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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

08
Nov18

Não há Deuses na Blogosfera


O meu objectivo enquanto membro integrante da blogosfera nunca foi o de criar uma persona, uma caricatura da minha verdadeira pessoa à qual podia atribuir os traços de personalidade que eu bem entendesse.

 

Sempre gostei, até de forma a libertar-me de fantasmas do passado, de me mostrar como realmente sou, com virtudes e defeitos, não deturpando, na medida que a escrita o permite, a realidade.

 

Há muitos anos atrás eu tinha uma dependência.

 

Como quem é dependente de drogas, ou de sexo, ou do jogo, eu era dependente de aprovação social. De saber que as pessoas gostavam de mim. Que se importavam comigo.

 

Cada vez que recebia uma mensagem de apoio ou de conforto ou a exaltar o quão boa pessoa eu era os meus níveis de dopamina subiam a pique, e era inundado por uma sensação de prazer.

 

E obviamente quando sentimos prazer não queremos que ele desapareça.

 

Só que as pessoas também se fartam, tem os seus limites, os seus problemas, e nem sempre estão disponíveis a dar-nos mais uma dose da droga que nós precisamos.

 

Ameacei que me ia suicidar mais que uma vez.

 

Fiz pessoas percorrerem Lisboa à minha procura enquanto eu estava descansado a beber um café.

 

Fiz perder noites de sono, tirei anos de vida, tudo para me sentir bem quando via as tentativas de chamadas umas atrás das outras, as mensagens em catadupa suplicantes carregadas de elogios fúnebres em vida.

 

Eu era um drogado. Um trapo. Uma merda.

 

E não me importava minimamente com o sofrimento que a busca do meu prazer estivesse a causar aos outros.

 

Houve quem me perdoasse. Quem nunca mais me voltasse a falar. E por mais que custasse ouvir, aceitei todos os julgamentos que quiseram fazer de mim, porque a história tinha sido entre mim e as pessoas que me julgavam.

 

A verdade é que posso ter inventado toda esta história que acabei de escrever, inspirado-me em algum livro que tenha lido, mas no mundo virtual, a não ser que conheçamos a pessoa e façamos parte da história dela, é difícil saber o que é real e o que é fantasia.

 

No virtual somos todos iguais uns aos outros, uns com mais outros com menos seguidores, mas no fim não passamos de uns míseros mortais.

 

Não há deuses nem semi-divindades na blogosfera.

 

Por isso também não deveria haver julgamentos com base em teorias, em feelings, em sussurros do além.

 

Sou contra lançar alguém aos leões ou a queimar supostas bruxas.

 

Se eu nunca julguei ninguém sem ter dados concretos?

 

Obviamente que sim.

 

Na realidade não é preciso escavar muito fundo no meu blog para encontrar posts onde o faço.

 

Se me arrependo? Não.

 

O arrependimento é um sentimento fútil para mim, não vale a pena vivermos a pensar no passado. Devemos sim crescer no presente tendo em conta aquilo que não foi o mais correcto no passado para termos melhores atitudes no futuro.

 

Mas e a liberdade de expressão e o facto de quem escreve para o público também tem de se sujeitar a ouvir o que não gosta?

 

Eu não estou a dizer que quem quer não possa escrever o que bem quiser e lhe apetecer. Nem estou a dizer que a melhor das pessoas não possa ter de vez em quando um comentário infeliz.

 

Só quero passar a mensagem que acho que nós somos melhores que isso, que nós muitas vezes não percebemos o dano que causamos quando digitamos uma opinião sem certezas absolutas e a lançamos no mundo virtual.

 

Não quero que ninguém deixe de investigar, deixe de unir os pontos, deixe de se preocupar e avisar os outros, mas há formas mais subtis de o fazer. Uma mensagem privada, um e-mail, um telefonema quando se conhece a pessoa em questão.

 

Deixar informação escrita depreciativa relativa a alguém acessível à leitura dessa mesma pessoa para mim roça o bullying.

 

E volto a dizer, não sou santo, também já o fiz, mas sinto que todos podemos ir mais além do que a nossa condição actual.

 

E para quem oferece ajuda, para quem se disponibiliza a dar uma mão, atenção que não é um trabalho fácil.

 

Às vezes podem-nos levar o braço e o ombro por arrastão.

 

Mas se acham que conseguem, se sentem que é algo que podem fazer, força!

 

Não se esqueçam é que ninguém é obrigado a ajudar ninguém eternamente, e que a nossa saúde, física, mental e emocional, está sempre em primeiro lugar.

 

Agora o que é relativamente fácil é sem darmos conta deixarmos ainda mais na lama alguém que já lá está.

 

Há certas palavras que são verdadeiras areias movediças. E na dúvida se alguém as vai pisar ou não mais vale não arriscarmos. 

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