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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

03
Out18

Síndrome da Desculpabilidade


Neste post desabafei convosco acerca de possivelmente um dos piores dias da minha vida.

 

Para quem possa ter ficado com dúvidas o que se passou não se prendeu com a minha vida pessoal, mas sim com a laboral.

 

Senti-me atacado, humilhado e desconsiderado, mas felizmente já consegui reorganizar as minhas ideias e energias e na medida do possível, passar por cima do assunto.

 

Só que o grande problema para mim, desde que me lembro, é sofrer do síndrome da desculpabilidade.

 

Saber perdoar mostra inteligência, desenvolvimento pessoal e reconhecimento que o rancor é uma faca que nos fere mais a nós do que aos outros.

 

Ser portador do síndrome da desculpabilidade é um bilhete em primeira classe para batermos com a cabeça na parede uma e outra vez.

 

É muito difícil para mim ficar zangado com alguém, e mesmo quando são situações graves e sem retorno, dou por mim a duvidar se o meu afastamento e quebra de ligação foi o mais correcto, se não deveria ter sido mais brando com a minha decisão.

 

O primeiro sintoma deste síndrome é desculpabilizar o nosso agressor, seja a agressão física, verbal ou mental.

 

Acharmos que a pessoa não fez por mal, ou porque estava com o período, ou porque tinha um filho doente, ou porque não dormia há quatro dias, etc, etc, etc.

 

Na minha cabeça consigo sempre encontrar uma explicação para atenuar o comportamento erróneo de certa pessoa, tento colocar-me sempre nos sapatos alheios, mesmo quando já devia estar careca de saber que certos sapatos só nos causam bolhas e trazem fungos entre os dedos.

 

O segundo sintoma é culpabilizar-me a mim próprio para desculpar o outro.

 

Porque é que eu fui tão chato? Porque é que não fiz as coisas como devia? Porque é que não percebi que a outra pessoa precisava de espaço e mesmo assim fui lá incomodá-la? Porque é que tenho de ser tão conflituoso?

 

Mais uma vez nada de bom advém deste tipo de atitude.

 

Por mais que pudesse ter errado não tenho que me culpabilizar para desculpar os erros dos outros. No fim de contas as pessoas podem reagir a estímulos, mas cabe a cada um controlar as suas reacções.

 

O último sintoma é a desdramatização temporal.

 

Sou perito em após alguns dias achar que estou a ser demasiado drama-queen e que afinal toda a discussão não foi assim tão grave, que eu é que sou muito sensível e qualquer outra pessoa não se ia chatear com uma coisa tão pequena, que na realidade eu é que tenho de ser mais paciente porque na verdade já nem me lembro do que me disseram para me sentir ofendido.

 

Basicamente é achar que o passado afinal não foi tão mau como eu o pintei, e talvez devesse era deixar-me de tretas e olhar para o futuro com um sorriso, tudo isto polvilhado com uma pitada de culpabilização pessoal.

 

Não sei se sou a única pessoa a sofrer deste síndrome, mas sei que isto afecta negativamente a minha vida.

 

É óbvio que por um lado permite-me manter relações cordiais a longo prazo sem ter que entrar numa guerra aberta, mas por outro vai perpetuar a ideia de que as acções não possuem consequências.

 

Afinal se alguém me diz toda as barbaridades que quiser e no dia a seguir eu já estou sorrisos e simpatias, que mensagem é que eu transmito? 

 

É muito bonito dizer-se que devemos dar a outra face sempre que levamos um estalo, mas e quando tivermos as duas faces vermelhas a arder?

 

O que é suposto fazermos?

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