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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

13
Dez17

O restaurante mais exclusivo de Lisboa


Faz hoje exactamente uma semana que tive o privilégio de ir almoçar ao restaurante mais exclusivo de Lisboa.

 

Um espaço tão privativo que apenas serve, para um máximo de 30 pessoas, almoço às quartas-feiras.

 

Devem estar a pensar que um local que se dá ao luxo de ter este horário deve cobrar uma fortuna por refeição, de forma a poder ter lucro. Mas e se eu vos disser que por um aperitivo, um copo de vinho, água à descrição, 5 pratos (sim leram bem, 5!) e ainda um pãozinho para molhar no azeite paguei somente 15 euros?

 

O segredo é que este local é um restaurante de aplicação pertencente à Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. E conseguir uma vaga para lá almoçar é uma tarefa quase hercúlea.

 

Felizmente para mim, o cara-metade convidou-me a mim e à queridíssima Fátima Bento para experimentarmos o espaço, já que miraculosamente tinha conseguido arranjar duas vagas. E vocês perguntam, então o rapaz consegue dois lugares e eu vou com a Fátima em vez de ir com ele?

 

É que ele também esteve lá, só que foi a cozinhar!

 

E o que é que comemos nós? Deixo-vos aqui as magníficas fotos tiradas pela Fátima para vos aguçar o apetite.

 

Feno, Pedras e Mar

 

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Ostras fumadas no feno, com flan de couve-flor, mignonette e salada de agrião

 

 

Vieira da Silva 

 

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Soufflé de vieira, cracker de camarão, óleo de aipo, puré de beterraba, espuma de cenoura, puré de cherovia e floretes de bróculos
 
 
 
Imperador da Bolívia
 

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Imperador grelhado com romesco de amendoim, barrigoule de beringela, espinafres salteados, cogumelos e servido com pão de mostarda
 
 
 
Sinaloa, França
 

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Carré de borrego com o seu jus, nougatine, taco de borrego, salsa borracha, batata duchese e molejas
 
 
 
Sol de Inverno
 

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Blinis de chocolate, gelado de marmelo, dióspiro com maple, caramelo de maracujá e madalenas

 

 

Depois de vos ter deixado com água na boca agora a minha opinião honesta sobre a refeição.

 

 

A comida estava fantástica, muito bem confeccionada, irrepreensível. O peixe por exemplo estava cozinhado na perfeição, separava-se em lascas gulosas mantendo os seus sucos internos o que era um verdadeiro regalo para o palato.

 

Houve alguns percalços da minha parte e da Fátima durante a degustação, que eu atribuo ao facto do Madeira que nos serviram como aperitivo estar bem atestado, como termos ficado os dois a olhar para o carré de borrego sem perceber como é que aquilo se come (somos pessoas pobres que não sabem que este alimento pode ser consumido usando-se as mãos) e não termos estranhado não nos terem dado uma colherzinha para comermos o soufflé (então uma pessoa está num restaurante todo xpto, se nos dão garfo e faca para comer o soufflé nós vamos acreditar piamente que é assim que se come!), além da minha figura a comer ostras poder ser classificada de tudo menos de elegante.

 

Pessoalmente, o prato que eu mais gostei foi o Vieira da Silva, e não, não foi por ter sido o cara metade a confeccioná-lo.

 

Coisas que eu melhorava. A experiência em si. Primeiro havia algumas diferenças no empratamento e no tamanho das porções dos meus pratos e dos da Fátima. E quando estamos num restaurante de topo é obrigatório haver homogeneidade, não vá uma pessoa pensar que está a ser mais bem servida do que a outra.

 

Em segundo, e mais importante que tudo, o envolvimento do cliente na história de cada prato. Além de ter sentido algum nervosismo em quem nos serviu (apesar de ser compreensível visto ser um restaurante de aplicação) fiquei decepcionado por alguns dos pratos terem sido colocados na mesa sem uma descrição, por mais elementar que fosse, dos mesmos.

 

Mas claro que eu esperava mais que uma descrição elementar. Com nomes tão sugestivos, a minha expectativa era que fosse contada uma pequena história sobre a ideia por detrás do prato e como ela se traduzia na sua conceptualização alimentar. Porque tão importante como a comida, é a viagem que nós fazemos antes, durante e depois da sua ingestão. De outra forma, por mais saborosa que seja, vai apenas ser comida, e infelizmente vai acabar por não nos marcar como deveria.

 

Agora se eu voltava a este restaurante? Podem apostar que sim. Todas as semanas. Mas perguntava primeiro ao cara-metade como é que se comia cada prato para não passar vergonhas!

 

 

Restaurante de Aplicação Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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