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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

18
Set18

Donnie Dough


Fechem os olhos e façam uma viagem no tempo comigo.

 

Imaginem-se em 1999, sentados no sofá de vossa casa, a ouvir no Sol Música os maiores êxitos do momento, como o Baby One More Time da Britney Spears, o I Want it that Way dos Backstreet Boys ou o Perdoa dos Anjos.

Ao vosso redor estão carradas de revistas Bravo e Super Pop com os cantos amachucados, e vocês roem nervosamente a tampa de uma caneta enquanto somam o total de letras A, B e C para perceberem se a vossa nova amiga é de confiança, se quer roubar-vos o namorado ou se é um ser alienígena de outro planeta, ao mesmo tempo que enfardam colheradas de gelado como se não houvesse amanhã.

 

É-vos familiar esta imagem?

 

Provavelmente para a maioria não, ou porque são demasiado novos, ou porque já tinham responsabilidades de adultos em 1999, ou porque são do sexo masculino e não queriam ser vistos a comprar revistas de gaja, apesar de secretamente ansiarem saber qual é a vossa arma secreta de sedução.

 

Agora abram os olhos (sim eu sei que não é muito fácil fechar e abrir olhos e conseguir ler um post mas é tudo figurativo está bem?) e leiam com atenção.

 

É possível voltar a sentir (ou sentir pela primeira vez) essa energia de transição de milénio.

 

Para isso basta visitarem a Donnie Dough, que fica no Restelo, na Rua Duarte Pacheco Pereira em frente ao parque infantil.

 

A única diferença é que em vez de enfardarem gelado vão comer colheradas de cookie dough.

 

Para quem não sabe, a cookie dough é um doce tipicamente americano, que basicamente consiste em massa de bolacha com pepitas de chocolate, servida à temperatura ambiente e acompanhado por todos os toppings que a vossa pré-diabetes aguentar. 

 

Aqueles que estiverem já a torcer o nariz por causa da possibilidade de ovos crus sosseguem os vossos corações, apesar da receita original possuir este ingrediente na Donnie Dough conseguiu-se desenvolver uma receita deliciosa evitando a utilização de ovos.

 

Os sabores de cookie dough que estão disponíveis são o clássico, o de Oreo, o de Nutella e o de manteiga de amendoim, sendo que está incluído no preço um topping e um shot de leite.

 

O shot de leite é para tornar a cookie dough ainda mais irresistível.

Normalmente coloca-se a cookie dough dentro do leite, mas tudo é possível, podem verter o leite sobre a cookie dough, bebê-lo de um só trago ou  darem-no como oferenda ao Buda - é convosco!

 

Eu pedi uma cookie dough clássica enquanto o Cara-Metade aventurou-se na de manteiga de amendoim, ambas com topping de KitKat Ruby, um KitKat com uma cor naturalmente rosa sem utilização de corantes artificiais!

 

Ambos concordámos que a cookie dough é deliciosa (apesar do sabor clássico ter-nos conquistado mais que o de manteiga de amendoim que não deixa de ser óptimo), que é uma sobremesa extremamente reconfortante mas que precisava de um shot duplo de leite, para evitar que uma pessoa fique assim meio que embuchada!

 

Aviso desde já que esta iguaria não é para fracos. Se forem daquele tipo de pessoa que torce logo o nariz porque uma sobremesa está demasiado doce (mas mesmo assim comem-na toda e rapam o prato) então provavelmente a cookie dough não é para vocês.

 

Agora se forem gulosos, se gostarem de uma sobremesa bem feita, se quiserem encontrar pessoas simpáticas como a Nélia e o João (as mentes por detrás deste projecto) que vos fazem sentir totalmente à-vontade e se estão mortinhos para fazer o teste que vos elucidará se a vossa paixoneta é para casar ou apenas para umas curtes, a Donnie Dough é o local a visitar!

 

Só para não serem apanhados de surpresa, este não é um estabelecimento comum, mas sim um food truck, já que toda a magia acontece numa moto Piaggio dos anos 90 restaurada e preparada para trazer alegria (e níveis altíssimos de açúcar na corrente sanguínea) a todos os que a forem admirar.

 

Cookie Dough - Donnie Dough

 

Cookie Dough - Donnie Dough

 

Cookie Dough - Donnie Dough

 

Cookie Dough - Donnie Dough

 

Donnie Dough Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

15
Set18

As 5 Coisas Mais Estranhas que Comia quando era Criança


Eu e o Cara-Metade estamos juntos há 4 anos, e 4 anos são tempo suficiente para termos desenvolvido uma grande cumplicidade e estarmos à vontade um com o outro.

 

Já chegámos àquele ponto de equilíbrio em que certo estímulo nos faz dizer a mesma coisa em simultâneo, que compreendemos o estado de espírito um do outro apenas com um olhar e que quando estamos com vontade de libertar um daqueles peidos pantufa mortíferos já nem nos damos ao trabalho de nos levantar do sofá e correr para a casa-de-banho!

 

Porém, ainda há situações que me deixam encavacado.

 

Ontem, estávamos nós no carro, e o Cara-Metade começou a comentar sobre um programa de rádio onde alguém tinha dito que quando era novo gostava de comer Nesquik à colherada.

Pois que para ele era completamente impensável fazer-se isso, e que tipo de pessoa é que vai comer Nesquik à colher.

 

Silêncio sepulcral no carro.

 

É que eu sou uma das pessoas que na minha infância atacava o Nesquik. 

 

Este monólogo do Cara-Metade - que eu permaneci calado em semi-vergonha até chegarmos a casa - fez-me pensar em que comidas estranhas me passavam pela boca quando eu era criança.

 

Recordei-me de 5.

 

Achocolatado em Pó Nesquik

 

Como já referi, eu era uma das pessoas que enfiava colheres de chocolate em pó da Nesquik goela abaixo.

 

Na realidade eu não o fazia por gulodice, mas porque sempre fui uma criança muito atenta e ouvia a propaganda sobre a riqueza do Nesquik em ferro e minerais e vitaminas e pró-bióticos de cadeia simples em posição cis barra trans e não queria que me faltasse nada durante o crescimento.

 

Por isso toca de ficar com a boca e os dentes e a língua toda castanha, tudo em prol do meu saudável desenvolvimento físico e cognitivo.

 

Contras da Ingestão de Nesquik:

 

Além da boca acastanhada, era péssimo quando a colher, em contacto com a humidade da boca, começava a criar uma pasta que depois tínhamos de raspar com a unha e a certo ponto já se nos colava tudo na boca e nem conseguíamos engolir e  havia o risco de fazermos uma pneumonia por aspiração.

 

Também chato era quando estávamos com uma colher cheia de Nesquik e de repente, Atchim, um espirro monumental que enchia-nos a casa de pó castanho.

 

Foi por causa disso que nunca iniciei uma carreira nas drogas.

 

Imaginem estar muito bem a preparar-me para snifar uma linha e dar um espirro gigantesco?

É que o preço da cocaína é ligeiramente mais alto que o do chocolate em pó.

 

Açúcar Amarelo

 

A minha mãe sabia quando eu tinha atacado o açucareiro porque eu, criança com pouco ou nenhum futuro para ser um génio do crime, deixava sistematicamente a colher com uma camada de açúcar cristalizado devido ao contacto do mesmo com a minha saliva.

 

Na realidade a minha ingestão compulsiva de açúcar começou com o branco, mas a minha mãe, numa tentativa de ser saudável, passou a usar o amarelo, que ainda me despertou mais o vício.

 

É que no açúcar amarelo encontram-se aqueles torrõezinhos, e como é bom trincar um deles e sentir a descarga de energia percorrer o nosso corpo.

 

Contras da Ingestão de Açúcar Amarelo:

 

Aumento da probabilidade de desenvolver diabetes juvenil, com risco acrescido de cegueira e amputação de variados membros.

 

Mas o pior era quando deixava açúcar espalhado pela banca da cozinha e no dia a seguir tinha um invasão de formigas.

 

Massa Crua

 

Se havia coisa que eu adorava quando era criança era massa crua.

 

Era uma autêntica máquina de devorar massa, de tal forma a velocidade com que dava ao dente.

 

Se naquela altura o Youtube já estivesse a bombar e a minha mãe soubesse fazer o upload de um vídeo de certeza que me tinha tornado num fenómeno viral e nos dias de hoje em vez de estar aqui a escrever no blog estava a beber Daiquiris enquanto uns moços me abanavam com uma folha de bananeira.

 

A minha predilecção era para o esparguete, muito mais facilmente mastigado pela minha dentição de leite, mas não recusava um bom desafio, como macarrão ou umas temíveis conchas.

 

Contras da Ingestão de Massa Crua:

 

Ficar com todos os espaços entre os dentes carregados de massa, o que nem era assim algo tão mau, era como se fosse um escudo arcaico contra as bactérias nefastas e evitava ter de se usar pasta de dentes.

 

Era apenas desagradável quando enfiava o esparguete boca a dentro com demasiada ganância e espetava um no palato.

 

Doía, mas nem isso era impeditivo para continuar a minha peculiar dieta.

 

Lascas de Bacalhau Salgado Seco

 

Ir ao supermercado com os meus pais era um delírio para mim, não porque eles me fossem comprar jogos ou chocolates mas porque ia ter a possibilidade de estar perto do bacalhau salgado seco.

 

E enquanto há pessoas que pegam nele, avaliam o peso, a cor, o ângulo entre a cauda e a barbatana lateral e o tamanho da hipotenusa do triângulo interno, eu não, eu simplesmente vibrava em tirar às escondidas lascas de bacalhau e chupá-las quase entrando em êxtase.

 

Quando não conseguia tirar uma lasca contentava-me em passar a mão pelo bacalhau e lamber os dedos salgados.

 

Contras da Ingestão de Lascas de Bacalhau Salgado Seco:

 

Primeiro que tudo ficava com uma sede descomunal, nem vinte minutos depois já estava mais seco que um carapau deixado ao sol durante oito horas consecutivas.

 

Havia também a probabilidade de ser apanhado pela polícia e ir para um reformatório durante alguns anos, argumento que a minha mãe usava para me dissuadir de praticar tal vilania e só muitos anos depois é que vim a descobrir que não era verídico.

 

Conchas (as que se encontram no mar, não as de massa)

 

Atenção, eu não comia o conteúdo das conchas.

Mas também não as andava a mastigar, afinal a natureza colocou-me dentes na boca e não uma trituradora de papel.

 

O que eu fazia quando ia à praia era dedicar-me a apanhar conchas de todos os tamanhos e feitios enquanto a rebentação me molhava os pés.

 

Só que enquanto as outras crianças as usavam para fazer colares ou para completarem uma colecção que já ia em mais de 1846 exemplares (dos quais 1842 eram praticamente iguais) eu lambi-as.

 

Gostava de sentir o sabor salgado na minha língua, do cheiro do mar a invadir-me as narinas e de ter um pico de iodo na corrente sanguínea.

 

Contras de Lamber Conchas:

 

O primeiro senão era a probabilidade de vir uma onda maior e me levar enquanto estava à procura das belas das conchas e ter que rezar para que aparecesse uma Pamela Anderson versão portuguesa com uns flutuadores para me salvar de morte certa.

 

Depois o perigo de uma dessas jóias do mar ter um bicho lá dentro e me dar uma valente beliscadela no lábio.

 

Por fim, termos de ouvir os nossos pais a discutir em surdina qual é que seria o melhor anti-psicótico para nos misturarem no leite.

 

 

E vocês, quais são aquelas coisas estranhas que comiam quando eram crianças?

 

12
Set18

Cooperação Brasil-Portugal à Mesa!


Quando eu era pequeno não gostava de queijo.

Era uma criança estranha, porque também não gostava de bolos, a única coisa que suportava comer era um palmier simples, sem nada de recheio.

 

Os anos passaram e o meu palato transformou-se, porque presentemente enfardo bolos a uma velocidade astronómica e o queijo, bem, o queijo é uma autêntica perdição para mim.

 

Agora, depois desta pequena nota auto-biográfica, imaginem que morreram e foram parar ao céu do queijo.

 

Esse local certamente ia chamar-se Aromas e Temperos, um restaurante pequenino em Arroios onde os sabores brasileiros são complementados com toques portugueses dando origem a pratos de fazer afogar a nossa língua num pequeno lago de saliva.

 

É verdade que nem todos os pratos levam queijo (o restaurante nem pretende ser um cheese-bar ou coisa similar) mas para mim o Aromas e Temperos é sinónimo de óptima comida e queijo muito bom.

 

Eu e o Cara-Metade começámos a refeição com uma cesta de pães e coisinhas saborosas, que vinha com um pão de queijo da Ilha de São Jorge quentinho e delicioso, de fazer lágrimas de alegria nos olhos, uns palitos de mandioca e umas tiras de pães onde podíamos barrar um óptimo queijo ou colocar em cima um apetitoso mini-mozzarella.

 

Depois vieram uns croquetes de alheira divinais, acompanhados por um ketchup de goiabada (pessoalmente acho que ainda ficaria melhor se viesse com uma maionese de goiabada), e ao mesmo tempo aterraram na nossa mesa seis unidades de pastel de queijo, crocante, bem recheado, com um queijo soberbo.

Se pudesse tinha comida mais uma dúzia dos pastéis, de tão bons que estavam.

 

Normalmente eu e o Cara-Metade pedimos pratos principais diferentes para experimentarmos o maior número de coisas possíveis, mas desta vez foi impossível resistirmos ao Escondidinho.

 

Um prato tipicamente brasileiro, com carne de sol (uma carne seca desfiada que é feita por eles, algo muito difícil de encontrar em Lisboa), com um puré de batata doce de polpa laranja assada, com uma crosta de queijo gratinado de fazer perder a cabeça.

 

O Escondidinho é bem servido e enche, muito graças à batata doce, por isso se já tiverem atacado as entradas sem dó nem piedade talvez devam considerar em dividir esta delícia.

 

Algo que é mesmo para dividir é o brigadeiro de chocolate com cachaça e farofa crocante de castanha de caju e tiras de citrinos do Algarve. É um creme denso de chocolate amargo, mas quando eu digo denso é mesmo denso, de ser difícil de tirar com a colher.

 

A sobremesa é deliciosa, fantástica mesmo (podia talvez ter um bocadinho mais de cachaça), mas eu, guloso-mor de Lisboa e arredores teria dificuldade em a comer sozinho, porque para mim é demasiado chocolate (não me mandem pedras pessoas que acham que não há tal coisa como demasiado chocolate!).

 

A visita ao Aromas e Temperos serviu para me relembrar que não é preciso tudo correr perfeitamente bem ou ser impecavelmente infalível para um almoço ou jantar ser cinco estrelas.

 

Cinco ou seis pratos não estavam disponíveis de momento, visto o restaurante ter estado fechado para férias até à relativamente pouco tempo e ainda não estar tudo novamente nos eixos, mas avisaram-nos de tal logo no início antes de escolhermos e pediram desculpas por isso tanto no começo como no fim da refeição.

 

O nosso pedido de pastel de queijo foi trocado por um de carne, mas mal apontámos o erro foi-nos resolvido na hora, de forma simpática e atenciosa, sem olhares de esguelha nem resmungos.

 

Apesar dos pequenos contra-tempos não senti que eles tivessem sido impeditivos para eu me sentir bem acolhido, confortável, respeitado e valorizado como cliente, ao mesmo tempo que me deliciava com boa comida feita com técnica e com carinho.

 

E acreditem, não são todos os restaurantes que possuem esta capacidade de nos fazer pertencer a um sítio mesmo quando nunca lá tínhamos ido antes!

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

Restaurante Brasileiro Aromas e Temperos

 

 

Aromas e Temperos Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

09
Set18

Dinastia Tang


Sabem quando escolhem um prato num restaurante que não fazem ideia do que é mas que por alguma razão que desconhecem, talvez seja um alinhamento astronómico ou coisa que o valha, têm a certeza que vão adorar?

 

Pois bem, foi o que me aconteceu ontem quando visitei o Dinastia Tang.

Mas vamos por partes

 

Tal como vos contei aqui, ontem foi o dia do reencontro com o Macaco José, reencontro este que foi demorado, porque tudo em Portugal demora (não é apenas em Portugal mas pronto deixem-me ser queixinhas pode ser?).

Quando a situação ficou resolvida já passava um pouco das 14 horas e almoço nem vê-lo.

 

Depois de uma rápida troca de ideias eu e o Cara-Metade resolvemos ir almoçar ao Dinastia Tang, um restaurante chinês situado em Marvila.

 

Único problema, fechava às 15h!

 

Quando chegámos demos de cara com dois lances de escadas que não são para asmáticos nem para quem sofre de angina de peito, mas como a fome apertava galgámos os degraus e ficámos de boca aberta (em parte pelo esforço mas sobretudo pela surpresa) quando chegámos ao andar de cima.

 

O espaço é lindo, grande, arejado, muitíssimo bem decorado.

Vale muito a pena visitar nem que seja para perdemos o nosso olhar em todos os detalhes, desde as mesas de refeição e acabando na casa-de-banho.

 

Sentámos-nos numa das mesas mais resguardadas que, aviso já, não foram concebidas a pensar em pessoas com mais de um metro e oitenta de altura.

Para conseguir ficar minimamente perto da mesa tive que torcer as pernas num ângulo um pouco estranho, por isso se forem pessoas cujos pais deram fertilizante quando eram novas evitem estas mesas.

 

Fomos muito bem atendidos mas pediram-nos para sermos céleres no nosso pedido visto que a cozinha fechava em breve.

Entregaram-nos para a mão um menu lindamente encadernado, com a história do restaurante e os ingredientes mais comummente usados: um regalo para a vista.

 

O pior é que havia muitas opções de escolha, ou seja, não é um menu pequeno, e uma pessoa quando está em contra-relógio ainda fica mais indecisa sobre o que escolher, por isso confesso que acabei por não ver metade do menu e confiar no meu instinto.

 

Para entrada veio uma sopa de peixe para o Cara-Metade, muito saborosa e muito espessa, resultante da adição de amido de milho como depois nos explicaram, e que nós pensávamos ser devido ao uso de agar-agar.

Para mim, uma sopa à Pequim, com um maravilhoso equilíbrio entre os sabores ácido e picante.

 

Ambas as sopas foram servidas com taças e colheres que à primeira vista podem parecer ser de plástico mas não, são de melamina, o melhor material que pode ser usado num restaurante a nível de HACCP.

 

Depois, para partilhar, vieram para a mesa uns pães chineses, conhecidos como baos, recheados com porco e mel, repletos de sabor e muito bem cozinhados.

Pena que a parte estética do bao estava incorrecta, já que a "costura" devia ficar escondida na parte de baixo, e não na parte de cima, abrindo-se e mostrando o seu interior, perdendo algum do seu deslumbramento.

 

Para prato principal o Cara-Metade escolheu uma dose muito bem servida de frango com tâmaras chinesas e bagas Goji e eu fechei os olhos e ouvi a voz que me ecoava nos seios peri-nasais dizendo que o entrecosto à Hong Kong ia ser fantástico.

 

Não fazia ideia do que era, não perguntei quais os ingredientes, confiei e pedi.

 

Quando veio um entrecosto a nadar num molho de mel, um rio de baba correu-me pelos cantos da boca.

 

Vocês sabem que eu sou aquele tipo de pessoa que adora ficar com os dedos lambuzados, que lambe o prato, a faca e o tampo da mesa se for possível.

Por isso, este entrecosto foi a minha perdição.

 

No fim, ainda comi um bocado do molho à colherada mas lembrei-me a tempo que ainda era muito novo para começar já a ter artérias coronárias entupidas e controlei-me!

 

A refeição podia ter acabado de uma forma muito positiva se não tivéssemos tido a ideia de perguntar se havia sobremesa.

 

Como nos esqueceram de perguntar no início da refeição se a queríamos (mas também quem é que antes de começar a comer sabe se lhe vai apetecer sobremesa?) era de todo impossível fazerem uma das sobremesas da lista.

 

Isto porque os funcionários chineses da cozinha não gostam de trabalhar nem um minuto depois da hora (atenção, isto foi-me dito, não sou eu que estou a inventar teorias) por isso sobremesa que é boa só se fosse uma banana split com gelado.

 

Eu sei e entendo que a hora de trabalho de cada um é para cumprir, mas num restaurante talvez devesse haver um bocadinho nada mais de flexibilidade.

Eu no meu trabalho quando saio às 20h se houver pessoas para atender nem que fique até às 20.30h mas tenho de as atender, não posso simplesmente pegar nas minhas coisas e dizer adeus e até amanhã!

 

Mas pronto cada um gere o seu negócio da forma que achar mais correcta, eu é que fiquei decepcionado porque já estava a pensar em aumentar um bocadinho mais a minha diabetes!!!

 

 

Dinastia Tang 

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Dinastia Tang

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28
Ago18

Kafeine - Coffee and Brunch


Sabem aquelas revistas de culinária cheias de receitas onde uma está destacada a negrito como aquela que Se fizer só uma, faça esta?

 

Pois bem, quando forem ao Kafeine é essencial provarem as tostas com manteiga de wasabi.

 

Mas vamos por partes.

 

Na minha demanda para encontrar locais onde tomar o brunch em Lisboa sem ficar automaticamente pobre, descobri um espaço recentemente aberto no Tivoli Fórum, em plena Avenida da Liberdade.

 

O Kafeine descreve-se como um espaço industrial-tropical, e quem é a pessoa que vocês conhecem que também tem um estilo industrial-tropical?

A Ana Malhoa!

E quem é que adora a Ana Malhoa?

A minha pessoa!

Por isso era o universo a enviar-me sinais de que o sítio onde eu devia estar era no Kafeine.

 

Depois de cinco minutos perdido (quando descerem as escadas rolantes para o piso da restauração não vão em frente, virem-se para a direita e para trás) encontrei o espaço, facilmente identificado pela esplanada cheia de plantas.

 

Lá dentro perdemos a noção de localização geográfica.

A parede cheia de macacos que só me faziam lembrar os da Frida Kahlo, as paredes de cimento, a iluminação, a música ambiente, as cadeiras e mesas de diferentes alturas, tudo dava a sensação que tanto poderíamos estar em Lisboa como na Cidade do México ou em Nova Iorque.

 

Mas e o brunch perguntam vocês?

 

Primeiro que tudo é barato.

13 euros para um brunch na Avenida da Liberdade é quase dado. Por eu isso eu se fosse a vocês apressava-me antes que o preço suba.

 

No brunch está incluído uma torrada ou ovos, fruta e iogurte-granola, uma pan-cake (não é erro de escrita, é mesmo assim) e um sumo ou uma bebida quente.

 

E é tudo delicioso e impecavelmente bem feito.

 

O iogurte e a granola são irresistíveis; os ovos benedict são bem cozinhados, com um molho holandês irrepreensível e ficam ainda mais gulosos porque são acompanhados de bacon; o sumo de amora e manjericão é óptimo.

 

Quanto à pan-cake, não é aquela panqueca fininha que estamos habituados a ver, mas sim um verdadeiro bolo de frigideira, alto, fofo, de fazer escorrer água pelos cantos da boca.

 

É acompanhado com fruta fresca, granola e um topping à escolha e é simplesmente memorável (apesar da granola na panqueca para mim ser dispensável e preferir que a fruta viesse ao lado de forma a conservar a sua frescura).

 

Além do brunch decidimos provar uns tacos al pastor, que para tacos não tinham nada a apontar mas para serem al pastor senti que pecaram pela falta de ananás, coentros e cebola e por um pequeno excesso de molho barbecue (adorei foi o facto de no menu haver um link para um artigo onde ensinam a comer de forma adequada os tacos sem ficarmos sujos da cabeça aos pés!).

 

Mas onde é que raio estão as tostas com manteiga de wasabi?

 

Já lá vamos!

 

Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

 

Quando terminámos a refeição eu e o Cara-Metade ficámos com um mix-feeling, por um lado muito satisfeitos com as nossas escolhas mas por outro com pena porque havia outros pratos que nos tinham piscado o olho.

 

Por isso fizemos algo que não é nosso habitual, um par de semanas depois voltámos ao Kafeine, um bocadinho com medo que algo nos fizesse gostar um pouco menos do espaço.

 

Medo infundado, foi tudo excepcional.

 

Desde a água Kafeine, especialmente purificada por eles (sim ao que parece há locais que usam filtros XPTO para servirem água de qualidade superior e o Kafeine é um desses sítios), passando pelo couvert - guacamole, pico de gallo e tortilla chips - e terminando em todos os pratos que provámos (confesso que fomos super lambões porque provámos imensa coisa, mas apesar de termos acabado a refeição cheios não ficámos com aquela sensação de peso e indigestão como muitas vezes acontece!).

 

Relativamente aos pratos embarcámos numa viagem pelo mundo, e é fantástico ver a quantidade de pormenores, mestria e carinho que são colocados em cada um deles.

 

Desde o Pho Vietnamita para comer com pauzinhos (e que eu aconselho a comer bem quentinho) onde se encontra um equilíbrio ácido-picante da lima e da malagueta, aos Cous-Cous Ptitim de Marrocos enriquecidos com romã, alperce e limão preservado, terminando na América do Sul com um saborosíssimo Ceviche de Quiona, ceviche este que era acompanhado pelas tostas com manteiga de Wasabi.

 

E estas tostas minha gente, estas tostas eram qualquer coisa de outro mundo. Se eu pudesse tinha ido à cozinha e enfiado a língua na manteiga de Wasabi de tão boa que era! Por favor, provem!!!

 

Ainda enfiámos o dente no Burguer 100% Vaca com marmelada de cebola e um óptimo pão bretzel tostado, acompanhado com chips de batata doce, uma deliciosa maionese de chipotle e salada (e aqui a salada não são cinco folhas de alface deslavadas, tem, entre outros, rabanetes e azedas) e no Beet, um pão multigrãos com beterraba assada, queijo feta, tahini e tâmaras, simplesmente divinal.

 

Para encerrar, um café especialidade, não fosse o nome do espaço Kafeine, 100% Arábico, 100% do Brasil, sem misturas e com um sabor que vai fazer o delírio dos verdadeiros amantes do café, e uma fatia de bolo da casa, com banana e nozes-pecan, muito guloso mas um bocadinho de nada mal cozido na ponta (pessoalmente preferia que em vez da banana desidratada no topo viesse com banana fresca mas gostos são gostos!).

 

Resumindo, seja para Bruncharem ou terem um almoço mais rápido ou aventurarem-se numa volta ao mundo o Kafeine é o local que devem conhecer.

 

Com um ambiente moderno e relaxado, com um atendimento simpático e prestável, com opções saudáveis (entre elas algumas vegetarianas e sem glúten) e outras não menos saudáveis mas mais pecaminosas, o Kafeine é com certeza um sítio onde vou voltar muito brevemente.

 

Nem que seja para pedir que me dêem um "tamparulero" com manteiga de wasabi!

 

Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

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Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

Kafeine

 

 

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26
Ago18

Bermelho


Considero-me uma pessoa de muito boa boca, ou seja, se me convidarem para tomar uma refeição em vossa casa não precisam de se preocupar por aí além com o que me vão servir, há 98% de probabilidades de eu gostar e até de pedir para repetir.

 

As únicas coisas a que eu torço o nariz, mas mesmo assim ingiro, são couves-de-bruxelas e tripa enfarinhada.

 

Por isso é quando eu e o Cara-Metade visitámos o Bermelho (assim mesmo com sotaque do norte) juntamente com uma amiga, eu arrepiei-me todo quando ele pediu para entrada a tripa enfarinhada, porque fazendo jus às minhas memórias aquele prato não era de todo a minha praia.

 

Conclusão, a nossa amiga "desgostou" apenas um pedaço, o cara-metade conseguiu comer meia dúzia, e eu tive de acabar uma tigela enorme de tamanha iguaria.

 

Foi complicado mas lá consegui, e o problema maior nem é o sabor, mas sim o cheiro. Peço desculpa pela honestidade mas as tripas enfarinhadas cheiram a cocó, e é um cheiro que fica entranhado nas unhas e nos acompanha o resto do dia causando pequenas múltiplas regurgitações!

 

Seria injusto associar o Bermelho somente às tripas, porque o resto da refeição foi bastante agradável.

 

O sumo de morango e maçã é delicioso e as tirinhas de frango com molho agridoce, que nos foram sabiamente sugeridas eram viciantes tendo sido comidas num ápice.

 

Para pratos principais vieram para a mesa um hambúrguer do caco, com cebola crocante, ovo estrelado, bacon e um irresistível molho burguer, que tinha um óptimo sabor mas que estava um bocadinho de nada seco; e duas pizzas romanas, uma de salmão fumado, que além do salmão vinha guarnecida com rúcula e mozzarella fresca, e uma tropical, com banana, abacaxi e manga (finalmente fiz-me homem, ignorei as muafas do meu mais que tudo e pedi pizza com fruta!).

 

Que as pizzas estavam boas isso é inegável, mas poderiam ainda ser melhores se viessem ligeiramente mais quentes e se a fruta da Tropical tivesse ido ao forno de forma a caramelizar, ficando com um sabor ainda mais delicioso.

 

O Bermelho é um bar de praia acima da média do que se encontra por este país fora, com um espaço amplo e agradável para se passar um par de horas.

 

O atendimento foi fenomenal: simpático, profissional, rápido e prestável!

 

A única coisa que mudaria era as moscas chatas que andavam por lá, volta e meia pousando-nos na mesa (ter em atenção que fiquei na zona interior do estabelecimento!).

 

Agora não sei se é costume isso acontecer ou se foi devido ao cheiro horrivelmente característico das tripas!

 

(Infelizmente por razões tecnologicamente desconhecidas a foto da pizza de salmão não ficou gravada no telemóvel, mas acreditem quando digo que tinha muito bom aspecto!)

 

Bermelho

 

Bermelho

 

Bermelho

 

Bermelho

 

Bermelho

 

Bermelho

 

 

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26
Ago18

Barba Azul - O Melhor Sushi em Aveiro


Confesso que padeço de Lisboa-centrismo, ou seja, aquela ideia de que tudo se passa em Lisboa e que tudo o que é de bom vai-se encontrar na capital do país.

 

Não sei como é que desenvolvi tal patologia, já que os meus pais são de Castelo Branco e eu vivi grande parte da minha vida em Sintra, por isso nem sequer me posso considerar um lisboeta de gema, daqueles que vão desfilar nas marchas populares com seixos escondidos nas cuecas para arremessar à cabeça dos bairros adversários.

 

Por isso é que não quis acreditar quando o Cara-Metade me disse que o melhor sushi da vida dele tinha sido em Aveiro.

Se me tivesse dito que tinha sido em Odivelas ou em Almada eu ainda podia acreditar, agora em Aveiro não havia hipótese de tal acontecer.

 

Foi um estalo de luva branca quando ele me levou ao Barba Azul, na Praia da Barra, com vista para o farol e com um cheiro a maresia a inundar as narinas.

 

Um espaço jovem e moderno, bem iluminado e repleto de obras de arte, onde até a casa-de-banho está repleta de detalhes deliciosos (quando cheguei com a bexiga apertadinha temi pela minha vida pois não percebi onde é que era o wc já que ele está ocultado por uma porta que se funde com a parede).

 

Podia ser apenas um local in, mas não, o Barba Azul é o restaurante onde melhor comi sushi até hoje.

 

A aventura começou com uns camarões crocantes panados em amêndoa, que estavam simplesmente deliciosos.

 

Logo a seguir um temaki à Barba Azul, de salmão e pasmem-se, vieiras panadas e fritas.

Enrolado na perfeição, com recheio até ao fundo, este temaki foi a prova viva que conseguimos ter a quantidade de humidade suficiente de forma a não ficarmos com um pedaço de alga seca na boca sem termos de usar quantidades industriais de queijo philadélphia.

 

Depois o combinado de sushi e sashimi, servidos num prato espelhado cujo reflexo fazia engraçados padrões no tecto, onde o difícil foi saber o que enfiar à boca primeiro.

 

Apesar de estar tudo delicioso a minha perdição foi para o sashimi de garoupa e para uma peça com lula.

Não posso deixar de referir a presença de rodelas de lima na base de várias peças que tinham como finalidade dar um toque acídico à paleta de sabores.

 

Eu e o Cara-Metade já estávamos confortáveis, a finalizar a nossa champanhada e chá de gengibre (finalmente um sítio onde o chá de gengibre sabe a gengibre), mas decidimos que queríamos mais alguma coisinha para aconchegar o estômago.

 

Sugeriram-nos um sex on the beach que veio para a mesa com uma apresentação incrível, com um pedaço de arroz de sushi a fazer de almofada para uma toalha feita de folha, que era a cama para umas fantásticas peças de sushi quente com framboesa e amaranto.

 

Podíamos ter terminado por aqui e teria sido o melhor sushi da minha vida, mas a sobremesa levou-me ao delírio.

Quase tive um orgasmo similar ao que a Sandra Nobre teve num dos seus programas do 24 Kitchen.

 

Imaginem um Gunkan de salmão, arroz, morango e gelado montado numa rodela de lima. Vocês pegam na rodela e enfiam tudo na boca como se fosse um shot.

 

E nesse momento descobrem que existe paraíso. E percebem que a vossa vida depois desta experiência nunca mais será a mesma.

 

Se estiverem pela zona de Aveiro vão, por favor, ao Barba Azul.

Reservem mesa porque o espaço está sempre cheio e tenham alguma paciência porque o serviço não é dos mais céleres, mas se há sítio onde valha a pena ser paciente é este!!!

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

Barba Azul - Sushi Aveiro

 

24
Ago18

A Tasca que me fez Voltar a Apaixonar


À primeira vista posso não parecer mas sou um amante de tascas, mas sou aquele amante moderado, que quer uma relação sem compromisso e com abertura a novas aventuras amorosas.

 

Ultimamente eu e as tascas não temos estado em sintonia, ou porque são demasiado autênticas e eu estou numa fase onde não quero ser atendido por alguém que esteja a palitar os dentes nem tomar uma refeição num sítio a pingar gordura, ou porque estão feitas para turistas, com preços para turistas e comida para turistas.

 

Por isso, quando fui ao Petisco Saloio ia com os dois pés atrás, porque algo me dizia que ia ficar desapontado.

 

Mas o meu instinto estava totalmente errado, e difícil foi sair de lá, de tão enamorado que estava com o espaço, com o atendimento e sobretudo com a comida.

 

O Petisco Saloio é um espaço não muito grande mas que ganha pelo facto de ter uma esplanada, com uma decoração clean que deixa o espaço respirar e uma escolha musical perfeita para os meus ouvidos - enquanto lá estive perdi-me na sonoridade do fado e da música popular brasileira.

 

Aberto há poucas semanas, o Petisco Saloio promete sabores tradicionais e lembranças dos cozinhados das mães e das avós, mas com pequenos twists que relevam que existe um conhecimento aprofundado por detrás da simplicidade de cada prato. Promete e cumpre!!

 

Nos couverts a minha perdição foi o queijo curado, alentejano e extremamente saboroso. O cara-metade apaixonou-se pelos saquinhos do pão, de tal forma que tive medo que ele ainda surripiasse algum (às vezes a paixão leva-nos a agir de forma pouco ponderada) mas sosseguei quando vi que ele tinha ficado mais interessado no conteúdo!

 

A refeição começou com uma patanisca de bacalhau, que ainda não se encontra no menu, mas que nos desafiaram a provar servindo de cobaias.

 

Um sabor rico e inigualável que invadiu todas as papilas gustativas é a característica principal desta patanisca. Com algumas afinações relativamente à textura densa que precisa de ser aligeirada e ao pouco de óleo a mais que ela apresenta quando chega à mesa e estamos perante uma patanisca que tem tudo para ser conhecida como "A melhor de Lisboa"!

 

De seguida vieram para a mesa moelas. E eu não me farto de dizer que adoro moelas, tenho uma autêntica perdição por moelas. E estas estavam tenras, saborosas, quase perfeitas, não fosse o molho ter um bocadinho a mais de cominhos para o meu gosto.

 

Ainda estava a pensar nas moelas quando chega à mesa o piano assado.

Se puderem provar apenas uma entrada que seja esta. Uma espécie de ribs à portuguesa, feito no forno com um toque doce, com a carne a soltar-se divinamente do osso, são a perdição de qualquer um. Garanto-vos que vão lamber os dedos, lamber o prato, chupar o osso.... e ninguém vos vai condenar por isso!

 

O choco frito é o prato perfeito para se perceber que esta cozinha de conforto possui técnica elaborada por detrás. Se o pedirem inicialmente vão ficar surpresos porque não é exactamente igual ao choco frito que se come noutros locais. O choco esse continua a ser suculento, mas vem encapsulado numa tempura de farinha de trigo e de milho, estaladiça e saborosa. Vale a pena experimentar.

 

Nesta altura já estava praticamente a rebolar, mas ainda estava para vir o arroz de gambas. Eximiamente bem confeccionado, com farta quantidade de gambas, um arroz carolino no ponto e um sabor extraordinário que lhe foi dado por uma bisque seguramente bem apetrechada.

 

O meu estômago já estava mais que dilatado, mas quando me perguntaram se queria sobremesa não consegui dizer que não. 

 

Só que receei, não pela minha vida, mas por todo o encantamento que tinha pelo local.

 

É que normalmente as sobremesas nas tascas são coisas assim sensaboronas, pouco apelativas, e que nos deixam um sabor amargo na boca.

 

Dei um salto de fé e pedi o doce da casa, aquele doce que tem tudo e mais alguma coisa, bolacha, chocolate, nata batida, leite condensado, confettis, raspa de meteorito, flatulência de alien, etc, etc, etc...

 

Levei uma colherada à boca e......era delicioso!!!

Juro que me veio uma lágrimazinha ao olho de emoção.

 

No fim ainda bebi um copo de abafadinho.

Não bebi para esquecer mas sim para brindar ao facto de ter descoberto o local que me fez voltar a apaixonar pelas tascas!

 

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio

 

Petisco Saloio Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

22
Ago18

Happy


Não vou esconder. Fui ao Happy pelo Zomato Gold e pelos gelados de alheira.

O Zomato Gold não teve qualquer problema mas afinal os gelados eram "gelados".

Mas já lá vamos.

 
Existe uma nova cena gastronómica a nascer na Amadora e, ou muito me engano, ou daqui a dois anos vai ser um dos locais fortes da área metropolitana de Lisboa no que toca a restauração. O Happy faz parte de um grupo inicial de restaurantes desbravadores de caminho, e foi com entusiasmo que o fui conhecer, juntamente com o cara-metade e um casal amigo.
 
Já sentados, recebemos um menu que - achava eu - era de um Happy que tinha aberto há poucos dias. Pessoalmente considero que o seu grafismo não se enquadra no tipo de restaurante que o Happy pretende ser. 
Só que por outro lado, depois de no fim da refeição ter trocado umas palavras com o Chef, fiquei na dúvida se o Happy não estaria a passar por uma crise de identidade. Ali entre o vou ser diferente e mudar a zona onde me insiro e o ai não deixa-me estar sossegado e fazer o que eu acho que as pessoas querem!
 
Mas falemos de comida.
 
O couvert, simples mas irrepreensível, deixa brilhar bem o seu presunto que é uma verdadeira delícia.
 
Para entrada, pedimos camarões crocantes. Não havia. Pedimos então espetadas de frango. Não havia.
 
E se há coisa que mais me deixa frustrado é depois de ficar quinze minutos a decidir o que vou comer (sim sou uma pessoa extremamente indecisa em certos dias do ano) dizerem-me que afinal não há!
 
Nem vou pedir que usem o sistema de cruzinhas ou bolinhas ou smiles com caras tristes no menu, basta que o empregado no momento de sentar os clientes à mesa informe o que há e o que está indisponível!
 
Vieram então para a mesa umas asinhas de frango com molho barbecue que não desiludiram, chamuças com um recheio muito saboroso e os tão aguardados gelados de alheira.
 
Só que eram "gelados", porque na realidade de gelado apenas o formato, com um cone bem executado (mas ligeiramente mole em pelo menos um deles) e uma maionese agridoce a acompanhar uma pequena porção de alheira!
Confesso que foi uma machadada dura no meu imaginário onde me visualizava a lamber extasiado uma bola fria com sabor a alheira.
 
Seguiu-se a perdição do cara metade, um prego em bolo do caco de bochechas de porco confitadas a baixa temperatura. Estava tão bom que foi difícil conseguir que ele me deixasse experimentar um bocadinho minúsculo.
 
Para mim veio um bitoque de lombo de atum fresco, delicioso, bem confeccionado, com um molho de elevada qualidade capaz de acompanhar a nobreza da peça do lombo de atum.
 
Ainda provei o polvo assustado, que apesar de estar bem cozinhado, pecava por algum excesso de gordura na combinação do prato.
 
O que pessoalmente não me agradou (e isto é o meu gosto pessoal atenção) foram as decorações dos pratos.
Que sim podem mostrar talento e versatilidade e tudo e tudo e tudo, mas para mim só causam barulho visual. É suposto passar o dedo e lamber as decorações? Elas acrescentam algo na palete de sabores? Não consigo deixar de sentir que este tipo de apresentação possa ter sido um must-have há 10 anos atrás, mas nos dias de hoje não faz sentido!
 
Deixei o Happy não muito happy mas mais com um sentimento de pena, porque se ignorar a desilusão relativa aos gelados a comida é muito boa e o potencial está lá.
 
Só que um serviço com uma empregada simpática mas sem aquele entusiasmo que cativa o cliente, juntamente com um tempo de espera injustificável por uma sangria de espumante (que por sinal estava muito boa) e uma quase intoxicação por um produto de limpeza insuficientemente diluído que usaram para limpar a mesa ao lado enquanto estávamos a comer, mais os detalhes que referi anteriormente, fizeram que uma refeição que podia ser memorável não o tenha sido.
 
Mas hei-de voltar, nem que seja para experimentar a sangria de cerveja, coisa que eu, pessoa que vive debaixo de uma pedra, nunca tinha ouvido falar! 
 
 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

Happy Comida Caseira

 

 
 

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19
Ago18

O Quintal


Há muitos anos atrás ir jantar na Amadora era sinónimo de ir comer um hambúrguer no centro comercial Babilónia e acender uma vela a pedir a protecção divina para voltarmos para casa com todas as peças de roupa no nosso corpo.

 

Pronto, confesso que posso estar ligeiramente a exagerar, mas há uns 15 anos atrás o panorama da cidade era completamente diferente daquele que encontramos hoje, apesar de ainda haver muito caminho para ser feito.

 

Agora é com satisfação que vejo que começam a aparecer restaurantes com qualidade que tem a capacidade de fazer as pessoas sair do centro de Lisboa e rumar a zonas mais periféricas.

E depois  é uma bola de neve.

Quanto mais pessoas começarem a visitar zonas consideradas menos nobres mais estabelecimentos vão abrir para aproveitar o boom de visitantes, e mais estabelecimentos significa ainda mais pessoas.

 

O Quintal é um dos restaurantes que faz com que a Amadora esteja na boca do povo, e tem boas razões para isso.

 

Quando se chega tem que se bater à porta, mas não de uma forma desconfortável, como quando queremos sair à noite e não sabemos se o porteiro nos vai deixar entrar, é mais como se estivéssemos a chegar a casa de uns amigos de longa data.

 

Ao entrar-se somos atingidos a alta velocidade com toda a surpresa.

 

Primeiro uma antecâmara que é uma autêntica sala de visitas, onde nos sentamos a aguardar um pouco que nos levem à mesa.

Depois, atravessado um pequeno corredor, chega-se à sala de jantar, um local espaçoso com todas as paredes de um tom cinzento que nos fazem questionar se o edifício ainda está em construção, exceptuando uma, pintalgada de enésimos tons, como se um adulto com uma crise de diabetes a tivesse atacado em vez de pintado. Cada cadeira é da sua nação, o que corrobora o sentimento de que estamos num local familiar onde podemos ser nós mesmos.

 

A refeição começou com uma manteiga aromatizada com coentros e um toque de endro, que foi gulosamente espalhada pelas diversas variedades de pão que se encontravam na mesa. Havia outras pequenas entradas que apesar de terem bom aspecto não foram provadas.

 

Agora confesso-vos, se eu soubesse que as moelas que pedi para entrada eram assim tão fantásticas tinha racionado melhor o pão, porque depois de as devorar todas sobrou-me tanto molho e nada para molhar nele.

Perdi a vergonha (que já não é muita) e toca de besuntar o dedo - vale a pena!

 

Para a mesa também vieram uns estaladiços de alheira com grelos e molho agridoce, que mal vi no menu tive bastante curiosidade em experimentar.

 

Foi um mix-feeling. Por um lado a massa estava irrepreensível, e o toque do agridoce nos lábios transportava-nos para um ambiente asiático para rapidamente voltarmos para terras lusas com o sabor da pasta de alheira e grelos. Por outro, tive pena que o rácio massa:recheio estivesse algo desequilibrado. Tinha gostado de ver menos massa e mais recheio, de forma a harmonizar a experiência.

 

Nos pratos principais a minha escolha recaiu para uns bem confeccionados lagartinhos com batata frita caseira acompanhada de uma maionese de alho, enquanto que o cara-metade cravou o dente numas saborosas (mas ligeiramente frias) costeletas de borrego com esparregado.

 

Para a sobremesa (e tenho aqui já a dizer que achei que o valor desta estava um bocadinho upa upa puxadote) trouxeram-nos à mesa todas as opções para que os olhos pudessem comer antes do estômago.

 

Decidimos dividir uma banoffee, e não foi mau, mas também não foi memorável.

 

Percebo que possam ter tentado criar a base da banoffee com um crumble mas no meu gosto estava um bocadinho duro demais para ser agradável além de ter sentido falta de mais banana fresca - uma rodelinha no topo não alegrou o meu dia.

 

O atendimento no Quintal foi fantástico, muito simpático e prestável, apesar de achar que talvez quando estamos a lutar contra uma costeleta de borrego mordendo-a furiosamente não seja a melhor altura para perguntar se já terminámos, mas pronto, isto sou eu a ser comichoso!

 

Se vale a pena visitar o Quintal?

 

Vale sim senhor. Pela surpresa que o espaço nos transmite, pela qualidade da comida e pela simpatia do atendimento. Há pequenos detalhes a melhorar é certo, mas quando saímos porta fora a sensação que fica é que foi tempo e dinheiro bem empregue!

 

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

 

O Quintal Amadora

 

 

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

O Quintal Amadora

 

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