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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

30
Mai18

O Relato Oficial do Casamento - Parte 2


De momento este blog ainda não foi encontrado e/ou identificado por nenhum dos noivos, por isso vou continuar a fazer o meu relato honesto sobre o acontecimento sempre com medo de represálias.

 

Já falei acerca da roupa, da comida, da bebida e do lançamento do bouquet. Nesta segunda parte vou-me debruçar sobre a animação, o corte do bolo e as fotografias.

 

 

As Fotografias

 

Uma das piores coisas num casamento é sem dúvida alguma as fotografias.

 

E nem estou a falar daquelas da praxe que temos de tirar com o noivo e com a noiva, sempre muito sorridentes, como se não os estivéssemos secretamente a odiar por nos terem feito esperar hora e meia à torreira do sol simplesmente porque é muito giro a noiva chegar atrasada e mais outra hora para a celebração em si.

 

As piores fotografias são aquelas que são tiradas sem o nosso consentimento informado.

 

Estamos nós com a boca cheia de amendoins e pumba, aparece o fotógrafo para nos tirar uma foto. Estamos nós a atacar a mesa do marisco sem dó nem piedade salivando como se não víssemos comida há séculos e pumba, aparece o fotógrafo. Estamos nós a fazer um passo de dança mais arriscado e pumba, aparece o fotógrafo. Estamos nós a vomitar na casa-de-banho depois daquele décimo rum-cola e pumba, aparece o fotógrafo.

 

E pior de que nos estarem sempre a tirar o retrato, é quando o raio do homem se coloca à frente do nosso campo de visão. Ele estava à minha frente na parte da troca de alianças. Ele estava à minha frente quando cortaram o bolo. Ele estava à minha frente quando apresentaram um slide show manhoso.

 

Sinceramente o meu instinto homicida estava ao rubro.

 

E pergunto-me eu, se havia um drone para tirar fotos (ainda estou a pensar em processar os noivos por me tirarem fotos tão explícitas da careca), porque é que raio não correram o casamento todo a fotos aéreas?

 

O Corte do Bolo

 

Primeiro tenho que dizer que este bolo de casamento estava muito bom. Com amêndoa, levezinho, papei-o num abrir e fechar de olhos.

 

O corte do bolo foi feito mais cedo do que é costume, lá por volta das nove e meia da noite. Foi um momento bonito, com o raio do fotógrafo à minha frente, sendo que houve assim uma pequena explosão de fogo de artifício que permitiu que os convidados pudessem focar a sua atenção em outra coisa que não os noivos.


Mas antes do corte fomos todos convocados para fazer um corredor de amor (o nome é da minha autoria, nada de copiar), onde os convidados estavam todos lado a lado, cada um com uma daquelas velas para bolo que quando se acende começa a mandar muitos faíscas, a fazer um caminho para os noivos passarem elegantemente.

 

Primeiro que tudo, aquilo trouxe-me memórias da escola e dos corredores da morte, onde uma pessoa levava calduços a torto e direito, por isso tive de me controlar para não dar um biqueiro no noivo quando ele passou por mim.

 

Em segundo, ficou muito bonito sim senhor o foguete a arder mas estava com um medo danado que aquilo me queimasse ou as mãos ou a roupa.

Não podíamos ter feito o mesmo efeito com a lanterna do telemóvel?

 

Triptofano Casamento

 

 

A Animação

 

Pronto minha gente, aqui é que a porca torceu o rabo. Vocês que estiveram a ler o relato até devem ter pensado, ah e tal, o casamento nem foi assim tão mau, o Trip é que é muito exigente.

 

Pois bem, agora vão saber porque é que eu achei que o casório foi apenas aceitável.

 

Depois do corte do bolo, onde toda a gente estava meio espevitada por estar ao ar fresco, voltámos para o salão de festas. E eu pensei, agora é boa altura para colocar toda a gente a dançar e a mexer.

 

Pois que não.

 

Primeiro tivemos que ver um daqueles slide shows fenomenais, com toda a família dos noivos a desejar felicidades e a pedir aos santos que não se divorciassem naquele mesmo ano que tinham ficado endividados com a festa e a fazer com que metade das pessoas presentes choramingasse e a outra metade bocejasse.

 

Quando acabou pensei que finalmente era a altura da dança.

 

Pois que não.

 

Como os noivos não queriam fazer uma dança inaugural, já que nenhum deles era assim muito coordenado, fizeram um jogo chamado Alta Pressão (ou algo do género) onde basicamente tinham de responder a questões feitas um pelo outro para todos sabermos o quão bem eles se conheciam.

 

E aqui eu pergunto, o que raio me interessa saber se eles se casaram sem fazer a mínima ideia de quem é a outra pessoa ou não?

 

É que se ainda fossemos nós a poder fazer perguntas a eles, era outra coisa.

Eu já tinha preparado um O noivo tem a pila babona? ou um Já fizeram sexo enquanto a noiva estava com o período? que obviamente iria aumentar os ânimos do pessoal.

 

Mas não, fiquei a saber da história de uma canja salgada, que o noivo partiu duas vezes o braço e que a primeira reserva que fizeram para jantar foi num restaurante vegetariano.

 

Neste momento toda a sala já estava em modo ronco.

 

Após a última pergunta o meu coração encheu-se de júbilo. Era agora o momento da dança.

 

E foi!

 

A banda chegou e quando começou a tocar o meu coração partiu-se. 

 

Música Rock.

É que não era que fosse má música, mas não era para dançar, não era aquela música que nos tira o cu da cadeira e nos faz requebrar até ao chão.

 

É que não houve um Eu levo no Pacote da Rosinha, nem uma kizombada, nem uma daquelas músicas latinas sensualonas. Nem sequer se fez o comboiozinho, como é que é possível um casamento sem o comboiozinho?!?!

 

Conclusão, começou tudo a debandar. Como o casamento era fora de Lisboa, eu e o cara-metade também decidimos que era altura de ir para casa antes de adormecermos em cima da mesa. Não ficámos para o karaoke que haveria a seguir, mas também não me parece que alguém fosse cantar a Ampulheta da Ana Malhoa....

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