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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Onde o Desejo se Esconde | Ou como a Netflix me enganou

14.01.22, Triptofano!

Nunca mais acredito nas recomendações da Netflix! Onde o Desejo se Esconde foi-me apresentado pela Netflix como o filme mais visto daquele dia e eu, pessoa cédula, achei que se havia muita a gente a ver é porque o filme deveria ser bom. Obviamente que a Netflix pode apresentar os filmes do seu catálogo da forma como bem lhe apetecer e isso leva a que mais Netflixeiros incautos como eu sejam enganados de forma vergonhosa, num verdadeiro efeito bola de neve. É que o filme no seu todo é mau.

Onde o Desejo se Esconde

Cuidado: Zona contendo Spoilers!!!!!

 

Onde o Desejo se Esconde é a adaptação do livro de Nora Roberts com o mesmo nome, que nunca li mas que acredito piamente ser melhor do que o filme. Sejamos honestos, o Universo não permitiria que um mau livro fosse adaptado num mau filme. Claro que há o caso das 50 Sombras de Grey, mas aí estamos a falar de uma realidade paralela.

No livro de Nora Roberts, Grace é uma célebre escritora de romances policiais que ao visitar a irmã Kathleen descobre que a mesma, para ganhar algum dinheiro extra, é operadora de telessexo, sendo que acaba por ser morta estrangulada com o fio do telefone. Obviamente que a adaptação para filme tinha que espelhar a realidade dos dias de hoje, onde no máximo uma pessoa era morta com um impacto do telemóvel na testa mas nunca estrangulada com um fio de telefone, sendo que Kathleen faz performances eróticas online enquanto dominatrix, com direito àqueles anéis de luz que todo o que é influencer agora tem, e acaba morta estrangulada com uma meia.

Tanto no livro como no filme Grace apaixona-se pelo detective responsável pelo caso, mas não sabendo como se desenvolvem as coisas na obra literária, parte de mim ficou a pensar porque raio é que as pessoas perdem tempo no Tinder, visto que na película bastou à Grace um sorriso e meia dúzia de patacoadas para ter logo ali o homem a babar na mão dela. Solteiros deste mundo, se depois de verem este filme não aprenderem nada e continuarem solteiros então não há esperança para vocês.

Mas então e o que achei eu do filme? O início é para esquecer, com os nomes dos actores a aparecer com um tipo de letra que parecia mais que estava a ver um episódio do CSI do que um filme policial (chamem-me picuinhas, mas os detalhes importam). Eu até podia ignorar um pontapé de partida infeliz, mas as representações mostraram-se tão mázinhas mas tão mázinhas que todo eu fiquei cheio de vergonha alheia. Aquela cena onde a Grace abre um chapéu de chuva do nada para interrogar uma personagem e claramente não está a chover é só surreal. A não ser que o chapéu estivesse forrado de alumínio e ela estivesse a precaver-se dos Serviços Secretos poderem-lhe estar a roubar pensamentos.

O meio do filme melhora, não sei se porque as actuações também ficam ligeiramente melhores ou porque uma pessoa acaba verdadeiramente empolgada a tentar descobrir quem é o assassino. Só que o fim é uma treta pegada. Não porque não faça sentido mas porque parece que alguém decidiu que não estava mais para se chatear e revelou o criminoso assim de pé para a mão. Imaginem o mau da fita que andou todo o tempo a escapulir-se e a passar pelos pingos da chuva chegar a uma altura em que diz Pois é minha gente, tou farto, sou eu que ando a estrangular pessoas à maluca, prendam-me se faz favor. É basicamente isso que acontece.

E depois há detalhes que não são explicados no fim do filme. O mais gritante para mim foi o episódio da compra das flores com um cartão de crédito que depois não se percebeu o como e porquê é que aconteceu. Juro que parte de mim está com vontade de comprar o livro só para perceber essa parte, mas já estou a ver a cena de chegar ao fim e descobrir que tratou-se de uma liberdade criativa do filme que não existia no livro.

Em jeito de conclusão, Netflix, é a última vez que me enganas (até me esquecer e ser enganado de novo...)

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