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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Osmosis: E se a pessoa que amamos não for a nossa alma gémea?

04.04.19, Triptofano!

Esta foi uma das perguntas que me ficou a pairar na cabeça depois de ter visto de rajada os oito episódios da série francesa Osmosis, criada por Audrey Fouché para a Netflix.

 

A história passa-se em Paris, num futuro não muito distante, onde a sociedade está incontrolavelmente desesperada à procura do verdadeiro amor, apesar de contraditoriamente a dependência tecnológica e a aditividade do sexo virtual terem atingido picos estratosféricos.

 

Por causa desta necessidade fisiológica do ser humana de encontrar um amor biológico, na sua forma mais pura e sem limites, é desenvolvida a tecnologia Osmosis, um implante sob a forma de um comprimido que ao ser ingerido liberta nano-robots que se instalam no cérebro do hospedeiro.

 

É a partir das conexões neuronais e dos impulsos eléctricos por elas criadas que os robots conseguem decifrar os verdadeiros desejos de uma pessoa.

 

Depois, através de uma pesquisa exaustiva pela pegada digital é encontrada a alma gémea, sem a necessidade de horas perdidas em apps de relacionamentos ou de múltiplos encontros falhados - não há como errar, a cara da alma gémea aparece gravada na nossa mente e é essa pessoa que (supostamente) nos irá fazer feliz para sempre.

 

Se esta tecnologia um dia realmente chegar ao mercado será que iria ser procurada por aqueles que já estão numa relação com alguém que amam?

 

Será que preferíamos viver para sempre na dúvida se aquela pessoa é realmente a nossa alma gémea ou teríamos a curiosidade de saber se o nossa outra metade é alguém que nunca vimos, ou mesmo alguém do nosso passado?

 

E se descobrirmos que quem amamos não é quem nos completa na perfeição?

 

Deixaríamos uma relação feliz pela ambição de um nível de felicidade superior?

 

Pessoalmente acho que a tecnologia pode ser perigosa quando começa a tomar decisões por nós.

 

Quando um implante, por mais sofisticado que seja, diz-me que a pessoa que eu verdadeiramente quero é X em detrimento de Y ou Z, o meu livre arbítrio, por mais inexistente que ele já possa ser, desaparece por completo.

 

Além de que a nossa alma gémea pode ser a pessoa que nós queremos e não a pessoa que nós precisamos, e talvez tenhamos de encontrar a pessoa que precisamos para poder evoluir enquanto seres humanos e não a pessoa que queremos apenas para continuar a alimentar um ego narcisístico.

 

O que é que vocês fariam?

 

Se tivessem a oportunidade de descobrir quem era a vossa alma gémea eram capazes de o fazer?

 

Ou acham que certas coisas devem ser mantidas na ignorância?

 

Osmosis Netflix

 

 

5 comentários

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    Triptofano!

    04.04.19

    Mais vale andar feliz de olhos fechados do que amargurado com os olhos abertos?
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    MJP

    04.04.19

    Não acho que devamos viver amargurados... nem de olhos fechados!
    "Recentrando" a questão: não me sentiria confortável a deixar que uma "máquina" escolhesse por mim... gosto de tomar decisões, de usar o instinto... de arriscar...
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    Triptofano!

    04.04.19

    Ali uns olhos semi-cerrados para não entrar nenhuma areia então!
    Mas a máquina não iria na realidade tomar nenhuma decisão por ti, simplesmente ia mostrar quem era a tua alma gémea, depois a partir daí farias o que bem te aprouvesse! O grande problema é que a partir do momento em que te dizem que a pessoa que te vai fazer feliz é X o teu cérebro fica tão formatado que dificilmente darás hipóteses a Y ou Z!
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    MJP

    04.04.19

    Exactamente... é essa "formatação cerebral" que não quero... não quero ter algo ou alguém a "condicionar" as minhas escolhas!
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