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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Síndrome António Variações

13.03.19, Triptofano!

Lembram-se daquela música do António Variações onde ele diz

 

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou

 

Se há coisa que eu tento mudar na minha maneira de ser é este Síndrome António Variações que me persegue há mais de uma década, coincidente com a minha entrada na vida adulta.

 

Na realidade não é que eu seja um eterno insatisfeito, não dando valor aos locais onde vou ou às coisas que faço, mas sinto que não tiro total partido delas porque não consigo viver única e simplesmente no momento presente.

 

Ou seja, se eu estou por exemplo a ver um filme, ou a dar um passeio, em vez de focar toda a minha atenção no aqui e no agora, o meu cérebro começa a pensar no que é que tenho de fazer no futuro a curto prazo.

 

Imaginem que estou a assistir a uma peça de teatro depois de jantar, o meu cérebro começa logo em ebulição porque ela não pode acabar muito tarde porque ainda tenho que fazer A, B e C antes de ir para a cama, e depois se não durmo o suficiente já não consigo fazer D, E e F em condições no dia a seguir, e por aí adiante.

 

E isto é uma bola de neve, porque sempre que começo algo o meu cérebro avisa que não posso estar a perder muito tempo ou a permitir-me simplesmente ter prazer com uma tarefa porque há mais cinquenta e oito mil coisas que devia fazer depois, mesmo que incrivelmente nunca as chegue sequer a começar, o que não impede que me sinta angustiado por ficar a olhar para o ar em vez de estar a despachar serviço.

 

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

 

Mesmo agora estou a escrever este post e a olhar para o relógio.

 

Porque tenho na minha cabeça que preciso de escrever mais um texto antes de X horas, já que depois preciso de ir à piscina, e de seguida comprar vegetais para casa para finalmente ir para o trabalho......e não consigo parar. 

 

Parece que cada actividade que faço é em piloto automático e estou sempre a sentir a pressão do que vem depois.

 

Porque eu compreendo que há horários, que há planificações, que temos de ser minimamente regrados, mas o que eu queria era naquele momento em que faço algo libertar-me do meu cérebro e viver apenas o presente.

 

Imbuir-me de todas as sensações do agora em vez de estar constantemente a tentar alcançar o depois.

 

 

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