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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Podemos passar Julho à frente?

22.07.20, Triptofano!

Muitos de nós gostariam de passar o ano de 2020 à frente e esquecer toda esta situação do Covid, mas eu já ficava contente se amanhã acordasse em Agosto, mais concretamente no meio do mês, e conseguisse ter algum descanso, porque sinceramente o meu cérebro está prestes a tornar-se numa espécie de papa Nestum com Mel.

Primeiro que tudo foi em Setembro do ano passado a última vez que tive férias férias, ou seja, já faz quase um ano que tive um período de tempo para desligar completamente do trabalho e não pensar em todas as variáveis que o mesmo envolve. Tinha marcado uma semana para Abril, mas devido ao vírus ela foi cancelada, e tanto o meu cérebro como o meu corpo começam a acusar o cansaço. Continuo a trabalhar em espelho (situação que vai terminar em Agosto) mas apesar de laborar menos horas estou cada vez mais arrasado, sendo que todas as tardes tenho feito sestas de duas a três horas e continuo a sentir-me cansado e sem forças para fazer nada. O meu único medo é estar a desenvolver alguma patologia que possa tornar-se mais severa com o decorrer do tempo, por isso espero que duas semanas de férias a meio de Agosto me ajudem a recarregar baterias.

O descanso em Agosto vai ser mesmo crucial porque, depois de 10 anos a trabalhar em Farmácia Comunitária, decidi tentar mudar de rumo de vida. Não vou deixar o meu trabalho por agora (conto estar nele nos próximos 2 anos aproximadamente) mas candidatei-me e consegui entrar no Curso de Mestrado em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública. É estranho pensar em voltar a estudar depois de tantos anos, mas sinto que agora estou mais preparado para me dedicar à aprendizagem e para me matar de forma a conseguir que os meus estudos me catapultem para um novo emprego. O meu objectivo seria continuar ligado à área da Farmácia Comunitária mas desenvolvendo projectos com o apoio do Estado que permitissem que as Farmácias e principalmente os Farmacêuticos deixassem de ser apenas satélites dos sistema de saúde e começassem a ter um papel mais predominante neste. Agora como é que eu vou conjugar trabalho com estudo é uma coisa que não sei, mas estou pronto a dar tudo por tudo nos próximos 2 anos, não me podendo esquecer que ainda tenho um marido em casa.

Por falar em casa, se em Outubro vão começar os meus estudos, até ao final de Novembro outra grande decisão vai ter de ser tomada, que é saber para onde vou morar, sendo que debaixo da ponte ou para casa dos meus pais não são opções válidas. Isto tudo porque o meu senhorio, ser fofinho e amoroso, que tinha apalavrado a saída aqui do vosso amigo Triptofano nos primeiros meses de 2021, descobriu que afinal tinha uma necessidade urgente de dinheiro e quer vender a casa onde estou o quanto antes, não me deixando sequer passar o Natal sossegadamente. Eu não estou sequer (muito) stressado com as mudanças, mas sim com o facto de não existirem casas em Lisboa a um preço que não envolva ter de vender pelo menos um dos rins. Trabalhar na esquina está fora de questão porque engordei tanto durante esta quarentena que o meu traseiro já precisa de pelo menos um beco. Comprar casa é a melhor decisão neste ponto da minha vida porque permitiria ter uma renda mensal mais acessível, porque não está dentro das minhas possibilidades pagar 1000 euros de renda todos os meses. Agora encontrar um sítio que não seja um antro a precisar de 30 a 40 mil euros em obras, que não custe uma verdadeira fortuna, que esteja num local da cidade minimamente decente e servido de transportes (isto de não conduzir já me fez chibatar muitas vezes acreditem) e que onde caiba eu, o Cara-Metade, as três porcas e o Macaco José tem-se mostrado uma tarefa muito mais difícil do que alguma vez imaginei. O engraçado é que toda a gente me diz para ter calma, que por causa do Covid vão aparecer casas ao preço da uva mijona, mas deixem-me dizer-vos que até a uva mijona está cara que dói.

Além disto tudo, aqui a minha pessoa, detentora de um espírito de iniciativa que mais valia ficar a ver Netflix, há coisa de mês e meio, fundou o CAI, um Movimento de Valorização para a Profissão Farmacêutica, que começou como um simples grupo de Facebook onde os jovens (e não tão jovens) Farmacêuticos podiam manifestar a sua revolta, e acabou sendo na mesma um grupo de Facebook mas que atraiu tanta atenção que já me vi a ter reuniões com pessoas de todo o país e a enviar cartas para meio mundo e de volta de 50 projectos diferentes. Basicamente sempre que converso com uma pessoa nova aparece nova ideia, novo conjunto de coisas a fazer, e apesar de ser extremamente recompensador tem sido também extremamente cansativo. Felizmente que uma das outras fundadoras do grupo, uma colega que está de momento na Noruega, é mulher para lá de organizada, e até uma to-do-list criou, porque se fosse apenas eu a tratar de tudo já nem sabia para que lado me virar.

E pronto, é basicamente este o resumo do meu mês, um mês com pouco blog mas muita vida, muito cansaço e muita vontade de desligar o cérebro durante uma semana consecutiva. E o vosso mês como é que tem sido?

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