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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

08
Jun18

Onde está a felicidade - Anthony Bourdain


Depois do suicídio da talvez não tão conhecida em Portugal, Kate Spade, segue-se a morte de Anthony Bourdain, aparentemente utilizando o mesmo método que Spade, o enforcamento.

 

O objectivo deste texto não é enaltecer as qualidades evidentes de nenhum dos dois, mas sim fazer uma reflexão sobre onde está realmente a nossa felicidade, aquela felicidade que muitas vezes procuramos desenfreados.

 

Por um aspecto de reconhecimento falemos de Bourdain, um talentoso Chef, escritor, contador de histórias, a trabalhar em novos episódios do seu programa de televisão Parts Unknown. Possuidor de fama, reconhecimento e dinheiro, Bourdain decidiu colocar um fim à sua vida.

 

Mas se tinha tudo isto, se tinha aquilo que tantos anseiam alcançar, aquilo que nos dias de hoje é programado nas nossas mentes como a imagem da felicidade, porque é que Bourdain terminou a sua odisseia na Terra? Será que devemos aplicar o ditado Dá Deus nozes a quem não tem dentes? Terá este mediático Chef desperdiçado uma oportunidade de felicidade pela qual tantos dariam metade da sua alma?

 

Ou será este ditado mais complexo do que parece à primeira vista? Será que Deus, ou o Universo, ou a Mãe Natureza -  escolham a entidade ou ausência dela que vos mais harmonize a essência - está constantemente a dar-nos nozes que nós rejeitamos e pomos de lado, na ânsia de procurar outras frutas mais lustrosas, mais suculentas, mais visualmente atractivas - mas que no fim apenas nos deixam um gosto amargo no céu da boca.

 

Nesta altura do campeonato já deveríamos saber que a felicidade é mais do que um bolso de dinheiro, mais do que milhares de subscritores num canal de Youtube, mais que quatro ou cinco prémios amontoados a ganhar pó.

 

Claro que todos queremos ser reconhecidos pelo nosso trabalho, pelo nosso esforço, pelo nosso empenho - afinal é mais que justo que assim seja - mas qual é o ponto em que nos alheamos da nossa essência cósmica e apenas trabalhamos em prol de um conceito de felicidade que sorrateiramente alguém surripiou aos nossos ouvidos.

 

Olhemos para trás na História. Foram os mais ricos e poderosos aqueles que foram mais felizes? Há uma relação directa entre poder, riqueza, reconhecimento e felicidade?

 

Agora lembremos-nos de alguém que tenha marcado de forma extraordinariamente positiva uma geração. Terá sido essa pessoa a mais rica, a mais bonita, a mais premiada da sua época?

 

Onde estará afinal a felicidade. O que é que nos faz realmente felizes e como é que podemos descobri-lo antes que seja tarde demais?

 

Para Bourdain, infelizmente, o breu da noite foi mais forte do que os raio de sol do amanhecer.

 

Que descanse em paz.

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