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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Não há uma idade para começar a ler!

01.03.19, Triptofano!

A minha mãe, que tem quase 70 anos, sempre gostou de ler revistas cor-de-rosa mas incrivelmente acha que é um desperdício de dinheiro a compra das mesmas.

 

Por isso, quando me lembro, compro-lhe duas ou três e entrego-lhas, de forma a ela ocupar parte do seu dia.

 

Há duas semanas, quando fui almoçar a casa dela, descobri-a a agarrada a um livro do Paulo Coelho, mais concretamente a Bruxa de Portobello.

 

Em todos estes anos nunca me lembro de ter visto a minha mãe a ler um romance, e quando lhe perguntei porque é que o estava a fazer ela respondeu-me que se lhe tinham acabado as revistas e como tinha encontrado o livro havia decidido experimentar.

 

Honestamente não acreditei que ela levasse a leitura em diante porque tinha-se queixado que a história era um pouco complicada, e tinha de andar para a frente e para trás para não perder o fio condutor.

 

Há uns dias quando a voltei a visitar encontrei-a num estado de êxtase em que nunca a tinha visto.

 

Finalmente acabara o livro da bruxa e estava radiante, tendo passado 45 minutos a fazer-me um resumo muito extenso dos últimos capítulos, que tinha relido porque da primeira vez estava com tanto sono mas com tanta vontade de chegar ao fim que acabara por não perceber completamente o desfecho! (só dizer que a minha mãe era óptima para apresentar aqueles programas brasileiros com histórias de cinco minutos mas que se arrastam por seis horas...ela consegue fazer render o peixe.)

 

Quando lhe perguntei se ia continuar a ler tira imediatamente debaixo de uma almofada o Verónica Decide Morrer, também do Paulo Coelho, e com um sorriso gigante diz que em dois dias já vai a meio daquele, que a história é muito mais fácil de ler e começa a desbobinar-me a história toda, o que me fez perceber que a minha querida mãe se tinha transformado num monstro da leitura.

 

A minha mãe é o exemplo vivo que não há uma idade para começar a ler.

 

Na realidade a idade não é uma barreira para fazermos o que quer que seja, desde que estejamos dispostos a isso.

 

Quando era pequeno sempre a ouvi dizer que viajar era um desperdício de dinheiro, e de há dez anos para cá algo mudou dentro dela e passou a viver para conhecer outros destinos, tendo tido a bênção de poder ter visitado sítios distantes como a Tailândia, a Índia, São Tomé, a Turquia ou a Jordânia.

 

Agora foi o vírus da leitura que a contagiou.

 

Já lhe passei para as mãos o Comer, Orar, Amar da Elizabeth Gilbert (que eu lhe tinha dado há anos atrás e ela nunca tinha sequer aberto), o Porque Escolhi Viver da Yeonmi Park e disse-lhe para procurar na arrecadação o meu livro preferido que estará algures perdido, o Vale das Bonecas da Jacqueline Susann.

 

Tenho esperança que depois dos livros ela queira aventurar-se no mundo do virtual, já que sempre se recusou em todos estes anos a aprender a mexer num computador, porque dizia que era demasiado complicado para a cabeça dela.

 

Mas para já tenho um orgulho enorme da minha mãe, que me relembrou que a idade é simplesmente um número, e que nunca é tarde demais para descobrirmos coisas que façam o nosso coração sorrir!

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