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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Mandar os outros para o Caralho!

21.10.19, Triptofano!

De há uns anos para cá engordei substancialmente, o que se traduziu em de não ter barriga nenhuma passar a ser um mini-ajudante do Pai Natal, com uma circunferência abdominal que faria os senhores responsáveis pela Organização Mundial de Saúde tremer.

A causa de ter engordado não é nenhum segredo de Fátima, nem nenhuma questão científica impossível de explicar, como aquelas pessoas que garantem a pés juntos que não comem nada de nada e é o processo natural de respirar que as faz ficar balofas (mas depois é vê-las a enfardar palmiers recheados no café da esquina).

No meu caso estou um pote porque devoro comida de forma industrial, algo que não fazia no passado. Mas, incrivelmente, estou muito mais em paz com o meu corpo agora, do que quando não tinha barriga.

Antigamente, quando todo eu era fit, a minha dismorfia corporal fazia-me acreditar que nunca estava magro o suficiente, que tinha sempre alguma banha extra, que precisava de tonificar, e bla bla bla bla.

O momento em que passei a borrifar-me para isso e a aceitar que um corpo perfeito é um conceito totalmente abstracto, foi o momento em que deixei de estar em constante guerra com o meu corpo.

E ter engordado não significa que fiquei desleixado, ou que pensei que se foda e comecei a comer todos os cozidos portugueses que me pusessem à frente. Mostra apenas que decidi que o melhor para mim era não viver obcecado em ter uma determinada figura, quando nem sequer a conseguia aceitar à frente do espelho.

Libertar-me dessas correntes foi o melhor que fiz na minha vida, e apesar de ter ganho uma quantidade significativa de banha, nunca estive tão em paz com o meu corpo.

Por isso é que quem visitar o meu Instagram vai encontrar várias fotos da minha pessoa em tronco nu, a exibir descaradamente a barrigona, sem filtros nem photoshops nem merdas que tais cujo único objectivo é deturpar o nosso corpo para ficar potencialmente mais agradável ao escrutínio alheio.

Agora eu estar em paz com o meu corpo não significa que seja de ferro, nem que não fique magoado com certas coisas.

Nesta última foto que coloquei, junto a uma piscina tão fria que me fez encolher todos os apêndices do meu corpitxo, a minha barriga de quatro meses era exibida quase que descaradamente, sem eu estar a suster a respiração há minuto e meio e a comprimir todos os órgãos internos.

Eis que recebo uma mensagem, de uma pessoa que já não via há carradas de tempo, que começava assim:

Ena pá, estás tão gordo!

E continuava, com uma dissertação indignada de como é que eu tinha ficado assim, se antes era um pau de virar tripas, e agora tinha uma barriga gigantesca, e que devia ter vergonha de por fotos a exibir a pança...

Devia ter mandado a pessoa para o caralho. Desculpem a linguagem, podem parecer que é gratuita, mas às vezes devíamos mandar mesmo as pessoas para o caralho, para ver se elas conseguem enfiar alguma coisa dentro do vazio que é o seu crânio.

Não mandei, simplesmente deixei de responder aos comentários honesto-maldosos e segui com a minha vida.

Se fiquei a sentir-me na merda? Fiquei, não digo que não, porque ninguém quer estar feliz e contente e de repente ser bombardeado com palavras negativas!

Se me disseram algo de não verdadeiro? Racionalmente analisando a situação a pessoa que me abordou foi simplesmente honesta e constatou os factos, mas tendo em conta que essa análise em nada contribuiria para o meu bem estar, associado ao tom levemente jocoso com que foi feita, estamos perante um caso de maldade camuflada com honestidade!

O meu conselho para todas as pessoas que sofrem este tipo de agressão no seu dia-a-dia? Mandem os outros para o caralho. À boca cheia. Sem vergonha, sem pudor, sem medo do que os outros vão pensar. Ninguém tem o direito de vos fazer sentir mal, ninguém tem o poder de se sentir melhor fazendo os outros rastejar na lama, ninguém pode em momento algum achar que é melhor que vocês!

Por isso quando alguém vier com falinhas mansas a dizer que vocês envelheceram tanto, ou estão mais gordos, ou porra que seja, mandem-nas para o caralho! 

E se estiverem cara a cara, espetem-lhes um dedo na fuça! Não digo no cu simplesmente porque devemos evitar dar prazer a quem só nos quer ver mal!

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