e amêndoas que eu levei.

 

Obviamente que toda a gente ficou a olhar para mim de lado, e um dos meus colegas chegou a perguntar se aquilo era algum tipo de bolo, porque nunca tinha visto semelhante coisa.

 

Ora bem, eu não sou um fundamentalista da comida saudável. Eu como muitas vezes coisas que sei que não me fazem bem nenhum mas que infelizmente sabem deliciosamente. Eu não ando sempre com um tupperware de salada atrás a enfiar colheradas em bocas desprevenidas para evitar carências vitamínicas.

 

Mas bolas, o que é que aconteceu à comida saudável? Pior, que aversão é que criámos a comer alimentos que realmente nos fazem bem e melhoram e prolongam a nossa saúde?

 

Podem-me dizer que petiscada com amigos tem que ser regada a cervejas e asas de frango extra picante, enquanto se engorduram os dedos no óleo das batatas fritas e dos amendoins salgados, mas eu respondo-vos que se calhar chegou a altura de começarmos a mudar os nossos hábitos alimentares.

 

E não me venham com a conversa que não são vacas para andarem a comer erva o dia todo, que a vida é para aproveitar, que não querem viver até aos 100 anos por isso vão enfiar para dentro do corpo tudo o que quiserem mesmo sabendo que é veneno.

 

O problema é que os nossos hábitos alimentares estão a matar-nos aos poucos, e a muitos em vez de matarem deixam com sequelas para o resto da vida, dependentes de terceiros, amarrados a camas articuladas e cadeiras-de-rodas todo o terreno.

 

Tudo isto faz-me lembrar as campanhas antigas das tabaqueiras. Que fumar não fazia mal, o que era prejudicial era fumar em demasia. Infelizmente os lucros falam mais alto, e o verdadeiro interesse das pessoas não é tido em conta.

 

Pode ser que um dia os astrónomos anunciem que descobriram outro planeta. Um que estivesse escondido este tempo todo atrás de Plutão. E talvez nele encontrem a comida saudável que desapareceu das nossas mesas e que muitos insistem em dizer que não é assim tão importante.

 

19
Jun18

Os clientes não se matam, sangram-se!


Esta foi uma das frases mais inteligentes que ouvi nos últimos tempos relativa à restauração.

 

Não que seja apologista de torturarmos barbaricamente consumidores indefesos, mas na verdade o objectivo final de quem tem um negócio é apresentar um serviço que agrade ao cliente mas que lhe dê o máximo de lucro possível.

 

Por isso é que os clientes não se devem matar mas sim sangrar, deixando que eles voltem para casa, recuperem das feridas e quando já estiverem esquecidos da facada de que foram alvo, pimba, novo golpe.

Claro que apresentando sempre um serviço excepcional mas conseguindo transferir o máximo de euros para a conta bancária do negócio, sem nunca o cliente ficar com a sensação que foi explorado.

 

É muito importante haver um perfeito equilíbrio entre preço - serviço - qualidade.

 

Infelizmente não encontrei esta tríade de forma balanceada quando fui jantar ao Mariscador, situado na Praça de Touros do Campo Pequeno.

 

O espaço e o serviço são quase irrepreensíveis.

 

Fiquei na esplanada exterior, muito confortável e espaçosa, sem haver o problema de ter de ficar encafuado em cima de outras pessoas, como acontece em determinados restaurantes. A equipa que nos atendeu foi bastante profissional, conhecia os pratos que estava a vender e soube responder às perguntas que colocámos.

 

Teria sido perfeito se não fosse o facto de um dos elementos estar volta e meia a mascar pastilha. E isso é a pior coisa que se pode fazer quando se está a atender um cliente. Eu percebo que até possa ser uma forma de descarregar o stress, quem sabe uma pastilha de nicotina para ajudar a deixar de fumar, mas ninguém quer ver um empregado a ruminar enquanto decidimos qual prato vamos degustar.

 

A qualidade da comida é irrepreensível. Desde as cestas de pão à manteiga de algas servida na ostra, ao amanteigado do queijo e o picante das camarinhas (uns mini camarões muito crocantes), não esquecendo (e como poderia de tão bons que eram?) os croquetes de touro, o meu palato deu saltinhos de contentamento.

 

Ainda mais feliz fiquei quando chegou a sandes de caranguejo de casca mole em pombinhas (um pão típico da região de Santarém), um prato que me trouxe felizes lembranças da minha viagem ao Vietname, e que comi num abrir e fechar de olhos.

 

O problema na realidade foi este comer num abrir e fechar de olhos.

 

Porque enquanto a minha sandes estava satisfatoriamente servida, o pica-pau do cara-metade, apesar de delicioso, certamente que metade dele tinha sido extraviado para outra mesa. Porque é impossível servir-se uma quantidade tão pequena a alguém e anunciar que é um prato principal. Bem sei que devemos comer até ter os nossos estômagos 80% cheios, mas 80% é ligeiramente diferente que 40%.

 

Para piorar não é um prato barato - o valor que se paga é inversamente proporcional ao que se come. Mesmo os acompanhamentos que se podem pedir separadamente são demasiado caros para a quantidade que é apresentada, deixando a sensação que estamos a pagar mais do que aquilo que deveríamos.

 

O Mariscador podia ser aquele tipo de restaurante que sangrava um cliente mas fazia-o regressar, porque a qualidade do espaço é inegável, mas fazendo o cliente quase passar fome a um preço bastante elevado, acaba por o matar.

 

A sangue frio!

 

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

 

 

 

O Mariscador Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

18
Jun18

O Aquecimento Global centrou-se em minha casa?!


Eu assumo que era estranho estarmos a meio de Junho e ainda termos de pensar se tínhamos que sair com casaco ou guarda-chuva, dada a incerteza do tempo, mas esta vaga de calor que assolou a zona de Benfica é para lá de ridícula.

 

De um dia para o outro a temperatura subiu no mínimo uns vinte graus, levando-me a ter cada vez mais certezas que as mudanças climatéricas são reais, e pior, que o epicentro das mesmas fica certamente por cima de minha casa.

 

Abençoado com uma casa para arrendar abaixo de um valor de quatro dígitos mas amaldiçoado com uma construção antiga que de isolamento térmico não tem nada, se o resto do Verão for como o dia de hoje mais vale mudar-me temporariamente para a casa dos meus pais.

 

Acordei para descobrir que a minha pele se tinha fundido com os lençóis e mal coloquei o pé no chão pensei que tinha uma inundação em casa mas era afinal o cara-metade que estava a transpirar abundantemente.

 

Tive de verificar por mais que uma vez se as porcas-da-índia estavam vivas, tal era o estado de imobilidade a que se tinham remetido, certamente porque qualquer movimento as faria ter mais calor.

 

Chegue a duvidar se a pintura da sala não estava a derreter-se mesmo à frente do meu nariz, mas depois percebi que era a conjugação das ondas de calor com a secura extrema da minha córnea e com os efeitos de um chá fora de prazo que tinha bebido na noite anterior.

 

A solução que encontrei foi buscar ao armário a ventoinha que pensei não ter de usar durante este ano, e eu, cara-metade e porcas esparramámos-nos à frente dela na potência máxima, amaldiçoando silenciosamente todos aqueles que acham que o degelo e o buraco do ozono são mitos urbanos.

 

Se o senhor Trump tweetar mais alguma vez que o Aquecimento Global é uma invenção de um bando de activistas da natureza sem mais nada que fazer, eu convido-o a passar uns diazinhos aqui em casa.

 

De ventoinha desligada.

 

Aposto que ele muda logo de ideias.

17
Jun18

Safarka - O Laboratório


Já que esta semana é a Escape Game Week foi aproveitar para fazer o máximo de Escape Games que o tempo e a carteira permitiram.

 

Desta vez, além do cara-metade, juntaram-se a mim três colegas do trabalho!

 

Safarka - O Laboratório, é um Escape Game diferente dos habituais. Primeiro, no dia anterior começamos por receber um contacto por e-mail a contar a história e a dar-nos mais detalhes da nossa missão. O nosso objectivo, intrépidos aventureiros, é de entrarmos em laboratório alheio e deitar-mos a mão a 5 pedras preciosas.

 

Aqui vê-se o quão simpático é o povo português, basta recebermos uma mensagem de um desconhecido que estamos logo prontos a invadir propriedade alheia e a cometer um roubo simplesmente porque uma pessoa que nunca vimos mais gorda nos pediu. Mas pronto, tuga que é tuga quer agradar.

 

No e-mail informam-nos que seremos contactados por mensagem de telemóvel no dia da aventura, e essa é uma forma muito inteligente de nos fazer entrar no clima do jogo, já que eu fiquei todo o santo dia a verificar se tinha recebido alguma coisa no telemóvel e assegurei-me que tinha bateria suficiente não fosse o diabo tecê-las.

 

Ao contrário de outros Escapes, onde temos sempre alguém que nos recebe e dá indicações, aqui todas as informações foram obtidas por mensagem, e não havia ninguém fisicamente para nos esclarecer. Estávamos por nossa conta e risco, o que ainda aumentou mais a adrenalina do momento.

 

A grande diferença de Safarka - O Laboratório, é que não vamos estar sozinhos o tempo todo. A certa altura existe interacção com outra personagem, e é essa interacção que é determinante para o desenrolar da história. É importante além de ser rápido perceber que o mundo que nos rodeia não é apenas cenário, mas sim uma peça determinante para o nosso sucesso.

 

Todos conseguem sair, ou seja, neste Escape não há perigo de ficar trancado para sempre dentro de um buraco húmido com vermes rastejantes. O objectivo é conseguir reunir as cinco pedras preciosas antes que a hora finde. Nós reunimos 4, e estávamos assim perto perto perto de ter a quinta, foi mesmo morrer na praia!

 

Considerações finais sobre este Escape

  • Por mais que diga que vou entrar calmo e sem stress e dialogar com os meus colegas de forma clara não dá. Mal coloco o pé dentro do Escape começa a subir por mim acima assim um formigueiro que fico tresloucado e é ver-me a tirar gavetas e a falar por cima de toda a gente.
  • Em termos de dificuldade de pensamento este foi aquele que eu achei mais complicado até agora. Honestamente senti que estava na faculdade a fazer um exame para o qual não tinha estudado e não tinha sequer ninguém para copiar
  • A interacção com a personagem externa é um dos pontos fortes de Safarka - O Laboratório. Os meus parabéns ao actor que realizou um trabalho espectacular e tornou o Escape memorável.
  • Há em mim uma falta de noção de perigo assustadora. Desta vez estive quase para beber um composto químico só porque achava que era o mais correcto - qualquer dia ainda bato a bota num destes jogos.
  • Sou garganeiro (mas isso já eu suspeitava)! Em certa altura há que fazer uma escolha e claro que eu pensei foi no meu umbigo. O Prémio Nobel da Paz de certeza que não vai ser para mim.

Se gostam de uma boa história, se são adeptos do pensamento disruptivo e se querem por à prova as vossas capacidades neuronais, então este é o Escape Game para vocês. Podem ficar um bocadinho frustrados a meio, como eu fiquei, mas nessa altura lembrem-se de parar, respirar, e encontrar respostas no que está perto de vocês! Garanto-vos que essa é a receita para o sucesso.

 

Safarka - O Laboratório

 

14
Jun18

Fechado dentro de um Túmulo Egípcio


Minha gente, se tiverem que fazer um Escape Game na vossa vida venham por favor a Benfica fazer O Sarcófago dos Mission to Escape.

 

Se são viciados neste tipo de jogos, como eu, então tem mesmo que vir a Benfica (e depois se quiserem podem aproveitar para me convidar a tomar um cafezinho na Evian ou em qualquer pastelaria da zona).

 

Se são viciados neste tipo de jogos e adoram o Antigo Egipto, então não sei o que é que ainda estão a fazer a ler este post em vez de estarem a tocar furiosamente à campainha dos senhores do Mission to Escape.

 

Todo o jogo está fabulosamente bem pensado, a decoração do espaço é incrível, os enigmas fazem sentido e são muito inteligentes, o Game Master é simpatiquíssimo e não se chateia se começarem a dizer palavrões por causa do stress, e uma hora passa em cinco minutos, tal é a descarga de adrenalina que recebem, sempre na ânsia de conseguirem fugir do túmulo.

 

Contem com muita areia, paus e mais paus, pragas, vasos canopos, toneladas de hieróglifos e aranhas (de plástico, vá não se assustem...)

 

Agora com muita pena minha tenho de vos dizer que não consegui sair a tempo.

 

Por um minuto, um malvado minuto, eu e o cara-metade ficámos presos para a eternidade junto da simpática múmia que habitava o túmulo. Eu que tinha conseguido sair com sucesso de todos os Escapes até agora, vou ter de viver com o fracasso da derrota (momento melodramático...)

 

Alguns detalhes interessantes sobre o Escape, que podem ser lidos sem problema já que não contém spoilers!

 

  • Continuo uma pessoa ligeiramente stressada. Era ver-me a correr de um lado para o outro, com papéis numa mão, paus na outra, com o cérebro já completamente a entrar em curto-circuito.
  • Não gritei com o cara-metade nem uma única vez. Uma vitória para o nosso relacionamento, já que a capacidade de comunicação é algo imprescindível num casal, e eu pensei que passados cinco minutos estivéssemos a atirar cadeiras à cabeça um do outro.
  • Em certa parte do jogo encontra-se uma ampulheta. E de quem é que eu me lembrei? Da maravilhosa Ana Malhoa claro!
  • Quando o tempo estava quase a acabar se houvesse um objecto afiado tinha cortado a mão até fazer sangue. E não, não é que me quisesse auto-mutilar, mas o desespero para sair é tanto que uma pessoa tem as ideias mais disparatadas de sempre.
  • Foi preciso ter tomates, mas quando chegámos a casa o cara-metade confessou ser em parte o culpado por não termos conseguido sair a tempo do túmulo. Só vos posso dizer que o Single Ladies da Beyonce vai ser uma música que eu nunca mais vou conseguir ouvir na vida.

 

Perdi é verdade, mas diverti-me tanto nesta actividade que não imaginam. Por isso deixem-se de dúvidas e venham passar uma óptima hora com O Sarcófago. E não se esqueçam que esta semana é a Escape Game Week, por isso podem beneficiar de um desconto extremamente simpático.

 

Mission to Escape Benfica

 

11
Jun18

The Danish Pastry Shop


Tomar o brunch no cerne de Lisboa ao Domingo tem vários problemas inerentes.

 

Para quem usa o carro como forma de deslocação há o inconveniente do estacionamento, visto que nas zonas mais turísticas é praticamente impossível encontrar um lugar que não seja num dos parques subterrâneos, que normalmente não são nada simpáticos para a carteira.

 

Depois há o preço do brunch em si, que costuma ser consideravelmente elevado devido à localização geográfica, o que nos leva a pagar mais pelo espaço do que pela comida.

 

Esta combinação de factores acaba por tornar a tarefa de brunchar em algo bastante dispendioso, por isso torci o nariz quando o cara-metade me sugeriu que o fizéssemos este passado domingo.

 

Como vi o desalento no rosto dele, decidi que haveria de encontrar uma alternativa.

 

Após um busca exaustiva nos motores de busca, onde simplesmente coloquei brunch, barato e fora de Lisboa, encontrei uma referência à The Danish Pastry Shop, um espaço inaugurado à menos de um mês que ficava situado em Oeiras, mais precisamente em Queijas.

 

O valor do brunch era de 12 euros, já com tudo incluído, por isso eu e o cara-metade fizemos figas para que não fosse um fiasco e lá fomos nós rumo à embaixada dos sabores dinamarqueses.

 

E não foi fiasco nenhum.

 

Primeiro tem bastantes locais para estacionar mesmo à porta. Depois o espaço é grande, iluminado, bem decorado e onde conseguimos respirar, sem haver um aglomerado populacional por metro quadrado que nos faça sentir claustrofóbicos.

 

Quando chegámos não havia mesa disponível, por isso fomos convidados a sentar numa zona de espera, muito confortável, que tem como objectivo fazer com que sintamos o hygee.

 

O hygge é uma palavra dinamarquesa que não tem tradução para a nossa língua, mas é a razão da Dinamarca ser um dos países mais felizes do mundo. A melhor forma de explicar esta palavra é dizer que é uma espécie de aconchego com consciência entre amigos.

 

Após uma curta espera fomos sentados e pedimos o brunch.

 

E que brunch meus senhores. Podíamos optar entre vários tipos de sumo natural, que vinham servidos numas garrafinhas amorosas, entre diversos tipos de pães para a sanduíche tradicional acompanhada de queijo, fiambre ou doce de frutos vermelhos e por uma peça de pastelaria.

 

Eram também servidas umas batatas assadas deliciosas e um iogurte com granola de fazer chorar por mais. Até o bolinho de chocolate com rum, chamado de flødeboller, era algo divinal, que acompanhava perfeitamente o café ou o chá de gengibre também incluído no preço.

 

Mas seria impensável esquecer-me da peça mais icónica deste brunch, a smørrebrød, um prato nacional dinamarquês, que é uma sandes aberta fria.

 

Foram-nos servidas duas, uma com omelete de cogumelos e a outra onde tivemos de optar entre patê de porco e salmão fumado, tudo salpicado com aneto e pickles de beterraba entre outros ingredientes que fizeram o nosso palato relembrar os sabores dinamarqueses.

 

Só vos posso dizer que a comida estava deliciosa. Em termos de sabor estava tudo irrepreensível. É espectacular quando damos um salto de fé a um sítio novo e ficamos tão fascinados com as iguarias gastronómicas que nos colocam à frente.

 

Para melhorar, e talvez seja este um dos grandes segredos, é tudo caseiro, ou seja, há uma atenção dada a cada ingrediente que o torna especial, que é o que o cliente procura neste mundo tão homogeneamente industrializado.

 

É como compramos uma peça de roupa, não queremos descobrir que mais cinco pessoas no nosso bairro possuem as mesmas calças e camisola, queremos alguma exclusividade, e na The Danish Pastry Shop encontramos identidade em termos de sabor.

 

A aperfeiçoar na experiência só o serviço, muito simpático sem dúvida nenhuma, mas ainda um pouco lento e algo complicado na parte de fazer as escolhas referentes ao que integra o brunch.

 

Há tanto para escolher (na realidade não é assim tanto mas a forma como é apresentado faz com que pareça mais que o que é) que a certa altura uma pessoa está tão confusa e cheia de fome que já nem sabe bem pelo que está a optar (felizmente é tudo tão bom...), e claro que é um terreno fértil para enganos também da parte de quem nos atende (pedimos uma omelete sem cogumelos e veio com cogumelos, mas não foi isso que nos impediu de a comermos e nos deliciarmos com ela).

 

Ficámos também assim um bocadinho desapontados pelo facto dos Chefs terem ido à maior parte das outras mesas entregarem parte do brunch e nós não tivemos direito a cumprimentar quem teve a ideia de desenvolver tão fantástico menu.

 

São pequenas coisas a serem melhoradas mas que não me conseguem tirar a sensação de que comi um dos melhores brunches dos últimos tempos, e ainda por cima, a um preço mais que justo e que me deixou a barriga extremamente bem aconchegada!

 

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

The Danish Pastry Shop

 

 

 

 

 

The Danish Pastry Shop Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

09
Jun18

Confirmem sempre a vossa conta!


Antigamente eu era a típica pessoa que recebia a factura, estendia o cartão multibanco e punha-me a andar o mais depressa possível sempre com a cabeça direccionada na próxima tarefa. Ou quando ia jantar fora estava tão relaxado que confiava plenamente que o que me estavam a cobrar era o correcto.

 

Não digo que meio mundo ande a enganar outro meio, ou que todos os erros sejam feitos por má fé, mas que existem muitos lapsos nas contas finais, seja de supermercados seja de restaurantes, existem, e incrivelmente a maioria deles são sempre para nos prejudicar.

 

Hoje em dia sou muito mais consciente, talvez porque aprendi a dar o verdadeiro valor ao dinheiro, e não saio dum estabelecimento sem confirmar a conta para ter a certeza que não me cobraram mais do que era devido - ou em alguns casos se não estou eu a prejudicar o estabelecimento, porque se queremos que as coisas sejam correctas tem de funcionar para os dois lados.

 

Infelizmente continuo a ver muita gente a pagar contas cegamente sem confirmar se os valores estão correctos, e acredito que muitas dessas pessoas são enganadas em alguns euros que ao fim do ano todos juntos dariam um valor nada desprezível.

 

Dou-vos um exemplo concreto.

 

Hoje fui almoçar a Setúbal, e na altura da conta fiquei espantado porque ia pagar muito menos do que estava à espera. A minha primeira reacção foi dar o multibanco para as mãos do empregado e não pensar mais no assunto. Mas controlei esse meu impulso e primeiro verifiquei a conta.

 

Incrivelmente estava debitada uma sobremesa que não tinha consumido, o que representava um acréscimo de dois euros e meio. Não digo que tenha sido por má fé do empregado, erros todos cometemos, mas estranhei que a sobremesa viesse no meio da conta, entre os pratos, e não no fim junto ao café como é normal vir.

 

De qualquer das formas, chamei a atenção ao empregado e a factura lá me foi rectificada.

 

Além de verificarem sempre o que vos foi debitado na vossa factura, convém terem mais ou menos a noção do que cada item que consumiram custava, apenas para se certificarem que não houve nenhum engano. Não seria a primeira vez que apanharia meias-doses a serem passadas com o preço de uma inteira, ou um vinho de 8 euros que foi cobrado a 15.

 

Nos supermercados também é frequente haver alguns erros, mas aqui acredito piamente que não é por maldade do funcionário da caixa, mas são tantas pessoas para atender que uma pessoa a certa altura entra em piloto automático e as falhas acontecem.

 

Uma das mais frequentes é o número de embalagens. Levam 5 latas de atum e foram facturadas 6? 2 pacotes de aveia e na conta aparecem 5? Convém sempre confirmarem o número de itens que vos aparece na vossa conta, de forma a não beneficiarem da fantástica promoção Pague 2 Leve 1.

 

O que também acontece normalmente é a troca de vegetais no momento da pesagem, isto para os supermercados que os pesam na caixa de saída.

 

Não sei qual é a minha sina, mas já por três vezes me debitaram curgetes quando na realidade levava pepinos. E claro que os pepinos estavam em promoção e eram mais baratos que as curgetes.

 

Sempre que reclamo faço com um sorriso e sem stresses, afinal não quero criar conflito, simplesmente resolver a situação de forma eficaz, mas deparo sempre com um ar de admiração por parte do funcionário porque não sabia que havia pepinos tão grandes....mas lá me fazem a troca e são mais umas moedas que voltam para a minha carteira.

 

Outra falha passível de acontecer é quando compram um produto com uma daquelas etiquetas arroxeadas de aproximação do fim de prazo de validade, que conferem um desconto adicional, e na caixa em vez de passarem pelo scanner essa etiqueta passam a original do produto. Se não conferirem aquele óptimo desconto que pensavam que iam conseguir vai por água abaixo.

 

Por fim, ter a certeza que o desconto de 46.3% naquela marca XPTO de amaciador do cabelo foi realmente feita. Às vezes há falhas no sistema e o desconto não é lançado, por isso convém estarem atentos a isso.

 

O que muitas vezes pode acontecer é o desconto não ser lançado porque o produto que adquiriram afinal não era o que estava em desconto, apesar de estar arrumado na prateleira com a etiqueta promocional. Aí há uma forma fácil de não serem enganados, antes de porem o produto no carrinho confiram se o código de barras da embalagem coincide com o da etiqueta promocional. Se forem diferentes, já sabem que não é o artigo certo.

 

Por tudo isto e mais outros exemplos que não abordei aqui, verifiquem sempre a vossa conta antes de abandonarem um estabelecimento. O minuto extra que usaram para confirmar o que vão pagar pode ser a diferença entre poupar ou não alguns bons euros!

 

07
Jun18

Dica para reduzir o plástico numa ida às compras


Confesso que não sou nem de longe a pessoa mais plastofóbica deste planeta, mas também não fui um daqueles indivíduos que vaticinou o fim do mundo quando os sacos de plástico começaram a ser taxados e certos estabelecimentos passaram a ter apenas sacos ou cartuchos de papel para disponibilizar aos clientes.

 

No entanto é impossível ficar indiferente à quantidade colossal de notícias que me chegam relativas aos malefícios do plástico para o meio ambiente - basta lembrar-nos muito recentemente da baleia que morreu após ingerir quantidades abismais de plásticos que nunca deveriam ter chegado aos oceanos.

 

Por isso pensei, de que forma é que eu posso contribuir para reduzir o uso de plástico?

 

Então lembrei-me dos meus arqui-inimigos do supermercado - os sacos de plástico para colocar as frutas e verduras. Como já falei aqui no blog esses sacos de plástico dão-me cabo da cabeça, porque fico eternidades para conseguir abrir um e quando finalmente consigo já nem me apetece levar nada do supermercado de tão irritado que estou.

 

Apesar de todos esses sacos que levo para casa costumarem ser reutilizados ou reciclados, há sempre um ou outro que confesso acaba no lixo comum.

Assim, a melhor forma de acabar com este uso exagerado de plástico foi começar a colocar as frutas e verduras dentro do meu saco de pano ou plástico grosso reutilizável e abdicar do saquinho de plástico fino, que tantas vezes se rompia sobretudo quando comprava pepinos (e acreditem que compro com imensa frequência pepinos).

 

É verdade que não é tão prático na altura de chegar à caixa e pagar, porque para agilizar o processo convém os alimentos a pesar estarem todos juntos, mas nada que a experiência não resolva.

 

Agora o problema é nos supermercados onde a fruta não é paga na caixa de saída, mas sim na área dos frescos sendo preciso colar uma etiqueta com o preço do alimento que queremos adquirir.

 

E podem vocês pensar que tudo se resolve facilmente - basta colar a etiqueta directamente num dos alimentos. Era bom que fosse assim tão simples, porque parece que a cola que usam adere às nossas mãos, roupa, pêlos dos braços... mas não às frutas ou aos legumes.

 

A solução que eu magiquei, e que ainda não coloquei em prática porque não tive a oportunidade, foi de levar meia dúzia de folhas daqueles blocos pequeninos para tirar notas (que me estão sempre a dar na farmácia) e colar em cada lado da folha uma das etiquetas. Depois é só chegar à caixa e entregar os papéis à senhora para ela registar. 

 

De forma a reutilizar e não haver enganos, depois da compra riscaria com marcador a etiqueta usada, e numa próxima vez colaria uma nova por cima.

 

Reduzir o plástico numa ida ao supermercado

 

 

Acham que é boa ideia?

 

Tem mais alguma sugestão para acabar com os sacos de plástico irritantes? É que em certos supermercados biológicos já tem cartuchos de papel, mas nas grandes superfícies mais tradicionais ainda não há essa opção!

06
Jun18

Mais uma farpa no meu coração


Lisboa ultimamente tem-me espetado farpas no coração.

 

Uma cidade que gosto tanto, não fosse ela a minha cidade, e não sei o que se passa, se é alguma cabala contra mim, mas recentemente só me tem deixado amargos na boca, quando antigamente, mesmo quando adormecia, ainda permanecia na minha cavidade bucal uma doçura tão característica da metrópole.

 

Adoro o Miradouro da Senhora do Monte, é um lugar mágico, fabuloso, com uma vista incrível para a cidade. Já o adorava quando ele era pouco conhecido, e continuei a ter um espaço para ele no meu coração quando foi invadido diariamente por tuc tuc's repletos de turistas.

 

Lembro-me tão bem da primeira vez que lá fui, era já noite escura e o silêncio reinava. Sentei-me num dos bancos de madeira, que tinham a fantástica característica de serem mais largos e mais fundos - ou seja, era possível ficarmos meio deitados - e ali permaneci, semi-sentado, semi-deitado, a olhar para o céu estrelado de Lisboa, perdendo-me no meu próprio pensamento, eu partícula finita dum universo infinito.

 

Antigos Bancos Miradouro Senhora do Monte

 

Não sei precisar as vezes que voltei ao Miradouro da Senhora do Monte. Mas sempre que lá fui fazia questão de me sentar/deitar naqueles bancos de madeira tão peculiares.

 

Até que esta semana descobri para minha incredulidade que os bancos já não existiam. Tinham sido substituídos por uns de cimento, banais, incaracterísticos, sem qualquer magia ou capacidade de criar memórias. Nem sequer dão para apoiar as costas, simplesmente são um assento de cimento, triste e melancólico.

 

A farpa que se me espetou no coração foi tão grande que me recusei a tirar uma foto.

 

Vou continuar a negar enquanto puder o desaparecimento dos bancos de madeira, mas sei que nunca mais vou poder olhar para as estrelas da mesma forma.

06
Jun18

Sou Sexy, Eu Sei - O filme que mostra o que pior há em nós


Atenção - este post contém Spoilers

 

Sou Sexy, Eu Sei

 

Esta segunda-feira fui ver o Sou Sexy, Eu Sei, um filme pipoca com algumas piadas muito bem conseguidas perfeito para desligarmos o cérebro.

 

Isto claro se não forem como eu, que passei grande parte da película a pensar que a mensagem que esta passa não é assim tão positiva como muita gente quer pensar que é. Na realidade, Sou Sexy, Eu Sei, tem a capacidade de nos escarrapachar na cara o pior que há em nós.

 

Para vos situar, o filme retrata a vida de Renee, uma mulher com problemas de auto-confiança porque considera não se enquadrar nos parâmetros de beleza que a sociedade impõe.

 

Farta de passar os dias numa cave abafada, Renee sonha em transitar para a sede da empresa de cosméticos para a qual trabalha para o cargo de recepcionista, mesmo que isso implique uma descida no seu ordenado. O único problema é que sente que o seu aspecto nunca vai lhe permitir atingir esse sonho.

 

Depois de um pedido desesperado numa noite de chuva para que fique bonita, Renee tem um acidente no ginásio, batendo com a cabeça. A partir daí começa a ver algo que os outros não conseguem, uma cara linda, um corpo tonificado, em suma, uma verdadeira brasa.

 

Com esta transformação milagrosa digna de meter inveja a muitos cirurgiões plásticos, a sua auto-estima atinge a estratosfera e ela está pronta para conquistar o mundo e mais além.

 

Pois bem, aqui é que tudo começa a descarrilar.

 

Porque para a mensagem deste filme ser positiva, Renee quando batia com a cabeça tinha de ganhar auto-estima amando o seu corpo como ele é. Mas não, simplesmente passou a ver o seu corpo como a sociedade tenta impor que ele tem de ser - ou seja, a sua confiança é uma farsa, uma mentira, um todo cheio de nada.

 

Apesar de no início acharmos que a protagonista vai conseguir manter a cabeça em cima dos ombros é uma esperança vã. Tal como acontece na vida real, após estar incluída no grupo que a segregou durante tanto tempo, Renee passa ela própria a julgar aqueles que não se enquadram nos padrões que ela miraculosamente conseguiu atingir.

 

Aliena as amigas, tem comportamentos diferentes no trabalho consoante o aspecto de quem a aborda, mostra uma faceta narcisista - basta ver a cena em que quando está a fazer sexo com o namorado fica absorta a contemplar a sua própria beleza - e perigosamente quase que manda os seu princípios pela janela fora, quando está a pontos de beijar o irmão da patroa, mesmo estando num relacionamento com outro homem.

 

Obviamente que quando o efeito da pancada desaparece, Renee fica desesperada e com a auto-estima no zero. Tudo porque se baseou numa mentira, numa falácia, num jogo de ilusões.

 

Aqueles que olharam para ela como um exemplo a seguir foram também enganados, porque toda aquele positivismo, aquele Sou Sexy, Eu Sei, esfumou-se de um momento para o outro porque não existiam alicerces para o manter de pé. É como quando bebemos uns copos a mais e ficamos prontos para conquistar o universo, mas quando o efeito do álcool passa queremos é rastejar para debaixo da nossa pedra.

 

Há algumas mensagens positivas a retirar de Sou Sexy, Eu Sei, como o facto de habitualmente nos centrarmos mais naquilo que achamos que nos torna imperfeitos, do que naquilo que nos torna especiais.

 

Mas no fim, bem espremido, este filme mostra que só temos a capacidade de nos amar se conseguirmos por algum meio sermos iguais àquilo que os outros consideram correcto. E quando chegamos a esse patamar, o poder sobe-nos à cabeça e rapidamente esquecemos-nos de onde viemos e de quem fomos.

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