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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

23
Set18

Les Nuits Fauves


Inesperadamente, a Marta Elle enviou-me um e-mail com uma sugestão polvilhada de um sentido de urgência, se pudesse para ir ver o filme Les Nuits Fauves.

 

O filme estava inserido na programação do Festival Queer 2018, sendo que este ano a temática era o Vírus-Cinema: Cinema Queer e VIH/Sida.

 

Há muitos anos que tinha deixado de seguir o Queer, muito pelo facto de achar que a qualidade dos filmes escolhidos ficava aquém da dimensão e da importância que o festival deveria ter para a comunidade LGBTQ. 

 

Ontem foi um duplo regresso para mim, ao circuito Queer e à Cinemateca, local que não visitava certamente há uma década e cujo espaço, do qual a minha memória já não se recordava, fez-me ficar encantado e fascinado.

 

Les Nuits Fauves é um filme simultaneamente fácil e difícil de ver.

 

A edição, com cortes e transições abruptas, torna a princípio o filme complicado de se seguir, principalmente para quem está habituado a películas com fios condutores bem delineados.

 

Mas após este primeiro choque, somos levados naturalmente numa sucessão de acontecimentos que não são mais do que instantes da vida incontroláveis, sem planeamento nem contenção, onde os sentimentos explodem com tal intensidade que a certo ponto conseguem a proeza de quase enlouquecer o espectador.

 

Este é um filme com o VIH como ponto central e ao mesmo tempo como ténue imagem de fundo.

 

Enquanto que o vírus arrebata o papel de actor principal em momentos cruciais, como na revelação da doença ou no medo de contaminação, é remetido quase que ao esquecimento em todos os outros momentos, onde a paixão, a possessão, o desejo e a insaciabilidade do mesmo enchem o ecrã e a sala de cinema com uma energia quase claustrofóbica.

 

Consegui-me relacionar ainda mais intimamente com estas "noites selvagens" por causa de um momento da minha história.

 

Les Nuits Fauves não é um filme para ser visto, é uma obra para ser apreciada.

 

É um momento de comunhão com o sofrimento, o desespero, a angústia, a esperança, a fuga da realidade e o encontro do inevitável.

Les Nuits Fauves

 

 

 

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