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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Surpresa no Frigorífico

10.11.20, Triptofano!

Comprar uma casa é um grande passo na vida de qualquer pessoa, porque não é a mesma coisa que comprar aquelas cuecas super sensuais com rendas e depois descobrir que não dá para as levar para o trabalho porque se enfiam todas no rego do cu.

Dou este exemplo mas não é que eu já tenha passado por isso, visto que normalmente as cuecas que levo para laborar não tem a parte de trás, algo que incomoda bastante a senhora minha mãe, que volta e meia telefona-me a reclamar que não as consegue passar a ferro como deve de ser.

Na primeira vez que visitei a casa da qual agora sou co-proprietário, juntamente com o Cara-Metade, gostei imediatamente dela, mas houve algo que me deixou ligeiramente incomodado: um cheiro a surro que se entranhou em todos os meus poros.

Imaginem que alguém correu uma maratona sem meias e desenvolveu um fungo entre os dedos dos pés e depois esfregou o calçado em todas as paredes da casa. Era basicamente esse o cheiro, um odor que combinava marisco fora do prazo com alguém que lambeu um sovaco que esteve a fazer mudanças a tarde toda num dia de verão.

Infelizmente não era apenas a casa que tinha um cheiro a surro, o próprio proprietário precisava de uma boa esfregadela dos pés à cabeça, tornando toda a conversa sobre os detalhes da propriedade num autêntico suplício. Isso e o facto dos pêlos das orelhas e das sobrancelhas do senhor terem vida própria, o que me fez ficar longos momentos perdido entre um estado de fascínio e repulsa.

Quando nos confidenciou que estava a passar noite sim noite não na casa, compreendi que devia ser essa a razão do agradável aroma, e que quando ele abandonasse por completo a habitação o cheiro iria desaparecer.

Não desapareceu.

Nas visitas seguintes deixámos a casa toda a arejar, enquanto começávamos a planear as obras, mas apesar de melhorias evidentes, havia um cheiro que teimava em não querer desaparecer, qual assombração olfactiva.

O mistério foi resolvido no dia em que começámos a esvaziar o recheio da casa - sim porque o senhor decidiu que nos ia deixar umas prendinhas, que basicamente consistiam em velharias e cotão - e por curiosidade abrimos o congelador do velhíssimo frigorífico que habitava a cozinha.

Um verdadeiro ecossistema de larvas povoava o congelador, tendo arrancado um profundo vómito da nossa alma e do nosso estômago, enquanto atónitos tentávamos perceber o que se estava a passar.

É que o maravilhoso ex-proprietário, no momento em que fechou negócio connosco, garantiu que todo aquele prédio era frequentado por classe média-alta, e que nada teríamos com que nos preocupar.

Pois bem, se a restante vizinhança for como o senhor é melhor encher a farmácia cá de casa com medicamentos para o enjoo....

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