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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Somos tão frágeis quanto a força de um espirro


Triptofano!

20.03.19

No sábado à noite espirrei.

 

Um espirro normal como tantos outros.

 

Só que mal espirrei senti algo nas minhas costas a estalar.

 

Nesse preciso momento soube que as coisas não iam correr bem.

 

Tenho uma hérnia algures entre uma das vértebras lombares desde os 18 anos.

 

Quando consultei o médico após as primeiras queixas ele disse-me que enquanto conseguisse ter uma qualidade de vida razoável não aconselhava a operação - se as dores se tornassem insuportáveis aí sim teria de ir à faca.

 

Durante 14 anos fui contornando a situação, volta e meia com uma crise que me deixava em pânico só com a ideia de me sentar num carro, no comboio, na sanita, porque não sabia se seria capaz de me voltar a levantar.

 

A medicação certa combinada com medidas não farmacológicas permitiu-me ir lidando com a situação sem perder grande qualidade de vida.

 

Quando espirrei no sábado estava convicto que seria mais uma destas situações.

 

Comecei logo a atacar com tudo o que tinha por casa, faixas de calor, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos.

 

No domingo a situação parecia estar controlada, fiz a minha vida normal e ainda consegui ir jantar, apesar de com algumas dores.

 

Na segunda-feira de manhã não conseguia andar.

 

Levantar-me e atravessar o corredor para ir à casa-de-banho tornou-se uma tarefa que não consegui realizar em menos de dez minutos, com constantes facadas no nervo ciático que me obrigavam a agarrar ao que estivesse mais perto para não cair redondo no chão.

 

Dobrar-me para calçar e atar uns sapatos era uma tarefa para além de impossível.

 

Como felizmente estava de folga fiquei o dia todo na cama, sem posição que me trouxesse algum repouso, sem vontade para fazer nada, nem para escrever no blog, nem para viajar pelo Instagram, simplesmente a olhar para o vazio e a tentar dormir de forma a abstrair-me da dor.

 

Pensei que quando acordasse na terça-feira estaria melhor, já conseguiria ir trabalhar, cumprir as minhas funções laborais, com mais ou menos dificuldade.

 

Quando me levantei da cama percebi que o meu corpo pensava totalmente o contrário.

 

Bastou dois passos para perceber que nunca na vida conseguiria chegar ao trabalho quando mais permanecer oito horas de pé nele.

 

Vi-me obrigado a faltar.

 

A passar mais um dia deitado na cama, a enfiar medicamentos para o estômago na esperança de sentir algum alívio.

 

Podia ter utilizado todo este tempo livre para escrever tudo aquilo que tenho em atraso, para responder a comentários, para por as leituras em dia, mas só conseguia pensar em como um simples espirro conseguiu mudar a minha vida tão drasticamente.

 

Passamos tanto tempo a achar que somos imortais, que nada nos deita abaixo, que temos tempo para tudo.

 

Usamos as nossas forças em lutas mesquinhas, preocupados com problemas que são tudo menos importantes em vez de nos esforçarmos em desenvolver soluções para o bem geral.

 

Achamos que temos o mundo na palma da nossa mão para depois, de um momento para o outro, ficarmos com uma mão cheia de nada.

 

Tenho a perfeita consciência que estas epifanias sobre a fragilidade da vida são transitórias, quando estiver a 100% provavelmente vou voltar a pensar que sou invencível, que tenho todo o tempo do mundo, que as coisas mais importantes são os mexericos em vez de me focar em algo que possa mudar o mundo nem que seja de uma pessoa para melhor.

 

Mas hoje, que decidi ir trabalhar mesmo com as limitações e as dores e o medo que este nervo trilhado me dá, decidi que vou focar-me em fazer aquilo que eu quero em vez de aquilo que os outros esperam de mim.

 

Em reflectir sobre quem quero que continue na minha vida e em quem quero investir.

 

Compreender de uma vez por todas que a felicidade é aquilo que nos enche o coração, mesmo que não nos encha tanto a carteira como gostaríamos.

 

Somos tão frágeis quando a força de um espirro, mas podemos desenvolver um espírito que suporte a força de mil furacões.

Problemas Anais


Triptofano!

16.01.19

Eu enquanto farmacêutico gosto de ir ao fundo da questão.

 

Não me contento em receber uma receita, enfiar uma data de caixinhas dentro do saco, e dar um sorriso e um adeus até à próxima.

 

Sempre que há possibilidade gosto de falar com as pessoas, fazer perguntas, ouvir as respostas e aprender algo novo, ao mesmo tempo que tento ajudar na medida do possível a pessoa que tenho à frente.

 

Ora quando eu falo de ir ao fundo da questão implica por vezes fazer perguntas mais sensíveis e pessoais, mas obviamente que tenho o bom senso de perceber pela conversa o tipo de pessoa que tenho à frente e quando mando "a bomba" fazer o ar mais fofinho e inocente de sempre, e não um ar assustadoramente pervertido.

 

Ontem uma senhora veio aviar uma receita com umas pomadas para a zona anal, e eu presumi imediatamente que fosse alguma hemorróida.

 

Conversa puxa conversa acabei por descobrir que não lhe tinham diagnosticado nem hemorróidas nem nenhuma fissura anal, mas sim uma extrema sensibilidade e secura na pele perianal que além de lhe provocar gretas, causava-lhe comichão e dor, diminuindo em muito a sua qualidade de vida.

 

A pobre da senhora contou-me que desde há dois anos para cá que tem este problema, sendo que foi aconselhada pelo médico a deixar de usar papel higiénico, a lavar-se com água tépida e com um óleo hidratante, e a secar-se com o secador.

 

Quando ela faz todos estes rituais certinhos a coisa melhora bastante, mas quando se começa a desleixar a sensibilidade volta a infernizar-lhe a vida.

 

E sejamos honestos, em casa até é fazível ter estes cuidados todos, mas já imaginaram no trabalho uma pessoa ter de ir com o secador atrás sempre que quisesse ir esvaziar o intestino?

 

Estivemos um bom bocado à conversa, abordando temas desde a alimentação, a parasitas nas fezes, passando pela prática de sexo anal (aqui foi o momento "bomba" mas que a senhora recebeu com extrema naturalidade) sempre na tentativa de percebermos se havia algo que pudesse ter escapado ao diagnóstico médico e que lhe permitisse pelo menos atenuar o problema.

 

Até que ela se lembra que há uns anos tinha feito depilação a laser na zona anal, e provavelmente coincidia com o aparecimento dos sintomas, mas não podia garantir a 100%.

 

Para mim tenho aquele feeling que foi o laser que causou os danos na pele perianal da senhora, mas como nunca me submeti a esta técnica de depilação queria uma ajuda vossa.

 

Alguém já fez depilação nesta zona anatómica ou conhece quem o tenha feito?

 

Ficaram com sensibilidade ou secura na pele?

 

Se sim como é que resolveram o problema?

 

Toda a ajuda que puderem dar a este pobre farmacêutico é bem-vinda de forma a poder melhor a vida de uma utente!

O que é que aconteceu ao pão?


Triptofano!

11.09.18

Peguem nas vossas pedras, façam pontaria e ao meu sinal podem começar a tentar atingir-me no toutiço.

Isto tudo porque vou falar um bocadinho sobre a moda das intolerâncias alimentares.

 

Sei que é um assunto que mexe com muita gente, desde aqueles que defendem com unhas e dentes as intolerâncias até aos que dizem que é tudo uma invenção do psicológico dos supostos afectados.

 

A verdade é que cada vez mais há pessoas com intolerância ao glúten, à lactose, ao marisco, ao peixe, à soja e a mil e umas outras substâncias mais ou menos frequentes na nossa alimentação diária.

 

Não digo que quem possui intolerâncias (ter em atenção que intolerância é algo muito diferente de alergia) está a inventar só para se sentir especial, acho que ninguém se sente especial (ou não deveria) por passar horas a vomitar ou a esvair-se em diarreias sanguinolentas acompanhadas de cãibras estomacais.

 

O que eu acho é que hoje é muito fácil dizer que alguém possui uma intolerância sem na realidade saber exactamente ao que essa pessoa é intolerante.

Mas como há necessidade de haver algo que culpar, ou seja, um bode expiatório, normalmente aponta-se o dedo a uma substância que ande na boca de tudo e todos (mesmo que nem se perceba muito bem o que essa substância é), como por exemplo o glúten ou a lactose.

 

Falemos do glúten.

 

Durante toda a história da humanidade o Homo sapiens ferrou o dente no seu belo pãozinho, sem se preocupar se era ou não gluten-free.

 

Na realidade, gostava tanto de pão que, por exemplo, os dentes das múmias do Antigo Egipto encontram-se muito desgastados por causa do consumo de areia concomitante com o de pão - é que eles usavam areia para ajudar a moer os grãos de cereal.

 

Claro que alguns dos nossos antepassados sofreram de alergia ao glúten e provavelmente não tiveram um fim muito simpático, mas a intolerância ao glúten era coisa que não se falava, provavelmente por também não existir nenhum supermercado que vendesse cinquenta variedades de biscoitos isentos dessa substância do demónio.

 

Eu, Homo sapiens que comeu a sua dose de areia em criança, normalmente faço pão em casa.

 

É chato, dá trabalho, e eu não nasci de todo para ser aquele tipo de pessoa fantástica que acorda às cinco da manhã super motivada para fazer pão quentinho para toda a família.

Mas faço.

 

O clique deu-se quando um dia descobri duas fatias de pão de forma perdidas no armário com a validade expirada há mais de quatro meses ainda fofas e frescas.

 

Obviamente que as comi (isto uma pessoa não pode andar a desperdiçar comida) mas fiquei a matutar, o que é que este pão leva de conservantes e outros químicos que tais para se aguentar tanto tempo?

 

A partir daí comecei a fazer regularmente pão em casa.

 

Uma das coisas que tenho sempre cuidado é deixar o pão levedar durante uns trinta minutos, de forma a que as ligações de glúten se quebrem e sejam mais facilmente digeridas pelo nosso organismo.

 

Se todos os locais que fabricam pão o deixam levedar com calma? Não sei, mas talvez este detalhe contribua para o facto de se ser ou não intolerante.

 

Mas o mais gritante, e atenção que já não estou a falar de pão de forma mas sim do pão que se compra avulso numa grande superfície comercial - do cacetinho, da bolinha, do pão da Avó Jaquina -, são os ingredientes que se utilizam para fazer pão.

 

Em casa eu uso água, farinha, fermento, sal, e, se estiver inspirado, algumas sementes para me convencer que sou saudável.

 

Desafio-vos a verem os ingredientes do pão que vocês compram e a encontrarem algum que tenha tão poucos como os que eu uso.

Não é fácil mas também não é impossível - o problema é que a maioria está carregado de milhentas coisas que não deveriam lá estar!

 

Atentem à imagem dos rótulos de duas variedades de pão que se vendem numa superfície comercial do nosso país:

 

Ingredientes do Pão

 

Ingredientes do Pão

 

Vinagre de vinho? Ácido sorbico encapsulado? Ésteres com um nome demasiado complicado para sequer ser pronunciado?

 

Será que nós sabemos realmente o que estamos a comer?

 

As intolerâncias ao glúten serão mesmo ao glúten? Ou estará algum destes ingredientes "extra" a prejudicar a nossa saúde?

 

Expossoma: A Doença do Século?


Triptofano!

02.05.18

E se eu vos dissesse que em cinco rugas apenas uma é resultante da nossa programação genética?

 

Que em cinco rugas, quatro delas são derivadas da nossa interacção com o Expossoma?

 

E o que é o Expossoma?

 

O Expossoma é um conjunto de factores com os quais interagimos diariamente, que a longo prazo pode-nos fragilizar as nossas defesas, sendo que a pele é uma das principais afectadas.

 

Nestes factores englobam-se a poluição e a luz ultra-violeta, mas também os hábitos alimentares, o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a qualidade do sono e os níveis de stress diário.

 

As medidas que tomamos para lidar com o Expossoma de forma a ele ter o menor impacto no nosso dia-a-dia vão ser cruciais para a saúde da nossa pele no futuro, bem como para a saúde de todo o nosso organismo.

 

 

Expossoma

 

Os perigos da radiação ultravioleta já são sobejamente conhecidos, e os UVA já há muito que estão identificados como sendo dos principais causadores do envelhecimento cutâneo precoce. Por isso é que é tão importante a utilização de protecção solar diária, mesmos nos dias mais cinzentos.

 

O que ainda era desconhecido, era o potencial nefasto da Luz Azul.

 

A luz azul está presente no espectro da luz vísivel, emitindo assim o sol esta luz, tal como a iluminação fluorescente. O grande problema não advém destas duas origens, mas sim da iluminação LED, usada para iluminar computadores, smartphones, tablets, televisões, que tem uma concentração muito maior.

 

Luz Azul

 

 

A luz azul, com o tempo (e tendo em conta que cada vez mais passamos grande parte do nosso dia com os olhos presos a um qualquer tipo de ecrã, esse tempo virá muito mais depressa do que gostaríamos) causa danos no nosso corpo, que vão desde a alterações no ritmo circadiano (por isso é que é fundalmental desligar qualquer fonte de luz azul trinta minutos antes de ir para a cama), a fadiga ocular ou mesmo a degeneração macular de idade.

 

E a Pele?

 

A exposição à Luz Azul provoca o aparecimento de manchas pigmentares e o agravamento das pré-existentes, aumenta o stress oxidativo da pele o que leva a um envelhecimento precoce, e altera a função de barreira da mesma, o que a torna mais sensível à agressão de outros agentes externos.

 

Não é de estranhar, que pessoas que passam a vida no escritório em frente de variados monitores, apresentem a pele mais fragilizada e irritada, muitas vezes pontuada por manchas pigmentadas, não conseguindo perceber a razão visto que não estão expostas à luz solar.

 

É assim extremamente importante que, caso a nossa rotina diária consista em múltiplas horas a olhar para um qualquer monitor, que passemos a usar um produto que minimize a absorção da luz azul pela pele, de forma a mantermos a mesma saudável durante mais tempo.

 

 

Enema de Café: Para que Serve?


Triptofano!

29.04.18

Desde que comecei a fazer mais exercício e a cortar em certos alimentos menos nutricionalmente interessantes, sempre que cometo um abuso, parece que o meu corpo vai entrar em modo de auto-destruição.

 

Se tenho a triste ideia de comer algo muito gorduroso, começo logo a sentir-me inchado, com náuseas e dores de cabeça, algo que antes não sucedia.

 

Para mim isto é sinal que o meu corpo agradece quando eu trato bem dele, e quando volto a tentar entupi-lo com porcarias ele vinga-se de mim. O problema é que a vingança dura dois ou três dias, e durante esse tempo os meus níveis de energia descem radicalmente.

 

Por isso é que vou experimentar fazer um enema de café, já que ouvi dizer maravilhas da prática (só não o faço há hoje porque o cara-metade está fora e eu preciso de assistência na realização deste tratamento, porque sozinho ainda há um desastre na casa-de-banho que nem vale a pena pensar).

 

Na realidade esta ideia não é de agora, já há uns bons meses, ao ler sobre o assunto, que tinha ficado com curiosidade em experimentar, estando à minha espera imaculado um maravilhoso enteroclisma, vulgo irrigador anal/vaginal.

 

 

Enema de Café

 

 

Para quem ainda está com dúvidas acerca do que está a ler, eu explico mais detalhadamente.

 

Basicamente vou fazer uma infusão de água e café e, usando o enteroclisma figurado acima, vou deixar repousar durante aproximadamente 15 minutos o líquido dentro do meu intestino, libertando-o após esse tempo pela sanita.

 

E para quê?

 

O objectivo do enema de café é ajudar o fígado a funcionar de uma forma mais eficiente, facilitando-lhe a tarefa de eliminar toxinas, tornando também as digestões mais rápidas e fáceis, especialmente nas alturas em que não conseguimos resistir àquele maldito rodízio de pizzas.

 

Outros benefícios que são atribuídos ao enema de café é a depuração sanguínea e a redução de processos inflamatórios, ajudando também no tratamento de enxaquecas e insónias!

 

Mas e beber o café? Não seria mais fácil?

 

Claro que pensei nisso primeiro, porque ter algo enfiado no rabiosque durante 15 minutos, pode ser agradável para muita gente, mas não é aquilo que me fascina à primeira vista. Só que beber café estimula o sistema nervoso simpático levando a uma diminuição da actividade hepática, o que dificulta o processo digestivo e a desintoxicação do organismo.

 

Ao ser administrado rectalmente, o estímulo é direccionado aos nervos parassimpáticos, que farão com que o fígado trabalhe com mais eficiência! (ou pelo menos assim eu espero.)

 

 

Qual é a vossa opinião acerca dos enemas terapêuticos? São adeptos ou nem querem sequer pensar em algo próximo do vosso ânus? 

 

Pérolas do Passado


Triptofano!

21.02.18

Há uns posts atrás desabafei como era stressante para mim manter um certo ritmo de publicações, ritmo este que impus a mim mesmo para não abandonar o blog ao fim da primeira semana e meia.

 

E a partir daí comecei a pensar em quantos diários virtuais é que tinha deixado pelo caminho. Puxei pela cabeça e experimentei e-mails, e passwords, e apesar de ter quase a certeza que ainda existem uma data deles perdidos no nevoeiro do passado, encontrei um blog do Sapo de 2009, estava eu com vinte e poucos anos e ainda não estava acabado como hoje em dia....

 

O blog intitula-se de Obedecendo à Sabedoria dos E-mails e a descrição que lhe dei na altura foi a seguinte:

 

Nunca receberam aqueles belos e-mails em cadeia para repassar por 380 pessoas de forma a não morrerem nos 30 minutos seguintes? Aposto que sim! Mas já alguma vez tentaram por em prática as mensagens que eles contêm? Eu tentei!

 

 

A ideia, pensando retrospectivamente, até tinha a sua piada, porque na altura recebia constantemente e-mails em cadeia com dicas para tudo e mais alguma coisa e havia material mais que suficiente para muita escrita.

 

Infelizmente, como não fui regrado, o projecto morreu após o terceiro post.

 

Mas como dizem que recordar é viver, fica aqui um dos poucos textos que elaborei para este agora defunto blog.

 

Dizer Saúde de Cada Vez que Alguém Espirra!

 

"A primeira pérola de sabedoria que tentei por em prática chegou-me à pouquíssimo tempo vinda de uma amiga, inserida no denominado Tantra Totem!

 

Simplesmente pensar em pronunciar Tantra Totem faz-me a língua dar um nó, mas neste caso o importante é mesmo tentar dizer saúde de cada vez que alguém espirra!

 

Está claro que ingenuamente pensei que fosse algo facílimo! Quão difícil poderia ser dizer saúde de cada vez que alguém espirrasse? Na realidade não é assim tão fácil!

 

Primeiro que tudo tem de se descobrir alguém que esteja a espirrar! Ora trabalhando eu numa farmácia o mais comum é ver gente a espirrar todo o santo dia - isto claro se não fosse uma coisinha chamada Gripe A! Devido a esta bela pandemia já ninguém ousa espirrar se outro ser humano estiver a menos de 5 metros de distância, com medo de ser logo posto em quarentena sem contacto com o mundo exterior! É ver as pessoas irem para um cantinho isolado espirrar de forma sub-reptícia, ou colocarem literalmente a cabeça dentro do casaco para soltarem um abafado espirro!

 

Assim sendo, como é que uma pessoa pode por em prática a vocalização da bela Saúde sempre que um espirro é pronunciado? Pois, não pode! Além de que com tanta comunicação social a buzinar-nos nos ouvidos sobre os perigos de contágio mais nos apetece lançar um "Cuidado que se tiver febre pode ser Gripe A" cada vez que alguém espirra do que um singelo saúde!

 

Confesso que estava prestes a desanimar quando uma das minhas colegas espirrou, de forma assumida, sem medos, sem vergonha [ah grande mulher] - e eu muito prontamente quase que berrei um Santinho, logo seguido de um Porra!

 

Obviamente que ela ficou a olhar para mim com um ar que era um cruzamento de admiração com "este gajo devia ser internado", mas eu de forma muito elegante  [pois claro] me desculpei com o facto de ter batido com o joelho no balcão [desculpa tão reles!].

 

Pois é, nunca me tinha ocorrido que quando alguém espirra o que nos salta do aparelho vocal não é um Saúde, mas sim o tão português Santinho! Aquele Santinho que dá para fazer tantos trocadilhos - como o belo do "Tem dias" ou o "Santinho mas pouco" ou ainda trocar o Santinho por um "Diabinho"!

 

Que trocadilhos poderia fazer com um Saúde? "Saúde - Espero que não seja gripe A!"? Pois não me parece lá muito apropriado!

 

Já no fim do dia, quando estava quase a sair, uma senhora de idade espirrou! Pensei que aquele fosse o derradeiro momento de por em prática o uso do Saúde, e com uma dicção perfeita arremessei à senhora um belíssimo Saúde!

 

Resultado, saí fora de horas do emprego porque a senhora ficou 20 minutos a falar-me do estado de saúde dela, que já estava muito mal, e que tinha feito muitas operações e que lhe doíam os rins e o que é que o menino [neste caso eu] achava que podia ser e tré lé lé trá lá lá!

 

Constatação final . o uso de Saúde de cada vez que alguém espirra não contribui de forma positiva para o melhoramento da minha vida!

 

De hoje em diante manter-me-ei adepto fiel do Santinho, dito sempre com um pequeno sorriso mordaz!"

 

 

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