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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

18
Out17

Paredes de Papel


Não sei se sou o único que se queixa deste problema mas, desde que passei a viver no centro de Lisboa que, existem dias em que acredito piamente que estou a viver dentro duma resma de folhas A4 e não numa casa com paredes de cimento.

 

De manhã é extremamente incómodo ser retirado dos braços de Morfeu pelo toque do despertador, olhar para o telemóvel e descobrir que ainda faltam 45 minutos para a nossa hora de acordar. Afinal a músiquinha irritante vem dos vizinhos do lado. 

 

Dos vizinhos da frente chega-me o medo crónico de ter uma inundação na casa-de-banho. Caso tenha conseguido voltar a adormecer depois de ter dançado involuntariamente ao som do 4 Minutes da Madonna (Madonna se me estás a ler não compres casa em Benfica, a não ser que coloques lã rocha em tudo o que é parede vais dar em doida num instante) rapidamente sou desperto porque começo a ouvir o barulho incessante de água vindo dos lavabos. Penso logo que o autoclismo rebentou ou coisa do género e quando vou averiguar percebo que são as alminhas que partilham paredes comigo a tomar banho. Mal por mal são indivíduos lavadinhos.

 

Mas o pior, o pior minha gente, que me faz despertar todos os instintos homicidas que vivem dentro de mim, são os vizinhos de cima. Não é pelo facto de haver duas crianças que parece que estão constantemente a destruir a casa em mil pedaços. São crianças e eu tenho que compreender. O que me leva ao ponta da loucura é a mãe dos cachopos, que todos os dias, por volta das 6:45, entra no quarto dos petizes e grita um BOOOOOM DIIIIIIIA! que me faz saltar um batimento cardíaco. Mas será que ela acha que as crianças acordam felizes com uma berraria destas? Ainda não terá percebido que o facto deles começarem a chorar copiosamente instantes depois não se deve ao facto de terem de sair do quentinho dos lençóis mas sim à voz racha orelhas que ela possui?

 

Mas a culpa é minha, a culpa é toda minha. Porque eu fiz com que os anteriores vizinhos de cima se fossem embora.

 

Os antigos inquilinos do apartamento de cima eram tranquilos, tinham uma criança fim de semana sim fim de semana não, quase não se dava por eles durante o dia. Mas todas as noites, às duas da manhã, eu acordava estremunhado. Primeiro pensava que estava a acontecer um crime no prédio. Depois percebi que a vizinha de cima era berrona. Muito berrona se é que me entendem. O chiar da cama não me incomoda sou honesto. O berranço se fosse assim à meia-noite, que a pessoa ainda está acordada também não. Mas às duas da manhã? Quando a pessoa já está ferradinha a babar a pensar num mil folhas com cobertura de chocolate?

 

Ainda por cima era uma estranho caso de monosexo, visto que só ela gritava, o senhor estava bem caladinho a fazer o seu trabalho. Ou será que dormiam em quartos separados e ela usava um vibrador? É que isso explicaria porque é que a certas alturas deixava de gritar e começava a rir-se descontroladamente. Se calhar o aparelho tinha resvalado para um sítio onde em vez de proporcionar arrepios de prazer fizesse apenas cócegas.

 

Perguntam vocês, o que é que eu tive a ver com o abandono do apartamento por parte dos vizinhos?

 

Não me orgulho, mas uma noite, extremamente cansado, ao ouvir novamente a sinfonia monofónica de gritos sexuais, saquei do meu telemóvel, coloquei uma música da Ana Malhoa no volume máximo e encostei-o ao tecto.

 

Foi remédio Santo. Ao que parece o casal copulador não gostava de ficar Turbinado!

 

 

 

O LEITOR DECIDE.png

 

Já votaram na próxima história? Basta carregarem na imagem acima! 

6 comentários

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    Triptofano! 20.10.2017 09:53

    David foi um golpe de fé! Os vizinhos podiam ser fãs como eu da Ana e ainda ficarem mais entusiasmados com a Diva Tropical Urbana que a Ana é! Mas felizmente para mim (desculpa Ana) que os ritmos sensuais dela serviram para tirar o tesão aos vizinhos!
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    David Marinho 21.10.2017 02:45

    ahahah
    E aposto que estão a ponderar colocar tampões nos ouvidos a partir de agora, se bem que isso deve tirar tesão na mesma, não ouvirem nada
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    Triptofano! 02.11.2017 07:58


    Já estou a imaginar a pessoa a olhar para o parceiro a abrir e a fechar a boca descontroladamente, sem sair som algum, como se fosse um peixe a respirar em seco!
    Realmente não é a imagem mais sensual que possa existir!
    Porém, que isto uma pessoa precisa de ver sempre o lado positivo, a ausência de som permite que durante o acto nos concentre-mos noutros afazeres, como mentalmente enumerar o que temos de comprar no supermercado ou perceber se a última vez que ligámos à mãezinha foi à muito tempo ou não!
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    David Marinho 07.11.2017 23:09

    Ainda soltas um "Foda-se, esqueci-me das cebolas, EU SABIA!".

    No entanto não há som e fica um ambiente estranho ahahah
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    Triptofano! 15.11.2017 22:49

    Mais vale um "Foda-se, esqueci-me das cebolas" do que um ""Merda, esqueci-me da mãezinha!".
    Como não há som os esgares serão interpretados como representações artísticas do prazer humano aquando o contacto sexual!
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