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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

06
Jun18

Sou Sexy, Eu Sei - O filme que mostra o que pior há em nós


Atenção - este post contém Spoilers

 

Sou Sexy, Eu Sei

 

Esta segunda-feira fui ver o Sou Sexy, Eu Sei, um filme pipoca com algumas piadas muito bem conseguidas perfeito para desligarmos o cérebro.

 

Isto claro se não forem como eu, que passei grande parte da película a pensar que a mensagem que esta passa não é assim tão positiva como muita gente quer pensar que é. Na realidade, Sou Sexy, Eu Sei, tem a capacidade de nos escarrapachar na cara o pior que há em nós.

 

Para vos situar, o filme retrata a vida de Renee, uma mulher com problemas de auto-confiança porque considera não se enquadrar nos parâmetros de beleza que a sociedade impõe.

 

Farta de passar os dias numa cave abafada, Renee sonha em transitar para a sede da empresa de cosméticos para a qual trabalha para o cargo de recepcionista, mesmo que isso implique uma descida no seu ordenado. O único problema é que sente que o seu aspecto nunca vai lhe permitir atingir esse sonho.

 

Depois de um pedido desesperado numa noite de chuva para que fique bonita, Renee tem um acidente no ginásio, batendo com a cabeça. A partir daí começa a ver algo que os outros não conseguem, uma cara linda, um corpo tonificado, em suma, uma verdadeira brasa.

 

Com esta transformação milagrosa digna de meter inveja a muitos cirurgiões plásticos, a sua auto-estima atinge a estratosfera e ela está pronta para conquistar o mundo e mais além.

 

Pois bem, aqui é que tudo começa a descarrilar.

 

Porque para a mensagem deste filme ser positiva, Renee quando batia com a cabeça tinha de ganhar auto-estima amando o seu corpo como ele é. Mas não, simplesmente passou a ver o seu corpo como a sociedade tenta impor que ele tem de ser - ou seja, a sua confiança é uma farsa, uma mentira, um todo cheio de nada.

 

Apesar de no início acharmos que a protagonista vai conseguir manter a cabeça em cima dos ombros é uma esperança vã. Tal como acontece na vida real, após estar incluída no grupo que a segregou durante tanto tempo, Renee passa ela própria a julgar aqueles que não se enquadram nos padrões que ela miraculosamente conseguiu atingir.

 

Aliena as amigas, tem comportamentos diferentes no trabalho consoante o aspecto de quem a aborda, mostra uma faceta narcisista - basta ver a cena em que quando está a fazer sexo com o namorado fica absorta a contemplar a sua própria beleza - e perigosamente quase que manda os seu princípios pela janela fora, quando está a pontos de beijar o irmão da patroa, mesmo estando num relacionamento com outro homem.

 

Obviamente que quando o efeito da pancada desaparece, Renee fica desesperada e com a auto-estima no zero. Tudo porque se baseou numa mentira, numa falácia, num jogo de ilusões.

 

Aqueles que olharam para ela como um exemplo a seguir foram também enganados, porque toda aquele positivismo, aquele Sou Sexy, Eu Sei, esfumou-se de um momento para o outro porque não existiam alicerces para o manter de pé. É como quando bebemos uns copos a mais e ficamos prontos para conquistar o universo, mas quando o efeito do álcool passa queremos é rastejar para debaixo da nossa pedra.

 

Há algumas mensagens positivas a retirar de Sou Sexy, Eu Sei, como o facto de habitualmente nos centrarmos mais naquilo que achamos que nos torna imperfeitos, do que naquilo que nos torna especiais.

 

Mas no fim, bem espremido, este filme mostra que só temos a capacidade de nos amar se conseguirmos por algum meio sermos iguais àquilo que os outros consideram correcto. E quando chegamos a esse patamar, o poder sobe-nos à cabeça e rapidamente esquecemos-nos de onde viemos e de quem fomos.

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