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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O Violino do Meu Pai

02.03.22, Triptofano!

Eu, Triptofano, aqui me confesso. Sou daquelas pessoas horríveis que adora mandar bitaites durante um filme, fazendo spoilers mesmo sem nunca ter visto a película. Certamente que todos vocês conhecem alguém assim, que está sempre a tentar deslindar o enredo ainda mal passaram 20 segundos de filme e consegue construir as teorias mais mirabolantes do século. Além de claro ter sempre opiniões extremamente assertivas sobre questões de pertinência mundial, como se o cabelo da personagem principal está ou não espigado ou se é suposto uma criança tão pequena já saber cozinhar enquanto o pai está deitado a olhar para o anteontem no sofá.

Confesso que no meu dia-a-dia tento controlar-me para não ser fuzilado com olhares de ódio por parte de amigos e do Cara-Metade, mas neste fim-de-semana que passei em Estoi encontrei o meu gang, a minha família, o meu grupo umbilical. Um conjunto de pessoas que também adoram mandar bitaitadas durante um filme, seja num momento de acção vertiginosa ou durante uma cena triste e melancólica onde todos choram compulsivamente.

Faz-me estranheza quem não gosta de ser comentador cinéfilo de sofá, porque muitas vezes são mais interessantes os comentários do que o filme em si. E foi isso que aconteceu com O Violino do Meu Pai, um filme que podem encontrar na Netflix da realizadora turca Andaç Haznedaroğlu.

O Violino do Meu Pai

Não que O Violino do Meu Pai seja um mau filme porque não é. As paisagens são maravilhosas, a banda sonora é incrivelmente envolvente e os actores fazem o seu papel bastante bem. Simplesmente é um filme previsível. Daqueles em que sabemos que há um drama, uma história mal contada, uma reunião, um outro drama ainda maior e por fim um felizes para sempre com direito a toda uma epifania sobre o sentido da vida.

E é essa epifania sobre o sentido da vida que, para mim, apresenta-se como a mensagem principal de O Violino do Meu Pai. Um relembrar que as prioridades dos outros podem não ser as nossas prioridades, e em vez de julgarmos e apontarmos o dedo devemos ter empatia e tentar calçar os sapatos de terceiros, porque um dia as nossas prioridades podem mudar drasticamente. E nessa altura que moral teremos para exigir que os outros respeitem as nossas decisões se no passado apenas tivemos a capacidade de olhar para o nosso umbigo? Tal como todos temos cotão no umbigo também não há nenhum de nós que não tenha telhados de vidro. Por isso guardemos as pedras para jogar à malha em vez de apontar à cabeça dos outros.

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