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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

26
Fev18

O dia em que dei cabo do meu períneo


Quando era novo adorava andar de bicicleta, tirava um imenso prazer em pedalar pela estrada fora sentindo o vento na cara e comendo de vez em quando o tradicional mosquito que se nos enfia pela boca dentro.

 

Com o passar dos anos deixei-me dessa prática, e apesar de dizerem que nunca se esquece de andar de bicicleta, a verdade é que apanhei medo de o fazer.

 

Tal como tenho pavor em conduzir também andar de bicicleta é algo que não nutre a minha maior simpatia. Para azar dos azares, o cara-metade adora este meio de transporte, muito provavelmente fruto dos tempos em que viveu na Holanda, e onde usava a bicicleta para se deslocar para qualquer lado.

 

O ano passado quando fomos a Copenhaga, convenceu-me a alugar uma daquelas bicicletas de turista e a dar um passeio pela cidade. 

Não sei que comprimidos é que ele me misturou na comida, mas eu disse que sim, que ia com ele, e tirando o facto de ter sido quase atropelado por um camião até foi um passeio que correu razoavelmente bem!

 

Apesar de para mim ter sido uma superação gigantesca, sei que o cara-metade gostava que eu fosse mais arrojado no que toca a este meio de transporte, por isso quando descobri que a Carris e a Lisbon Bike Tour estavam a fazer passeios de bicicleta por Lisboa gratuitos, perdi a cabeça e inscrevi-nos aos dois.

 

Ontem ainda não eram nove da manhã já estávamos nós perto da estação de comboio de Sacavém.

O percurso seria de aproximadamente 12 km, findando no Terreiro do Paço. Eu e o cara-metade íamos um bocadinho de pé atrás, porque à última da hora descobrimos que afinal tínhamos-nos inscrito num curso de condução defensiva, e já estávamos a imaginar as nossas pessoas enfiadas numa sala durante um par de horas a ouvir falar sobre como é que deveríamos proceder para não acabarmos panqueca debaixo de um carro.

 

O sentimento de desconforto começou a aumentar quando a hora de encontro se aproximava perigosamente e não havia ninguém nas redondezas. Nesse instante o meu intestino começou a ameaçar irritar-se o que me fez verificar se havia alguma casa-de-banho nas redondezas - não havia, mas arbustos não faltavam em caso de extrema necessidade.

 

Depois de um telefonema e mais alguns minutos de espera tudo se resolveu. Apareceram mais alguns participantes (no total éramos 5) e os coordenadores do projecto.

E que boa surpresa!

Extremamente simpáticos, afáveis, colocaram-nos totalmente à vontade e encorajaram-me a não ter medo, que era tudo uma questão de prática e de auto-confiança. Depois de umas voltinhas no parque de estacionamento e uma breve explicação sobre os gestos de sinalização eis que nos lançamos em direcção ao nosso passeio.

 

Então mas e o curso de condução defensiva?

 

O curso existiu, mas de uma forma totalmente prática. Basicamente, de tempos a tempos parávamos para falar um pouco sobre uma situação concreta com que nos tínhamos deparado. A utilização de uma ciclovia (que não é obrigatória de utilizar, pode-se continuar na estrada mesmo existindo esta), as particularidades de fazer uma rotunda (independentemente do número da saída podemos circular pela parte de fora da rotunda, mas perdemos a prioridade caso algum carro queira sair) e a importância de manter contacto visual com os condutores e os peões - o ver e ser visto - foram alguns dos tópicos que abordámos durante a viagem.

 

Confesso que inicialmente estava tão nervoso que achava que ia cair redondo no chão à primeira curva, e ainda mais stressado fiquei quando o percurso começou com descidas e eu a pensar que os travões ou não iam travar ou iam travar demais e eu ia-me esborrachar contra o cimento. Mas com o desenrolar do percurso fui ganhando mais confiança, e acabei a desfrutar do passeio e das paisagens com que me ia deparando. É verdade que ainda fico muito nervoso a sinalizar a mudança de faixa, e facilmente perco o equilibro da bicicleta, mas novamente foram todos espectaculares comigo, acarinharam-me e incentivaram-me.

 

No fim, ainda fomos todos brindados com um saboroso pastel de nata para repor energias.

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Agora, não há bela sem senão, e esta brincadeira valeu-me um períneo destruído, ainda agora estou com umas dores que nem vos digo nem vos conto. Já me fartei de borrifar água termal na zona a ver se me apazigua a irritação mas estou a ver que isto uma pessoa vai ter que sofrer ainda durante alguns dias.

 

A única coisa que me dá algum conforto é, o cara-metade ser tão pró mas tão pró na bicicleta (palavras dele), mas ter o períneo ainda mais destruído que o meu!

 

 

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