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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

13
Mar18

Parado no Trânsito


Ir à piscina faz-me bem!

 

Apesar de quando acordo de manhã maldizer a minha vida porque podia ficar mais 45 minutos na cama e voluntariamente não o faço, quando estou dentro de água é uma sensação de paz e tranquilidade que compensa o tempo que poderia estar a babar-me compulsivamente nos meus lençóis já ligeiramente mal-cheirosos porque tenho sido demasiado preguiçoso para os mandar à minha mãe de forma a ela colocar em acção as suas artes mágicas e devolver-mos assim fofinhos e perfumados.

 

É verdade que quando acabo as minhas piscinas diárias, volto a amaldiçoar a peregrina ideia de fazer desporto, já que todos os meus músculos gritam de forma agonizante de tão doridos que estão.
 
Para mim, músculos doridos são apenas aceitáveis se forem o resultado de uma valente dose de sexo, e mesmo assim, se o acto de copulação puder ser de ladinho, que é para uma pessoa não se cansar muito, tanto melhor, que isto de fazer posições acrobáticas para perder algumas calorias extra é algo que já está ultrapassado.
 
Na realidade, perder calorias foi sempre algo sobrevalorizado - porque é que não deixamos as pobres das bichas em paz? Elas estão a fazer-nos comichão em algum sítio para nos termos de ver livres delas?
 
Mas estava eu a dizer que a piscina tinha o condão de me transmitir calma, equilíbrio, relaxamento....e volta e meia uma vontade inexplicável de ser preso por tentativa de homicídio.
 
Isto por causa dos engarrafamentos que de vez em quando acontecem no complexo aquático, devido a alguns praticantes que possuem um ritmo assim mais a atirar para o lento, quase parado.
 
Eu bem sei que estou num horário livre, e que as pessoas não são todas obrigadas a nadar à mesma velocidade que eu.
Lembro-me ainda que no começo eu era um desastre, sempre aflito a pensar quando teria de pedir para ligarem para o 112, e se o conseguiria fazer com toda a água que me entraria para a boca mal a abrisse para pedir auxílio, mas com o tempo e o treino fui melhorando de uma forma bastante visível.
 
O que me irrita é porque é que raios pedem às pessoas para fazerem um teste de aptidão se depois há alminhas que me fazem ficar com o coração nas mãos, porque estou sempre com medo que elas se afoguem ali à frente de toda a gente, tão rudimentar que é a sua capacidade de se manter à tona.
 
Depois há aqueles que devem ter-se inscrito nas aulas livres de natação por engano, pensando certamente que estavam no clube das caminhadas.
É normal haver quem em vez de nadar ande aos saltinhos pela piscina fora, causando engarrafamentos monumentais?
 
Se o objectivo é saltar/caminhar/qualquer coisa que mais parece uma convulsão do que propriamente nadar, porque é que não se inscrevem nas aulas de hidroginástica?
 
Mas o que mais me enerva, aquilo que me tira mesmo do sério, o que me faz pensar que tenho de começar a trazer um Xanax sub-lingual no forro dos calções, são os que fazem de propósito.
 
Aquelas pessoas que nadam devagar, e tem gosto em demonstrá-lo mesmo à nossa frente, se calhar com a esperança que tenhamos um enfarte do miocárdio ou coisa similar.
 
São essas pessoas que sabem que eu estou ali a dar tudo por tudo, e que já perceberam que eu faço sempre duas piscinas seguidas antes de uma micro pausa; aquelas pessoas que estão muito felizes na borda da piscina, a ajeitar a touca, e os óculos, e os calções, e a verificarem se não tem calosidades nos cotovelos.
As mesmas pessoas que me vêem a nadar estoicamente na direcção delas, a aproximar-me cada vez mais, a preparar-me para fazer uma cambolhota em pleno movimento hidráulico para depois dar impulso contra a parede e continuar a nadar furiosamente.
 
E são essas pessoas do demónio, que estando eu em plena rotação sub-aquática resolvem começar a nadar de uma forma extremamente lenta, o que me faz quase ficar entravado das costas porque tenho de suspender a minha cambolhota a meio da mesma, para evitar que numa braçada literalmente atropelasse a pessoa e depois lhe sacasse a touca e a enfiasse pela goela abaixo para ver se aprendia boas-maneiras.
 
Claro que há o reverso da medalha, aquelas pessoas fofinhas que quando eu já estou muito perto delas param e me dizem para eu ir em frente.
 
E normalmente quando isso acontece era quando eu estava a precisar de uma pausa um bocadinho maior, mas com a vergonha lá agradeço e continuo a nadar, já com os bofes de fora, a acelerar o máximo possível porque de certeza que a outra pessoa deve estar quase quase a dar-me uma palmada nos pés, e quando finalmente consigo um avanço de meia piscina sinto-me quase a ponto de desmaiar, como se tivesse feito a travessia do Canal da Mancha, mas se desmaio a pessoa aí é que me apanha, e nunca na vida ser o causador de um congestionamento na piscina, por isso é colocar o turbo e sentir os músculos a queimar.
 
Só que tenho de confessar, nas minhas idas à natação existe ainda outra coisa que me está a consumir.
 
Porque é que raio, quando eu estou no balneário a vestir-me descansadamente depois de um treino, concentradíssimo em evitar cair redondo no chão por causa de não sentir as pernas, chegam meia dúzia de senhores de idade que estando o balneário vazio insistem em ir equipar-se mesmo à minha beira?
 
É que preferem ficar todos uns em cima dos outros, correndo o risco de enfiar um cotovelo em cara alheia, só para estarem mesmo em frente ao cacifo, do que irem para uma zona vazia e depois levarem as coisas calmamente para o cacifo sem importunarem ninguém!!!

 

 

Acham que ir à piscina me está a fazer mal?

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