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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Novo Modelo de Receita Manual

15.07.19, Triptofano!

Cada vez mais a tendência é que as receitas médicas em papel desapareçam, sendo substituídas por uma mensagem no telemóvel, ou um ficheiro PDF enviado para o e-mail ou, mas isto só dentro de alguns anitos, por um chip integrado na íris da pessoa que assim não há as desculpas de que os netos andaram a brincar com o smartphone e apagaram logo única e somente a receita dos drunfos para dormir.

Obviamente que eu poderia escrever páginas e páginas sobre como é maravilhoso o trabalho do farmacêutico que tem de investigar como é que se acede à caixa de mensagens do telemóvel alheio (sim, há muita gente que não faz ideia de como ir procurar as mensagens) enquanto faz figas para não se deparar com uma foto super ampliada de algum genital acima das sete décadas de existência, ou como se perde anos de vida a abrir vinte mensagens de receitas, uma por uma, só para se descobrir que já foram todas aviadas ou passaram do prazo.

Mas o post de hoje serve para alertar para o novo modelo de receita manual, de forma a que vocês, utentes fofinhos e amorosos, não vão todos frescos e airosos à farmácia e sejam barrados por um farmacêutico carrancudo, que apesar de obviamente só estar ao balcão para dificultar a vida do cidadão, não merece levar com um pós-solar na cabeça.

Primeiro que tudo, elucidar que há três tipos de receitas.

Existe a receita electrónica sem papel, que é basicamente aquela que é enviada para o telemóvel com o número gigantesco que lá para o meio tem quatro zeros seguidos, juntamente com um código de acesso e um de dispensa.

É verdade que a receita electrónica sem papel também pode ser impressa em papel, mas isso são detalhes que só confundem o pessoal.

O que interessa saber é que desde que tenham os códigos não precisam de suporte físico para esta receita.

Isso e que podem levantar as quantidades que quiserem onde e quando quiserem (dentro das quantidades que vos prescreveram e da data de validade que aparece à frente de cada medicamento claro).

Depois há a receita electrónica com papel, onde a medicação é passada a computador mas vocês precisam de trazer a receita porque de outra forma nada feito.

Neste tipo de receita ou aviam tudo no mesmo sítio ou perdem o direito ao uso futuro da mesma.

Por fim há a receita manual, que é como quem diz a receita hieroglífica, onde os médicos costumam libertar todo o seu potencial artístico e enchem a folha com rabiscos muitas vezes difíceis de interpretar.

Nesta receita, tal como na electrónica com papel, ou aviam tudo no mesmo sítio ou o que não levantarem fica irremediavelmente perdido.

E é a receita manual que sofreu alterações, para felicidade dos médicos prescritores que vão ter de mandar para o lixo os seus blocos antigos e para os utentes, que muito provavelmente ainda vão ser engrupidos com uma receita antiga e não vão poder ter direito à comparticipação médica.

É verdade que as receitas manuais já não são muito usadas, mas num domicílio, numa ida a um dentista, numa falência informática do centro de saúde ou quando se encontra um médico que recusa-se a entrar na era moderna, é provável que ainda recebam uma maravilhosa receita escrita à mão.

Mas o que mudou?

Uma das mudanças foi que as receitas agora possuem no topo o logótipo “SNS – Serviço Nacional de Saúde – 40 anos”.

Uma forma fofinha de nos lembrar que provavelmente não vamos ver o SNS com 50 anos, tendo em conta as políticas de saúde que temos visto nos últimos tempos, mas isso é outra conversa.

Novo Modelo de Receita Manual

O modelo de receita médica também foi alterado de forma a conter elementos “facilitadores da autonomização do processo de recolha de informação para conferência de receituário”.

Ora estes elementos facilitadores não são nada mais nada menos do que uma data de números oito em formato digital que os médicos tem de preencher para no fim conseguir-se o número de utente, de telefone, de beneficiários, a quantidade de embalagens prescritas e a data da receita.

Novo Modelo de Receita Manual

Muito honestamente, quem aprovou esta mudança esqueceu-se que não vivemos numa sociedade que tenha por hábito continuar a preencher números por pintura depois dos 5 anos de idade, o que resulta, na sua grande maioria, em receitas com os números escritos normalmente por cima das marcas de água dos 8, tornando a leitura ainda mais difícil!

As receitas manuais de modelo antigo só podem ser dispensadas na farmácia se tiverem sido passadas até ao final de Junho.

Receitas com datas de Julho já não serão aceites na farmácia, a não ser que o farmacêutico esteja a pensar no que vai fazer para o jantar e aí a culpa é dele por não estar atento.

Por isso se vos entregarem uma receita escrita à mão que não tenha um símbolo a dizer 40 anos SNS e que não esteja cheia de números 8 em marca de água, recusem-na e exijam uma recente! 

Claro que se as receitas forem dos Açores e da Madeira nada disto se aplica, porque apesar de ser tudo Portugal a realidade nas ilhas é ligeiramente paralela! 

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