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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O Leitor Decide - Haldol

22.12.19, Triptofano!

O Leitor Decide - Qual a decisão de Ana:

a) Sai do carro e vai ter com a figura - 5 Votos b) Continua a conduzir até estar em segurança e liga para a polícia - 9 Votos

O Leitor Decide

* Quando conseguiu ficar ligeiramente mais calma olhou pelo espelho retrovisor e viu a figura estendida no chão sem se mexer. Estaria morta?

Ana decidiu que não se ia colocar mais em risco. Tanto podia estar efectivamente morta como podia estar viva e à espera que ela se movesse pela curiosidade de saber quem era a figura para lhe desferir uma facada fatal no pescoço.

Continuou a conduzir até estar a uma distância segura, altura em que estacionou na berma da estrada, tirou o telemóvel do bolso e ligou para o 112.

Quando do outro lado da linha ouviu uma voz despejou entre lágrimas e soluços a sua história, de como alguém desconhecido lhe tinha partido o vidro do carro para depois a tentar estrangular, e como ela na sua ânsia de fugir tinha deixado um corpo atropelado para trás.

O operador pediu-lhe que se acalmasse e que não saísse de onde estava, que iria enviar um carro da polícia ter com ela o mais rapidamente possível.

Ana saiu do carro com todos as moléculas do seu corpo a vibrar descontroladamente. Colocou mais um dos comprimidos para a ansiedade debaixo da língua e respirou fundo. Precisava de se controlar e de ter a cabeça fria para quando os polícias chegassem. É verdade que ela tinha sido atacada mas não era menos verdade que ela tinha atropelado alguém e fugido sem prestar auxílio! Será que poderia ser presa por homicídio?

Nem dez minutos tinham passado quando o carro da polícia chegou. Lá dentro vinham dois homens, um alto, louro, com bigode farfalhudo, e um mais baixo, com umas ripas de cabelo seboso e um perímetro abdominal que faria pesadelos a qualquer nutricionista.

O polícia louro trocou algumas palavras com o colega antes de sair do carro e ir em direcção a Ana, que lhe explicou detalhadamente tudo o que tinha acontecido, esforçando-se ao máximo para não começar a chorar descontroladamente.

Depois de a ouvir atentamente, o polícia pediu-lhe para a acompanhar até ao local onde o suposto ataque tinha acontecido. Ana rangeu os dentes a ouvir o termo "suposto ataque" mas compreendia que aquela era a forma de actuar da polícia. Estava a começar a encaminhar-se para o carro deles quando o polícia louro lhe pediu, caso ela não se importasse, que preferia que fossem os dois no carro dela.

Pelo canto do olho Ana viu que o polícia seboso tinha desapertado o cinto e estava a atacar com vontade um dónut cor-de-rosa - que cliché digno de um filme rasca.

Em poucos minutos ela e o agente estavam no local do ataque, mas não havia qualquer sinal do corpo. 

- Tem a certeza que foi aqui que foi atacada Sra. Ana? - perguntou o polícia com um sorriso escarninho no rosto. - É que não encontro nem sinais de sangue nem de estilhaços de vidro ou qualquer outra coisa que possa indiciar que tenha havido uma tentativa de homicídio. Já agora - continuou ele sem lhe dar tempo para responder - o que é que estava aqui a fazer? Esta altura do ano não é a mais indicada para vir tomar banhos de sol não acha?

Ana sentiu-se a ficar ruborizada e logo depois branca como o cal. Não queria dizer àquele homem que tinha vindo ali na intenção de se suicidar. Iria ele achar que ela estava louca? Ou pensaria que tudo não passava de uma invenção de uma mulher com demasiado tempo livre? A pergunta que ele fez a seguir deu-lhe a certeza de que ele não acreditava em nada do que ela tinha contado.

- Sra. Ana, tomou algum estupefaciente que pudesse, digamos, tê-la feito imaginar coisas?

- Eu não imaginei nada Sr. Agente, tudo o que eu lhe contei é a mais pura das verdades!!! - quase que gritou Ana com os olhos marejados de lágrimas de fúria.

- Ok, ok, não precisa de se exaltar. De qualquer das formas não há mais nada que possamos fazer aqui. Vou levá-la à esquadra para recolher o seu depoimento e depois decidiremos o próximo passo a tomar. Permita-me que eu conduza o carro de forma a você descansar um pouco.

Ana anuiu com a cabeça. Estava completamente de rastos e a última coisa que queria era voltar a pegar no volante.*

O alarme do telemóvel de Lúcia tocou, relembrando-a que em uma hora tinha que se encontrar com Jaime no novo restaurante italiano da cidade.

Jaime era um ex-colega de trabalho que Lúcia tinha reencontrado no Instagram, e com quem tinha saído um par de vezes. Não se orgulhava de ter de usar redes sociais para encontrar homens, mas estava à demasiado tempo solteira e Jaime era um bom partido, tirando a obsessão patológica com as horas. Se Lúcia chegasse atrasada um minuto que fosse ele ficaria furioso, por isso fechou o livro e começou a preparar-se para tomar banho. A história podia ficar para depois.

Quando já estava a secar o cabelo, depois de ter lavado e exfoliado e tonificado o corpo todo, o telemóvel voltou a tocar, anunciando que tinha recebido uma mensagem. Provavelmente era Jaime a avisá-la que já estava a caminho e que esperava que ela não chegasse atrasada, mas quando carregou no símbolo do envelope e a mensagem se abriu o que a esperava era algo completamente diferente!

O Leitor Decide

Lúcia demorou alguns segundos a assimilar o conteúdo da mensagem.

Porque é que ela se tinha ido embora e o deixado lá? Lá onde? E quem é que lhe estava a enviar aquela mensagem? Uma ideia maluca passou-lhe pela cabeça mas não, não podia ser.

O telemóvel voltou a tocar, anunciando nova mensagem.

O Leitor Decide

Apoiou-se no lavatório porque uma sensação repentina de mau estar tomou conta dela, e foi por muito pouco que conseguiu controlar um arranque de vómito.

Quem é que lhe estava a mandar aquelas mensagens?

Só podia ser uma brincadeira de mau gosto relacionada com o livro que ela estava a ler, mas quem é que poderia estar a fazer aquilo? Quem é que saberia em que parte do livro estava ela agora? Obviamente que não podia ser a figura que Ana tinha atropelado no história que lhe estava a mandar as mensagens, era surreal, era simplesmente esquizofrénico.

Mas estava ali, no telemóvel dela, escrito preto no branco que ela teria de morrer, porque a outra não tinha morrido. Será que Lúcia devia ter escolhido de forma diferente?

Fechou os olhos com força e respirou o mais calmamente que conseguiu. Tudo aquilo tinha de ser um pesadelo, não era possível que aquilo pudesse estar a acontecer-lhe. Abriu os olhos e as mensagens continuavam lá, a brilhar de forma ameaçadora. Tinha de tomar uma decisão...

 

O Leitor Decide - Qual a Decisão de Lúcia:

a) Pega no livro decidida a queimá-lo

ou

b) Vai ter com Jaime e conta-lhe o sucedido na esperança que ele a ajude

ou 

c) Desmarca o encontro e vai à procura do alfarrabista que lhe vendeu o livro

 

Deixem a vossa escolha nos comentários! No próximo domingo a história continua de acordo com a vossa decisão!

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