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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Jun18

Os clientes não se matam, sangram-se!


Esta foi uma das frases mais inteligentes que ouvi nos últimos tempos relativa à restauração.

 

Não que seja apologista de torturarmos barbaricamente consumidores indefesos, mas na verdade o objectivo final de quem tem um negócio é apresentar um serviço que agrade ao cliente mas que lhe dê o máximo de lucro possível.

 

Por isso é que os clientes não se devem matar mas sim sangrar, deixando que eles voltem para casa, recuperem das feridas e quando já estiverem esquecidos da facada de que foram alvo, pimba, novo golpe.

Claro que apresentando sempre um serviço excepcional mas conseguindo transferir o máximo de euros para a conta bancária do negócio, sem nunca o cliente ficar com a sensação que foi explorado.

 

É muito importante haver um perfeito equilíbrio entre preço - serviço - qualidade.

 

Infelizmente não encontrei esta tríade de forma balanceada quando fui jantar ao Mariscador, situado na Praça de Touros do Campo Pequeno.

 

O espaço e o serviço são quase irrepreensíveis.

 

Fiquei na esplanada exterior, muito confortável e espaçosa, sem haver o problema de ter de ficar encafuado em cima de outras pessoas, como acontece em determinados restaurantes. A equipa que nos atendeu foi bastante profissional, conhecia os pratos que estava a vender e soube responder às perguntas que colocámos.

 

Teria sido perfeito se não fosse o facto de um dos elementos estar volta e meia a mascar pastilha. E isso é a pior coisa que se pode fazer quando se está a atender um cliente. Eu percebo que até possa ser uma forma de descarregar o stress, quem sabe uma pastilha de nicotina para ajudar a deixar de fumar, mas ninguém quer ver um empregado a ruminar enquanto decidimos qual prato vamos degustar.

 

A qualidade da comida é irrepreensível. Desde as cestas de pão à manteiga de algas servida na ostra, ao amanteigado do queijo e o picante das camarinhas (uns mini camarões muito crocantes), não esquecendo (e como poderia de tão bons que eram?) os croquetes de touro, o meu palato deu saltinhos de contentamento.

 

Ainda mais feliz fiquei quando chegou a sandes de caranguejo de casca mole em pombinhas (um pão típico da região de Santarém), um prato que me trouxe felizes lembranças da minha viagem ao Vietname, e que comi num abrir e fechar de olhos.

 

O problema na realidade foi este comer num abrir e fechar de olhos.

 

Porque enquanto a minha sandes estava satisfatoriamente servida, o pica-pau do cara-metade, apesar de delicioso, certamente que metade dele tinha sido extraviado para outra mesa. Porque é impossível servir-se uma quantidade tão pequena a alguém e anunciar que é um prato principal. Bem sei que devemos comer até ter os nossos estômagos 80% cheios, mas 80% é ligeiramente diferente que 40%.

 

Para piorar não é um prato barato - o valor que se paga é inversamente proporcional ao que se come. Mesmo os acompanhamentos que se podem pedir separadamente são demasiado caros para a quantidade que é apresentada, deixando a sensação que estamos a pagar mais do que aquilo que deveríamos.

 

O Mariscador podia ser aquele tipo de restaurante que sangrava um cliente mas fazia-o regressar, porque a qualidade do espaço é inegável, mas fazendo o cliente quase passar fome a um preço bastante elevado, acaba por o matar.

 

A sangue frio!

 

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

 

 

 

O Mariscador Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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