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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

28
Mai18

O Relato Oficial do Casamento - Parte 1


Agora sim minha gente, sentem-se confortavelmente nos vossos assentos, puxem para o pé de vocês as pipocas e libertem o vosso espírito de alcoviteira, porque vou contar tudo, mas tudo o que se passou no casamento de sábado.

 

Se acham que o casamento do Príncipe Harry e da Meghan foi a celebração do ano, provavelmente estão correctos, mas este casório a que eu fui teve algo que o casamento real não teve, e essa coisa foi obviamente a minha presença, que faz logo toda a diferença em qualquer festança.

 

A verdade é que não soltei a franga no sábado, mas também não me tentei suicidar engasgando-me com uma mão cheia de amendoins, por isso classifico a experiência no seu todo como aceitável.

 

Deixo-vos aqui as minhas reflexões sobre alguns tópicos relativos ao casamento:

 

Roupa

 

Se acham que aqui o Triptofano vai vestir um fato para ir a um casamento estão muito errados.

 

Primeiro, porque continuo sem conseguir vestir aquelas calças malditas que alguém me encolheu, segundo, porque é preferível ir confortável do que ir todo pipi e passar um sofrimento atroz e nem aproveitar a festa.

 

Triptofano Casamento

 

Como podem ver pela foto, apesar de ir despojado do tradicional fato, ia muito bem compostinho, como é esperado de alguém do meu status social (cof cof).

 

Relativamente aos outros convidados havia de tudo.

 

Aquelas pessoas que foram à feira de Carcavelos comprar a roupa mais berrante que por lá havia certamente na esperança de servir como sinal luminoso a uma nave alien que as raptasse num momento de maior tédio, as que iam compostinhas e bonitinhas mas tinham comprado sapatos um tamanho abaixo ou esqueceram-se da sua predisposição para acumular líquidos na parte inferior do corpo depois de meia-hora em pé, e as que iam confortáveis e passaram o casamento sem grandes atribulações de vestuário.

 

Entre os convidados houve um senhor que veio de calças de ganga e camisa do dia-a-dia, que eu pessoalmente nem achei mal, afinal se é para estar à vontade é para estar à vontade.

 

Agora roça um bocadinho o limite do ridículo quando um outro jovem, no copo de água, vai ao carro tirar o fato e volta de calções de corrida e t-shirt. Eu sei que estava calor mas pronto, too much is too much...

 

Aproveitando que falo de calor, um pedido às senhoras que me estão a ler.

 

Não façam aventuras quando vão a um casamento. Se não estão acostumadas a maquilhar-se, deixem isso para lá. De certeza que são bonitas de qualquer forma, e mais vale uma cara com um bocadinho de acne, do que ter alguém a escorrer maquilhagem a meio da tarde, ou uma moça aflita a ver que as pestanas postiças compradas na Primark iam-lhe saltar para dentro do creme de espargos.

 

E não acordem às cinco da manhã para irem ao cabeleireiro. Ninguém merece perder horas de sono para acabar com uma espécie de caniche empalhado no cimo da cabeça.

 

E a noiva?

 

Sou sincero que estava à espera de um desastre de comboio daqueles que acontecem na Índia, e até tinha ensaiado em casa a minha cara de reprovação quando visse o modelito, mas surpreendi-me porque era muito bonito. Renda à frente, transparência atrás, assentava-lhe muito bem e ficou uma noiva lindíssima. Quando soube o preço do vestido tive um pequeno enfarte, mas pronto, os convidados pagam a madrinha da noiva paga!

 

 

Comida

 

Casamento que é casamento é para comer. É para encher o estômago até não poder mais. É para se levar Kompensan e Eno de casa, fazer um cocktail com água das pedras, rezar para não se vomitar em cima do centro de mesa, dar uma meia-horita e estar preparado para voltar a dilatar ao máximo a nossa cavidade estomacal. 

 

Infelizmente acabei por me esquecer do meu conjunto de tupperwares para encher até ao cimo com marisco e queijo, e também não levei a minha Michael Kors com bolsa isotérmica de forma a conservar os mantimentos mais perecíveis, por isso tive que me conformar em que o que não comesse naquela altura já não ia poder voltar a comer.

 

A comida no geral estava boa, nada de espectacular, mas bem feita, saborosa e variada.

 

Havia alguns detalhes que, como é óbvio, o cara-metade não deixou de me referir, como demasiado caldo Knorr no molho aveludado de camarão, ou do sequestro dos espargos no creme de espargos que devia ser de outra coisa qualquer, ou das ostras que não estavam conservadas em cima de gelo, o que certamente provocou a quem as consumiu uma daquelas diarreias de jacto que tem a capacidade maravilhosa de mudar a cor da nossa loiça sanitária.

 

Mas eu perdoo tudo isto porque havia fruta suculenta (falo primeiro da fruta que é para não pensarem que sou um alarve) e doces, muitos doces, capazes de matarem meia dúzia de velhos diabéticos que por lá andavam a enfiar os dedos nas cornucópias e nos doces de ovos e em todas as outras coisas deliciosas cheias de calorias que nem uma semana a nadar vai-me conseguir tirar das ancas.

 

Triptofano Casamento

 

Triptofano Casamento

Triptofano Casamento

 

 

Bebida

 

Se não houver um familiar de um dos noivos completamente enfrascado lá por volta das cinco da tarde então é porque algo não está a correr bem. Neste casamento isso não foi um problema, porque já havia gente a cair para o lado por volta das três e meia.

 

Agora no meu caso não sei o que aconteceu, porque ou o meu fígado ganhou capacidades mutantes e conseguiu digerir tudo o que era álcool, ou as bebidas que me serviram estavam muito diluídas. Eu bebi sangria, eu encharquei-me com vinho branco, eu mamei uma data de cervejas artesanais, eu dei-lhe forte no rum cola, e nada, nada minha gente! Nem alegre eu fiquei.

 

Perguntam vocês porque é que eu queria colocar-me num estado alcoolizado? Ora se tivessem visto a mesa onde eu estava tinham percebido o porquê do meu desespero....

 

Sabem quando toda a gente se conhece e vocês são a única pessoa fora do grupo? E há uma data de piadas internas que ninguém se dá ao trabalho de vos explicar? Ou quando resolvem fazer uma recapitulação dos últimos 15 anos da amizade? É nesse momento que vocês desejam com a maior força do vosso ser ter um tampão que possam embeber em vodka e enfiar pelo rabo acima de forma a bater mais forte....

 

 

O Lançamento do Bouquet

 

O desporto de contacto por excelência. O desespero é tal de certas jovens para não ficarem solteironas que há placagens, cotoveladas, mordidelas, tudo vale na hora de apanhar o ramo de flores.

 

Ora neste casamento não houve nada disso, para minha tristeza que já estava pronto para fazer um boomerang para o Instagram.

 

Em vez de uma luta animalesca houve uma espécie de caça ao tesouro. Espalhados pelo recinto da quinta havia quatro frasco com fitas numeradas e quem conseguisse reunir todas as quatro fitas primeiro ganhava o bouquet. Mas o mais interessante é que além do bouquet - representado pela fita rosa - estava em jogo o laço do noivo - representado pela fita azul e que garantia um namoro feliz - e o laço do filhote dos noivos - representado pela fita amarela e que faria a quem o ganhasse ser o próximo a ter filhos.

 

Pois bem minha gente, quem não me conhece fica aqui já a saber que eu sou uma pessoa ligeiramente competitiva, por isso mal deram o sinal de partida foi ver-me a empurrar pessoas do caminho e a correr atrás do raio das fitas.

 

O resultado foi ter conseguido reunir as quatro fitas amarelas, por isso eu e o cara-metade vamos ser os próximos a ser papás.

 

Na verdade até é possível, já que não temos aquela chatice do tempo de gestação, é só telefonarmos para a Madonna e perguntarmos se ela nos pode dar o contacto da agência que lhe mandou aquela filharada toda quando ela descobriu que já não tinha grande sucesso a lançar novos álbuns!

 

Triptofano Casamento

 

 

Como este post já vai longo, a segunda parte do relato oficial do casamento fica para amanhã! Espero que estejam a gostar 

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