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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Profissionais de Saúde vs Educação para a Diversidade

28.02.19, Triptofano!

Ontem fui a uma formação acerca de um medicamento para a disfunção eréctil, um problema que apesar de ainda ser considerado tabu afecta 8% dos homens entre os 20 e os 30 anos, e 52% entre os 40 e os 70 anos, podendo ter causas psicológicas, orgânicas ou ambas.

 

Estava entusiasmado porque o palestrante convidado era um médico urologista com larga experiência na área, e vi uma oportunidade para além de aprender mais sobre o tema poder esclarecer algumas duvidas na área da sexualidade da pessoa com deficiência física.

 

A sessão foi interessante mas não consegui evitar ficar com um azedume de boca quando ela terminou.

 

Em parte porque o médico revelou que tinha feito uma pequena experiência e ido a várias farmácias fingir que tinha um problema de disfunção eréctil, e quando revelou que em muitas as pessoas quase se benzeram e disseram que isso não era assunto em que pudessem ajudar senti vergonha da classe onde me insiro.

 

Não defendo que seja obrigação dum farmacêutico saber falar de tudo, mas tem que estar minimamente à vontade para ouvir o utente e no caso de não poder ajudar concretamente no momento saber orientar para outro profissional que o possa fazer.

 

Estamos em 2019 por isso saúde sexual é saúde, e já não vejo razão para risinhos, caras de choque ou comentários jocosos.

 

Por outro lado, os comentários do médico urologista relativamente a que certas mulheres não conseguem provocar uma erecção num homem de tão feias que são ou que todos sabiam que os homens tinham parceiras fora do casamento causou-me uma urticária danada. 

 

Além de ser desrespeitoso para as mulheres transforma o homem num ser cujo cérebro parece estar alojado no órgão copulador, mostrando que o machismo está vivo e de boa saúde, sendo que qualquer dia ainda é prescrito numa receita médica sem papel.

 

Agora o que me deixou danado, aquilo que eu já devia ter mecanismos para não me afectar mas não consigo, foi a iliteracia para a diversidade que o senhor doutor revelou ter.

 

É verdade que formação e educação são coisas totalmente diferentes, mas um profissional de saúde devia ter uma sensibilidade particularmente mais afinada.

 

Dizer que vê no consultório homens, mulheres e pessoas assim-assim, e ter um discurso exclusivamente heteronormativo basicamente negando que uma pessoa possa sentir atracção por outra do mesmo género não é somente triste como assustador.

 

Assustador pelo facto da sociedade ser constituída por pessoas de todas as identidades de género e orientações sexuais, e essas pessoas nunca se deveriam sentir desconfortáveis a ir um profissional de saúde expor um problema da sua vida, especialmente da sua vida sexual.

 

Talvez o senhor doutor seja um profissional excelente que só gosta de dizer piadolas depreciativas quando está rodeado de outras pessoas da área da saúde, mas isso só revela o preconceito cimentado no seu cérebro que já deveria ter sido erradicado com a ajuda de uma boa educação para a diversidade.

 

Mas pior que um médico sem filtros é duas mãos cheias de profissionais de farmácia que sorriem alegremente ao ouvir certas e determinadas barbaridades.

 

As piadas depreciativas nunca deveriam ter piada, especialmente num contexto profissional formativo.

 

É que o preconceito é como as ervas daninhas, precisa só de um bocadinho de fertilizante para desenvolver raízes extremamente profundas!

 

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