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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Sayonara Penha Longa

09.03.19, Triptofano!

Experiência Restaurant Week #1

 

Spices

 

A minha maior desilusão de 2018 a nível gastronómico foi a visita ao Villa Tamariz Utopia, por isso este ano quando decidi ir ao Spices, o restaurante Pan Asiático inspirado em quatro diferentes cozinhas que pertence, tal como o Villa Tamariz, à Penha Longa, estava esperançoso que esta visita, no âmbito do Restaurant Week, me fizesse voltar a apaixonar pela qualidade gastronómica apregoada pelo grupo.

 

Infelizmente houve um detalhe na experiência que me fez colocar uma barreira entre mim e tudo o que tenha a ver com a Penha Longa, sendo que muito dificilmente voltarei a colocar qualquer dos meus pézitos num restaurante do grupo. (não digo que seja impossível porque certezas nesta vida ninguém as tem)

 

O Spices fica situado dentro do Resort da Penha Longa, um hotel de luxo da cadeia Ritz-Carlton, situado em pleno Parque Natural Sintra-Cascais.

 

E a verdade é que tudo é visualmente maravilhoso.

 

O Resort em si é lindo, e quando se entra no Spices é impossível não se ficar boquiaberto a admirar a beleza do espaço, decorado de forma exímia mas com um fantástico balanço de informação visual, de forma a que o ambiente não retire o protagonismo à comida mas sim que o reforce.

 

Penha Longa Resort

Penha Longa Resort

Spices

 

Também encantadoramente simples é a vista que se tem para o jardim, aliviando a sensação de opressão que alguns restaurantes demasiado fechados por vezes causam.

 

Spices - Vista para o Jardim

 

O menu que o Spices elaborou para a Restaurant Week contava com 4 momentos.

 

Primeiro uma gyoza de camarão com manga.

 

Extremamente saborosa, conjugando-se na perfeição com o molho de manga com toques de lima, esta gyoza só ficaria ainda mais atractiva se os pedaços de camarão no seu interior fossem ligeiramente maiores.

 

No entanto foram um encanto como início de refeição.

 

Spices - Gyoza de Camarão com Manga

 

Depois chegou o melhor Bao que alguma vez comi na vida.

 

Feito com porco e couve (honestamente não consegui distinguir onde estava a couve mas nem me preocupei com isso), enriquecido com pipoca de pele de porco e uns toque de verdura, este Bao estava tão rico de sabor que era praticamente impossível não enfiá-lo de uma vez só na boca.

 

Um pão divinal a revelar um conteúdo não menos celestial fez desta parte da refeição a inequívoca estrela da noite.

 

Spices - Bao de Porco com Couve

Spices - Bao de Porco com Couve

 

Para terceiro momento foi apresentado um caril madras de frango.

 

Chama-se madras em homenagem à antiga cidade do sul da Índia, e é mais alaranjado que o caril comum visto que o seu ingrediente fundamental é o piri-piri.

 

E devido a esta base de piri-piri o caril madras é realmente picante, mas nada que impeça de desfrutarmos do espectro de sabores que ele encerra, que me deixou com um sorriso na cara.

 

Spices - Caril Madras de Frango

 

O final da refeição foi uma sobremesa apelidada de Sakura (a palavra japonesa para cerejeira), que balanceava a força do cremoso de amendoim com a delicadeza do gel de cerejeira e a envolvência do sorbet de cereja e yuzu, com um polvilhado de amendoim e um cracker de sésamo a acompanhar.

 

Estivesse o sorbet um pouco mais consistente e menos desfeito e teria sido uma sobremesa perfeita, especialmente pelo facto do cremoso de amendoim ser qualquer coisa do outro mundo.

 

Spices - Sakura

 

Mas então qual foi o detalhe que me fez arrepiar todos os pêlos do corpo visto que em termos de comida estava tudo bastante bom?

 

Spices

 

Podia dizer que tinha sido o staff mas não estaria a ser verdadeiro.

 

Muito simpáticos e prestáveis a única coisa que tenho a apontar é o facto de retirarem os pratos da mesa sem sequer questionarem se o podem fazer.

 

É que eu sou aquela pessoa que goste de lamber o resto do molho, ou comer aquele pedacinho de porco que caiu, e se me levarem logo o prato sem perguntar tiram-me parte do prazer que eu retiro da refeição.

 

Teria sido o facto de quando terminei o caril me terem questionado se queria complementar a refeição com mais alguma coisa do menu?

 

Foi desagradável é verdade, porque quando pedimos um menu esperamos que ele seja suficiente para nos saciar, e a quantidade de caril que serviram para duas pessoas é muito poupadinha especialmente para quem é um bom garfo, mas como tinha havido dois momentos anteriores até tinha o estômago aconchegado, por isso apesar de ligeiramente de mau tom não foi esse o detalhe marcante.

 

O momento em que a refeição ficou virada de pernas para o ar foi enquanto terminava deleitado a sobremesa.

 

A cozinha do Spices é aberta, muito ao género daquelas que se vê na televisão tipo Hell's Kitchen, mas sem o Gordon Ramsay a gritar feito louco e a atirar pedaços de bife Wellington à cabeça dos cozinheiros.

 

Cozinha Aberta do Spices

 

E é inevitável que uma pessoa de vez em quando vá deitando um olho curioso ao que se passa na cozinha para perceber como é que as coisas são feitas.

 

Até que se vê o cozinheiro a provar a comida com uma colher e a colocá-la num porta-talheres com água. E passado poucos segundos a voltar a tirar uma colher desse recipiente e a provar novamente.

 

Nesse instante uma pessoa pensa que viu mal, que não pode ser, afinal estamos num restaurante de luxo, e uma coisa dessas nunca ia acontecer.

 

Então levantamos-nos ligeiramente para ver melhor toda a situação e descobrimos que não estávamos errados.

 

Há um recipiente cheio de água onde são atiradas as colheres de prova e todos os utensílios de empratamento.

 

E é desse mesmo recipiente, contendo uma sopa primitiva de saliva e bactérias e vírus e outras coisas que tais potencialmente patogénicas, que é retirado ao calhas uma colher quando é preciso voltar a provar ou a empratar algo, colher que depois volta novamente para esse recipiente para uma "lavagem rápida".

 

Quando nos apercebemos que toda a nossa comida que acabámos de ingerir está salpicada de pedaços de uma sopa de saliva o nosso estômago faz um nó e sentimos na boca a acidez de um bocadinho de regurgitação.

 

Honestamente sei que já devo ter comido coisas bastantes piores na minha vida, provavelmente já estive em restaurantes por este mundo fora em que lambem os pratos e esfregam as cabeças nas panelas, só que nunca o vi diante dos meus olhos.

 

E olhos que não vêem, barriga que não sente.

 

Agora, estar num restaurante de luxo, onde tudo deve ser perfeito, e ver alguém a usar uma colher toda lambuzada para mexer na comida não é só nojento como é completamente inadmissível.

 

Por isso sempre que forem a um restaurante, qualquer que ele seja, e conseguirem ver a cozinha, estejam atentos aos detalhes.

 

Obviamente que não quero que se consumam com isso, mas observem como é que as coisas são feitas e vejam se não existe nada que vos faça sentir desconfortáveis.

 

Quanto a mim só tenho mais uma palavra para o Penha Longa: Sayonara!

 

Spices - Penha Longa Resort Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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