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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

11
Set18

O que é que aconteceu ao pão?


Peguem nas vossas pedras, façam pontaria e ao meu sinal podem começar a tentar atingir-me no toutiço.

Isto tudo porque vou falar um bocadinho sobre a moda das intolerâncias alimentares.

 

Sei que é um assunto que mexe com muita gente, desde aqueles que defendem com unhas e dentes as intolerâncias até aos que dizem que é tudo uma invenção do psicológico dos supostos afectados.

 

A verdade é que cada vez mais há pessoas com intolerância ao glúten, à lactose, ao marisco, ao peixe, à soja e a mil e umas outras substâncias mais ou menos frequentes na nossa alimentação diária.

 

Não digo que quem possui intolerâncias (ter em atenção que intolerância é algo muito diferente de alergia) está a inventar só para se sentir especial, acho que ninguém se sente especial (ou não deveria) por passar horas a vomitar ou a esvair-se em diarreias sanguinolentas acompanhadas de cãibras estomacais.

 

O que eu acho é que hoje é muito fácil dizer que alguém possui uma intolerância sem na realidade saber exactamente ao que essa pessoa é intolerante.

Mas como há necessidade de haver algo que culpar, ou seja, um bode expiatório, normalmente aponta-se o dedo a uma substância que ande na boca de tudo e todos (mesmo que nem se perceba muito bem o que essa substância é), como por exemplo o glúten ou a lactose.

 

Falemos do glúten.

 

Durante toda a história da humanidade o Homo sapiens ferrou o dente no seu belo pãozinho, sem se preocupar se era ou não gluten-free.

 

Na realidade, gostava tanto de pão que, por exemplo, os dentes das múmias do Antigo Egipto encontram-se muito desgastados por causa do consumo de areia concomitante com o de pão - é que eles usavam areia para ajudar a moer os grãos de cereal.

 

Claro que alguns dos nossos antepassados sofreram de alergia ao glúten e provavelmente não tiveram um fim muito simpático, mas a intolerância ao glúten era coisa que não se falava, provavelmente por também não existir nenhum supermercado que vendesse cinquenta variedades de biscoitos isentos dessa substância do demónio.

 

Eu, Homo sapiens que comeu a sua dose de areia em criança, normalmente faço pão em casa.

 

É chato, dá trabalho, e eu não nasci de todo para ser aquele tipo de pessoa fantástica que acorda às cinco da manhã super motivada para fazer pão quentinho para toda a família.

Mas faço.

 

O clique deu-se quando um dia descobri duas fatias de pão de forma perdidas no armário com a validade expirada há mais de quatro meses ainda fofas e frescas.

 

Obviamente que as comi (isto uma pessoa não pode andar a desperdiçar comida) mas fiquei a matutar, o que é que este pão leva de conservantes e outros químicos que tais para se aguentar tanto tempo?

 

A partir daí comecei a fazer regularmente pão em casa.

 

Uma das coisas que tenho sempre cuidado é deixar o pão levedar durante uns trinta minutos, de forma a que as ligações de glúten se quebrem e sejam mais facilmente digeridas pelo nosso organismo.

 

Se todos os locais que fabricam pão o deixam levedar com calma? Não sei, mas talvez este detalhe contribua para o facto de se ser ou não intolerante.

 

Mas o mais gritante, e atenção que já não estou a falar de pão de forma mas sim do pão que se compra avulso numa grande superfície comercial - do cacetinho, da bolinha, do pão da Avó Jaquina -, são os ingredientes que se utilizam para fazer pão.

 

Em casa eu uso água, farinha, fermento, sal, e, se estiver inspirado, algumas sementes para me convencer que sou saudável.

 

Desafio-vos a verem os ingredientes do pão que vocês compram e a encontrarem algum que tenha tão poucos como os que eu uso.

Não é fácil mas também não é impossível - o problema é que a maioria está carregado de milhentas coisas que não deveriam lá estar!

 

Atentem à imagem dos rótulos de duas variedades de pão que se vendem numa superfície comercial do nosso país:

 

Ingredientes do Pão

 

Ingredientes do Pão

 

Vinagre de vinho? Ácido sorbico encapsulado? Ésteres com um nome demasiado complicado para sequer ser pronunciado?

 

Será que nós sabemos realmente o que estamos a comer?

 

As intolerâncias ao glúten serão mesmo ao glúten? Ou estará algum destes ingredientes "extra" a prejudicar a nossa saúde?

 

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