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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Missão Destralhar

07.11.17, Triptofano!

Tenho encontrado aqui na blogesfera vários blogs onde se fala do conceito de destralhar, de forma a ter-se uma vida mais simples e harmoniosa.

 

Confesso que sempre que leio um post sobre o assunto fico cheio de vontade de colocar em prática o destralhanço mas, pouco tempo depois, fico assoberbado por uma ansiedade só de pensar em deitar as coisas fora que me paralisa.

 

Sabem aqueles programas de televisão onde as pessoas acumulam sacos e saquinhos até ao tecto sendo depois necessário uma equipa de escalada para conseguir passar de divisão para divisão? Basicamente eu acho que daqui a uns vinte anos posso-me candidatar a esse programa.

Porque eu guardo tudo, mas mesmo tudo, dentro de sacos, saquinhos, sacões, mas até ao presente momento ainda os consigo camuflar dentro do roupeiro, o que faz com quem venha cá a casa não se aperceba do meu pequeno problema.

 

Porque eu quero destralhar, honestamente quero destralhar, mas além da ansiedade que o processo me cria, é algo que leva bastante tempo, porque antes de deitar uma coisa fora tenho de obedecer a um ou dois rituais.

 

Se for um folheto do supermercado tenho que abrir página por página para ter a certeza que não está nada escondido dentro do mesmo - acho que tenho medo de deixar de descobrir uma nota de cinquenta euros ou coisa que o valha!

Se se tratar de uma revista, então vou ter que, além de a abrir, ver se existe algum artigo que me interesse e por acaso não tenha lido. E normalmente há sempre alguma coisa, o que faz com que a revista volte para a pilha da tralha - ainda estou para perceber porque raio quero eu revistas de 2014!

 

E depois há o argumento do pode ser preciso. E eu sei que não preciso de 500 sacos de plástico. Nem de 300 canetas. Quanto mais de mãos e mãos cheias de elásticos. Ou de papéis de todos os tamanhos e cores e feitios com recados que às vezes já não me lembro sequer sobre o que eram.

 

Mas apesar de saber isto tudo, algo em mim fica em nível de alerta máximo quando penso em deitar algo fora. E não consigo compreender porquê; nunca tive carências de qualquer nível quando era criança, não me lembro de ter tido algo que realmente adorasse que tenha ido para o lixo sem querer....não consigo perceber este meu stress relativamente a destralhar.

 

Porém, tenho de dizer que ultimamente tenho feito alguns progressos.

O cara metade muniu-se de paciência e sentou-se comigo para arrumarmos alguns sacos. Ele respeitou o meu processo mas também não permitiu que eu o arrastasse indefinidamente. Consegui deitar algumas coisas fora. Outras tiveram de ficar cá em casa. Mas desenvolvi um truque para enganar o meu cérebro. 

 

Aquelas coisas que estavam no limbo entre o deitar fora e o guardar, coloquei num saco e entreguei à minha mãe. Para ela decidir o que fazer com elas.

Sei que não é a melhor solução porque estou a transferir a responsabilidade do processo para outra pessoa, mas como ela não armazena tudo e mais alguma coisa sei que não lhe vai custar deitar fora o que não fizer sentido manter. E eu não me vou lembrar mais sequer das coisas que lhe entreguei!

 

Assim, pessoas da blogesfera que adoram destralhar mas que convivem com pessoas que estão no ponto oposto do espectro da tralha; não se chateiem, sejam pacientes mas firmes.

 

É que a gente não faz por mal!

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