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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Quando somos nós contra nós!

01.02.22, Triptofano!

Não era este post que tinha pensado escrever hoje. Porém, é este post que necessito de escrever hoje. Por isso mesmo, vou ter menos preocupação com a forma e deixar fluir o conteúdo. Aqui vai!

A minha saúde física não está a 100%. Possuo duas hérnias algures no fundo das costas e volta e meia fico totalmente empenado que nem me consigo mexer. No entanto é algo que não me preocupa por aí além nem que tenha vergonha de dizer a quem quer que seja. Da mesma forma cada vez mais me empenho na luta de não ter vergonha em que dizer que a minha saúde mental não está a 100% e que provavelmente nem nunca esteve nesta última década.

Sempre pensei que fosse uma pessoa que não ligasse ao estigma, mas as mudanças que a minha vida levou nos últimos tempos e os novos círculos que me vi a frequentar, fizeram com que tivesse de colocar uma máscara a tapar as minhas fraquezas psicológicas. E se as ter exposto sem pudor me teria fortalecido, fingir que elas não estavam lá só piorou a situação. No fundo sei que tenho receio que olhem para mim como o coitadinho ou como aquele com quem não se pode contar. Provavelmente é o meu estigma que alimenta o estigma que tenho medo de sentir. Mas não consigo evitar.

Além de uma montanha-russa emocional que me invade de forma inesperada sem qualquer gatilho para a sua presença, e que me consome tanto a mim como aos que vivem ao meu redor, aquilo que mais dor me causa na minha saúde mental é a constante luta que travo contra mim mesmo, em coisas extremamente banais para os demais.

Sou capaz de demorar semanas a responder a uma mensagem de uma pessoa querida mesmo quando o quero fazer naquele momento. Sou capaz de adiar projectos, tarefas e compromissos até ao último dos últimos momentos, quando simplesmente não acabo por desistir deles. Sou a pessoa que sabe exactamente o que precisa de fazer, que o consegue fazer em meia dúzia de minutos, mas que prefere ficar deitado no sofá e deixar para o dia seguinte.

Alguns podem achar que é preguiça, mas não é! Trata-se de um medo irracional de falhar, de desiludir os outros, de nos colocarmos num patamar mais elevado e depois darmos um trambolhão de todo o tamanho. E para não falhar, falho de propósito. Pode parecer completamente desprovido de senso, mas é um mecanismo de auto-defesa que leva à auto-destruição, onde é mais fácil sermos nós próprios a castigar-nos pela nossa inércia do que termos de lidar com a eventual possível crítica dos outros.

Precisei de escrever este post no seguimento de ter enviado finalmente a carta do Desafio da Escrita de quinta-feira. Com quase uma semana de atraso. Vindo eu ao blog diariamente! Eu sabia que a tinha de ter enviado, eu era capaz de a ter enviado, mas algo em mim não quis que eu a enviasse. E quando a finalmente enviei senti que tinha de dar a quem me segue algumas satisfações, ao mesmo tempo que tentava encontrar satisfações para mim mesmo, nesta luta eterna de mim contra mim.

Alguns dirão que é tonto uma pessoa abrir-se desta forma para o mundo, que nunca sabemos quem está do lado de lá. Mas depois de todo este tempo sinto que além de pessoas que utilizam o seu tempo para me lerem, estou na presença de amigos.

Espero que tenham a paciência para me aceitarem como eu sou, enquanto eu arranjo mecanismos para ser uma versão melhor de mim mesmo!

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