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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

26
Set18

Receitas para Impressionar Amigos


Existe um sentimento que nos une enquanto seres humanos.

 

E esse sentimento dá pelo nome de stress-depressivo-traumático-pós-férias.

 

Quantos de nós não choramos amargurados quando as férias acabam e temos que voltar à nossa rotina?

 

Trocar os longos dias de ronha na cama por despertadores do demónio que nos acordam às sete da manhã todos remelados; deixar de vestir a roupa descontraída e amarrotada em detrimento do fato claustrofóbico que nos exigem que usemos no trabalho; substituir as viagens de mapa na mão e nariz apontado para o céu por longas chamadas telefónicas e intermináveis e-mails na esperança de conseguirmos resolver em tempo útil tudo aquilo que se acumulou durante as nossas férias.

 

 Existem algumas formas de lidar com este stress-depressivo-traumático-pós-férias:

 

  • Podemos chorar compulsivamente durante horas a fio, comendo embalagem atrás de embalagem de argolinhas de chocolate branco do Minipreço enquanto vemos uma série incrivelmente deprimente no Netflix de forma a que a nossa moral atinja níveis negativos.
  • Entrar em profunda negação, não querendo encarar o facto dos nossos 20 e poucos dias úteis de férias já terem terminado, indo para o emprego de havaianas e com um mojito na garrafa de água (em vez da água propriamente dita).
  • Aceitar o inevitável e procurar consolo em alguma actividade que nos preencha, como estar com os amigos e ir jantar com eles (e se eles insistirem que seja na casa deles e que nós não precisamos de fazer nada ainda melhor).

 

Uma coisa que talvez não saibam sobre mim é que eu sou extremamente fácil de contentar.

 

Se me convidarem para ir jantar a vossa casa eu ficarei contente e agradecido com qualquer coisa que me apresentem.

 

Ou seja, não sou daquelas pessoas que está à espera de um banquete com pratos surpreendentes.

 

Se for frango assado por mim está bem, se forem tostas com pasta de atum é na boa, se for um sushi caseiro com arroz agulha e delícias do mar, bem, posso ter um bocadinho de reflexo de vómito, mas irei comer com um sorriso na cara.

 

A única coisa que me tira do sério é se me disserem que o jantar é fondue.

 

Aí irei revirar os olhos e fazer um esgar demoníaco que fará com que liguem ao exorcista mais próximo.

 

É que ninguém merece, mas ninguém mesmo, ser sujeito a estar a morrer de fome e ter de estar ali com o seu espetozinho a ver se o pedaço de porco já está cozinhado, pedaço que vai ser devorado em dois nano-segundos apenas para depois se voltar a estar com o raio da porcaria do espetozinho a cozinhar mais um pedaço minúsculo de carne enquanto se pondera qual a probabilidade de ficar contaminado com ténias se abocanharmos a carne crua toda de uma vez.

 

Agora quando sou eu a receber visitas, as coisas mudam ligeiramente de figura.

 

Não é que eu vá servir fondue a toda a gente como vingança, só que sinto uma necessidade incontrolável de impressionar, seja pelo número de pratos que sirva ou pelo factor WOW que alguns provoquem.

 

O problema é que a minha má gestão de tempo associada às minhas fracas capacidades culinárias faz-me normalmente dar passos maiores que a perna, que acabam quase sempre comigo numa crise de choro a amaldiçoar o facto de não ter encomendado uma pizza ou a suplicar ao Cara-Metade que me ajude antes que eu desmaie de exaustão.

 

Partilho convosco algumas receitas que surpreenderam os meus convidados, mas fizeram-me quase ter um esgotamento nervoso:

 

 

Sangria de Pepino

 

Quando disse que ia servir sangria de pepino toda a gente torceu o nariz. Mas ainda hoje há quem me diga que foi das melhores bebidas que provou, de tão refrescantemente boa que é.

 

Feita com pepino, gasosa e vinho branco, esta sangria é espectacularmente fácil de fazer. O único senão é que tem de levar gelo para ser servida fresquinha, e quando a fiz só tinha aqueles saquinhos para cubos de gelo que vão ao congelador.

 

Agora alguém me diga, sou eu que sou muito nabo ou aqueles sacos não são nada fáceis de se abrir saltando o gelo por tudo o que é sítio e ficando uma pessoa com as pontas dos dedos gangrenadas de tanto tempo estarem em contacto com o frio?

 

Koulibiac

 

Esta receita de lombo de salmão em massa folhada com espinafres foi aquela que fez a minha mãe ter esperanças de que eu talvez não fosse uma total nulidade no que toca a cozinhar, já que ela simplesmente a adorou (e quase que a comeu toda sozinha).

 

O problema é que resolvi fazê-la para a noite de Natal da família em substituição do tradicional bacalhau, visto a minha mãe ter desenvolvido uma intolerância ao mesmo.

 

Eu achava que era stressado, mas quando vi os níveis de cortisol da minha progenitora aumentarem incontrolavelmente percebi que na realidade eu e o Dalai Lama estamos no mesmo nível de tranquilidade.

 

Ainda eram 16 horas e ela já estava a cada vinte segundos a reclamar que a comida estava atrasada, e que não ia haver jantar de Natal, e que eu tinha de me despachar, e como é que eu era tão mole, e bla bla bla bla.

 

Tenho a certeza que foi nesse momento que fiquei irremediavelmente careca.

 

Koulibiac

 

 

Empadão de Pato com Alheira

 

Vamos a ver uma coisa, eu até acho que sou bom cozinheiro, mas tinha que ser como naqueles programas da televisão onde já está tudo arranjado e cortadinho e é só enfiar para dentro do robot de cozinha.

 

Este empadão de pato com alheira é relativamente fácil de fazer, o problema é a preparação.

 

Descascar maçã e cortar aos pedaços, cortar peito de pato em cubos, tirar a pele de alheiras, cortar em juliana nabiças e descascar e cortar batata-doce para a maior parte das pessoas é algo que se faz num instantinho.

 

Para mim implica ter de acordar às seis da manhã para ter tudo pronto para jantar a horas!

 

Empadão de Pato com Alheira

 

 

 

Intenso de Amendoim, Caramelo e Chocolate

 

Esta é uma sobremesa forte, pesada, reconfortante, mas que dá vontade de nos deitarmos no sofá e acordar no dia seguinte.

 

É deliciosa, mas é uma sobremesa de camadas...

 

Das duas uma, quando a decidi fazer ou simplesmente não li a receita toda (o que é muito normal em mim) e só descobri a parte das camadas no fim, ou tinha tomado alguma substância alucinogénia que me fez pensar que era algo super fácil.

 

Foi um pesadelo!

 

Intenso de Amendoim, Caramelo e Chocolate

 

 

Queijo de Tremoço

 

Ah e tal vamos ser alternativos, vamos dizer que não aos lacticínios, vamos surpreender toda a gente com um pão caseirinho e um queijo de tremoço.

 

Lembro-me perfeitamente que chorei. Chorei bastante ao fazer esta receita.

 

É que ela leva 250 g de tremoço sem casca. E eu passei mais de uma hora a descascar os ditos cujos.

 

Se alguém souber onde se compra esta leguminosa descascada por favor não me diga, é que dessa forma vou-me odiar ainda mais, porque eu ia jurar que só se vende a porcaria do tremoço com a casca.

 

 

Resumindo e concluindo, receber amigos é algo que me dá imenso prazer, gosto que eles fiquem admirados com os pratos que lhes apresento e que provem novos sabores, só que esta minha piquena obsessão-compulsão em surpreender faz com que os meus níveis de stress aumentem de tal forma que muitas vezes não tiro o melhor proveito do convívio (e nem falei de toda a louça que depois tenho de lavar, que eu sou aquela pessoa que consegue sujar toneladas de louça para fazer um jantar).

 

Por isso da próxima vez que houver um convívio de dimensões razoáveis cá por casa vou ter que tomar medidas.

 

Ou deixo tudo nas mãos de profissionais, pedindo os serviços de uma empresa de catering para festas e eventos (também disponível para os residentes do Porto), ou vai ser tudo corrido a lasanha ultra-congelada servida com pratos e talheres de plástico, que eu não nasci para ser dona-de-casa!

 

Nota: Se alguém quiser a receita de alguns dos pratos de que falei basta pedir-me através da caixa de contacto ou por e-mail! 

 

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