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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

06
Jun18

Mais uma farpa no meu coração


Lisboa ultimamente tem-me espetado farpas no coração.

 

Uma cidade que gosto tanto, não fosse ela a minha cidade, e não sei o que se passa, se é alguma cabala contra mim, mas recentemente só me tem deixado amargos na boca, quando antigamente, mesmo quando adormecia, ainda permanecia na minha cavidade bucal uma doçura tão característica da metrópole.

 

Adoro o Miradouro da Senhora do Monte, é um lugar mágico, fabuloso, com uma vista incrível para a cidade. Já o adorava quando ele era pouco conhecido, e continuei a ter um espaço para ele no meu coração quando foi invadido diariamente por tuc tuc's repletos de turistas.

 

Lembro-me tão bem da primeira vez que lá fui, era já noite escura e o silêncio reinava. Sentei-me num dos bancos de madeira, que tinham a fantástica característica de serem mais largos e mais fundos - ou seja, era possível ficarmos meio deitados - e ali permaneci, semi-sentado, semi-deitado, a olhar para o céu estrelado de Lisboa, perdendo-me no meu próprio pensamento, eu partícula finita dum universo infinito.

 

Antigos Bancos Miradouro Senhora do Monte

 

Não sei precisar as vezes que voltei ao Miradouro da Senhora do Monte. Mas sempre que lá fui fazia questão de me sentar/deitar naqueles bancos de madeira tão peculiares.

 

Até que esta semana descobri para minha incredulidade que os bancos já não existiam. Tinham sido substituídos por uns de cimento, banais, incaracterísticos, sem qualquer magia ou capacidade de criar memórias. Nem sequer dão para apoiar as costas, simplesmente são um assento de cimento, triste e melancólico.

 

A farpa que se me espetou no coração foi tão grande que me recusei a tirar uma foto.

 

Vou continuar a negar enquanto puder o desaparecimento dos bancos de madeira, mas sei que nunca mais vou poder olhar para as estrelas da mesma forma.

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