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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

12
Nov18

O dia em que dei cabo de um país


Há pessoas que ambicionam ser presidentes de um país para sentirem que são poderosas, que podem se assim lhes apetecer carregar num botão e lançar um míssil e dar cabo de uma cidade a milhares e milhares de kms de distância, isto enquanto publicam uma foto no seu Instagram oficial ou acabam de almoçar uma alheira com batatas fritas (claro que para esta fantasia ser minimamente credível há uma lista de países passíveis de se ser presidente, que se fosse por exemplo cá em Portugal a única coisa que se podia lançar era um Marcelo beijocador com herpes labial que causaria o pânico na OMS).

 

Eu nunca fui detentor de tais fantasias de pseudo-grandiosidade, sempre estive muito tranquilamente no meu espaço, sem grandes atritos nem conflitos, mas isso não me impediu de ontem dar cabo de um país.

 

No corredor de minha casa tenho colado na parede um daqueles mapas mundo todos coloridos com os nomes dos países.

 

 

Como já lá está há uns anos e pelo facto da qualidade do mapa também não ser a melhor, muitas partes já possuem pontas levantadas, sendo que se no início isso me fazia comichão agora já nem ligo.

 

Outra coisa que tenho em casa, são aqueles peixinhos-de-prata, uns bicharocos inofensivos mas que me irritam de uma forma indescritível.

 

Eu limpo, eu lavo, eu aspiro, mas os sacanas não há forma de desaparecerem - e ainda por cima não pagam renda os aproveitadores.

 

Ontem, estava eu a mudar a gaiola das minhas porquinhas, quando a passar no corredor vejo um daqueles peixinhos-de-prata muito refastelado a comer parte da cola que ainda resta do meu mapa-mundo.

 

Eu sei que devia ter tido calma, que devia ter respirado fundo, que devia ter contado até 100, mas subiu-me por mim acima uma irritação tão grande que dei uma pantufada de todo o tamanho no bicho que o fez voar uns bons cinco metros.

 

Estava eu com um sorrisinho de vitória na cara quando olho para a zona do mapa onde desferi o golpe e apercebo-me que faltava lá qualquer coisa.

 

Com a violência da pancada tinha conseguido arrancar Cuba do sítio.

 

Assim de um momento para o outro, dei cabo de um país.

 

Procurei Cuba por todo o lado.

 

No chão, nas paredes, na sola dos meus pés, no tecto, não havia sinais do país. Era como se tivesse levado com uma bomba atómica em cima, eclipsando-se no vazio da inexistência.

 

Em desespero chamei o Cara-Metade e expliquei-lhe que ia meter Portugal numa alhada em termos de relações internacionais.

 

Os cinco minutos seguintes foi ver-nos de cu para o ar à procura de Cuba.

 

Foi o Cara-Metade que encontrou o país desaparecido, colado no saco do lixo que eu estava a usar para mudar a gaiola das porcas, e foi ele que com todo o cuidado o voltou a colocar no sítio.

 

Ainda sugeri que já que estávamos com a mão na massa que a colocasse assim mais perto de Portugal, para as passagens aéreas ficarem mais baratas, mas ele não foi na minha conversa....

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