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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Quem é que vota no Chega?

15.02.20, Triptofano!

Passaram quatro meses desde as eleições legislativas, quatro meses onde muita coisa aconteceu, desde pessoas sem confiança política a gritar mentira (ou seria a gritar mentiras?) passando por deputados que fazem queixinhas quando são mandados calar, e que só não batem o pé e vão-se embora porque o rendimento no fim do mês compensa qualquer desaforo.

Mas o incrível foi que quatro meses passados, a primeira sondagem Expresso/SIC, realizada pelo ISCTE e ICS, mostrou que a intenção de voto no Chega, partido político liderado por André Ventura, subiu para os 6%, ultrapassando o CDS e o PAN.

Confesso que sou uma pessoa preconceituosa porque mal vi os resultados imaginei o típico eleitor do Chega.

A pessoa sessentona, com pouca educação, que fala muito de como o país está mal e são todos uma data de corruptos mas depois tem o regime especial de comparticipação de medicamentos na farmácia porque nunca abriu o bico sobre os rendimentos que continua a receber de França ou dos Estados Unidos ou de outro qualquer país que esteve emigrado.

A pessoa que é contra os ciganos e acha que eles são a origem de todo o mal do mundo, mas que adora comprar-lhes umas calças de marca a um quarto do preço.

A pessoa que é contra os pretos, mas que adora comer uma muamba à sexta-feira e dar um passinho de dança ao som de uma qualquer kizombada.

A pessoa que defende com unhas e dentes que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um atentado contra a família tradicional, mas já violou a enteada porque ela estava a pedi-las.

A pessoa que diz que o dinheiro do SNS não é para aberrações mudarem de sexo, mas depois compra dez caixas de insulina a preço zero (preço zero porque os outros impostos de todos asseguram a sua comparticipação a 100%) para menos de uma semana depois mandar tudo para o lixo porque lhe mudaram a medicação. E se alguém lhe fizer cara feia é capaz de mandar uma caralhada e dizer que é para isso que paga impostos.

Sou uma pessoa preconceituosa porque pensei que quem votasse no Chega era o típico homem das cavernas, sem educação, que nunca frequentou uma faculdade, que vive ainda no tempo em que se colonizava outros países considerados inferiores e que se colocavam símbolos nas testas dos gays para os identificar.

Afinal a maioria dos eleitores que quer votar no Chega tem entre os 25 e os 44 anos, e metade deles são mulheres. Pior, um cada cinco dos eleitores actuais do Chega têm curso superior e mais de um terço completou o ensino secundário, o que está acima da instrução média dos portugueses adultos.

Quando li estes dados tive de engolir em seco e repensar na formo como o meu cérebro funciona.

Preconceito é preconceito, independentemente do que ele defende, e no fim de contas talvez eu não seja assim tão melhor do que a mulher trintona com curso superior que deseja votar no André Ventura...

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