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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Ama-te (uma carta ao meu Eu futuro)

18.04.18, Triptofano!
As letras rabiscadas dirigidas ao meu Eu futuro olham-me atravessadas de escárnio, por pedir a alguém que seja capaz de conjugar um verbo que eu sucessivamente teimo em falhar.   Ridículo é o facto de ter a plena consciência que o presente é um perene limbo entre o passado e o futuro; o momento do agora não é sequer um espaço delineado entre dois pontos, é uma fracção de milésima de segundo que separa o que já foi daquilo que vai ser.   O presente não é mais que um (...)

Um amor. Duas muralhas.

09.04.18, Triptofano!
Considerar o amor como uma dicotomia seria amputar a amplitude do sentimento, catalogando-o numa escala de branco ou preto, desprezando todos os tons intermédios de cinzento.   O amor é plurifacetado, sendo que a sua vertente mais cruel é a unilateralidade da emoção.   Gonçalo era a mais honesta representação desta forma de amor, semi-encostado contra o zumbido metálico do antigo frigorífico, enquanto as mãos puídas apoiadas no tampo da mesa esperavam a meia de leite e a (...)

Cheguei e...

02.04.18, Triptofano!
Cheguei e... encontrei o apartamento submerso num profundo silêncio.   Não encontrei réstias dos gritos delicados dela enquanto corria pelas divisões da casa, do barulho metálico que emanava do televisor sempre sintonizado num canal de notícias estrangeiro, nem sequer do tamborilar nervoso dos dedos dele no tampo da mesa enquanto comia sucessivos longos cigarros que lhe pendiam do lábio frouxo.   Já passava há muito da hora de jantar.   Fechei a porta atrás de mim com um (...)

Morre com memórias não com sonhos

27.03.18, Triptofano!
O sonho é a coisa mais destrutiva do Universo. Com um potencial de devastação maior que um terramoto, que um meteorito, que uma bomba de hidrogénio ou que um míssil intercontinental. Não existem campanhas políticas, referendos, manifestações ou discursos de personalidades públicas que possam levar à cessação do acto de sonhar. É algo incontrolável, e a falta de controlo é por si só algo muito perigoso. Os sonhos cada vez estão maiores, mais complexos, mais exigentes. (...)