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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Primeiro dia de aulas na Universidade: Como foi?

02.10.20, Triptofano!

Ontem foi o tão aguardado regresso aqui do vosso Triptofano à Universidade, que sentou o seu maravilhoso rabiosque das 16 às 21 apenas com curtos intervalos para ir fazer um xixizinho e absorveu o máximo de conhecimento que a sua massa encefálica permitiu.

Primeiro que tudo contar-vos como foi a minha entrada na Universidade, porque sei que vocês estão ansiosos por saber se eu encarnei a Madonna ou Anitta. Pois bem, chegado um quarto de hora antes do tempo eis que encontro uma mão cheia de pessoas fora do estabelecimento, assim todas a cumprir o distanciamento social, que me cheiraram ser os meus colegas de curso. A minha primeira reacção foi também eu ficar tranquilamente à espera de nem sei bem o quê, mas como para aguardar já me bastam as filas indianas no meio da rua sempre que tento ir ao Pingo Doce, decidi entrar sem medo pela Universidade.

Claro que quando o fiz todo um mar de gente me seguiu, e logo ali me senti o líder da comunidade estudantil, guiando as tropas para a batalha do conhecimento, subindo as escadas de peito inchado, carregando no pedal do dispensador com álcool gel com a segurança de quem sabe que aquele é o caminho do seu futuro, abrindo a porta do corredor sem medos....e quase espetando-a na cara do orientador do curso....basicamente no primeiro minuto de Universidade diminui drasticamente as hipóteses de finalizar com sucesso o curso.

Depois de alguns minutos a equacionar se deveria ir ao México fazer uma operação plástica para ficar irreconhecível e concluir que pelo menos não ia ter que mexer na parte inferior do rosto devido ao uso da máscara, começou o dia de apresentações.

Tivemos de dizer quem éramos e apontar um problema de saúde pública (falei dos doentes polimedicados e da complexidade das terapêuticas medicamentosas), tudo num ambiente muito descontraído, sem stresses, muito amigável e cordial.

E foi aí que me espetaram a primeira faca no coração.

Ah e tal o curso vai ser muito exigente por isso vão ter de sacrificar aquelas tardes de domingo no sofá a ver Netflix!

Como assim?????? Mas é sacrificar as tardes a ver Netflix na sua globalidade ou vamos aprender que o sofá não é o melhor local para visionar as Wifes of Atlanta e vamos começar a ver na cama? Estive quase para levantar a mão e colocar essa questão de extrema importância, mas decidi que não queria começar a pensar já em desistir do curso por isso recalquei tamanha informação dramática e fingi que não tinha ouvido que ia estar a pagar uma mensalidade para nada.

Depois foi a vez da apresentação do departamento de informática, que basicamente consistiu em toda a gente a dizer que conhecia aplicação X e eu a ficar com um ar de quem sofreu uma lobotomia e nem consegue cantar o refrão do Dame un Besito da Ana Malhoa, esse sucesso internacional.

Por fim falou-se dos motores de busca que estão à disposição dos alunos para fazer as suas investigações para os trabalhos durante o ano, e eu aí estava descansadinho da vida, porque sou infoexcluído mas bolas, até eu uso o Google!

Eles não usam o Google..........................

Sem exagero falou-se de umas 20 bases de dados e de programas para fazer bibliografias e de apps para refinar a busca e tudo e mais alguma coisa e eu só pensava: onde raios é que eu me vim meter!

Pior, deram-nos a conhecer um software que é utilizado para quando submetemos os trabalhos no portal (então mas isto já não se imprime e encaderna as coisas? agora anda-se a salvar árvores a torto e a direito?) ele fazer logo uma análise detalhada e mostrar se o nosso trabalho está plagiado ou não!

Ou seja, uma pessoa tem que andar à procura de 400 artigos diferentes sobre um tema qualquer e depois nem pode fazer copy paste das partes melhores porque o software queixinhas vai avisar o professor.....juro-vos que fiquei para morrer. Com tantos problemas no mundo e é para isto que usamos a tecnologia, para garantir que uma pessoa realmente faz as coisas da sua cabeça?

Quando saí das aulas meio zonzo de tanta informação, a primeira coisa que disse ao Cara-Metade que teve o carinho de me ir buscar, foi contar-lhe indignado do software anti-plágio e esperar que ele também ficasse surpreendido e revoltado. Ao invés disso ele franziu o sobrolho e disse-me:

Isso é algo que já existe há imenso tempo. Mas tu estudaste no tempo da pedra ou quê?

E pronto, entrei na universidade com 33 anos e saí com 88...

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